quarta-feira, março 20, 2013

QUEM DE TRÊS TIRA DOIS…(10 ABRIL 2012)

1- O Sporting-Benfica começou com um penalty a favor do Benfica que ficou por marcar. Seguiu com um penalty inútil do Luisão, porém real. E continuou com um penalty por marcar a favor do Sporting tudo - até aos 25 minutos. Seguiu-se um jogo essencialmente mal jogado, aos repelões - sobretudo por parte do Benfica, que pouco mais soluções ofensivas mostrou do que os habituais livres a pingar sobre a área (e muitos teve na fase final). Jogando em contra-ataque toda a segunda parte, o Sporting mais do que justificou a vitória e poderia ter desbaratado o Benfica, não fossem Artur, a trave e Van Kleber, perdão, Van Wolfswinkel. Os benfiquistas dirão (Jesus já deu o mote) que, se o penalty sobre Gaitan no primeiro minuto tem sido assinalado, o jogo teria sido completamente diferente e o vencedor também. Para além do facto de o Sporting também se poder queixar de um penalty não assinalado, que teria dado o 2-0, parece um verdadeiro wishfull thlnking afirmar que teria sido diferente e de desfecho diferente um jogo onde o Benfica se mostrou sempre àquem do Sporting e de onde poderia ter saído com um resultado constrangente.

Assim, o Sporting completou uma semana decisiva, garantindo a passagem às meias finais da Liga Furopa e honrando a rivalidade, o prestígio e o profissionalismo contra o seu eterno rival de Lisboa. Já o Benfica, chegou à semana decisiva, em que, dos quatro saldos possíveis, lhe calhou o pior: afastado da Europa, quase afastado do título nacional. É um drama clássico de quem luta nestas duas frentes até muito tarde: para poder ter sucesso, nesta situação, só há um caminho: ter avanço suficiente no final da primeira volta do campeonato para poder gerir o desgaste na segunda volta. Era o que fazia o FC Porto de Mourinho e foi o que fez o de André Villas Boas, na época passada.

E desta forma se desfez o trio da frente, a quatro jornadas do fim. O Sporting de Braga ficou pelo caminho, depois de um meio campeonato brilhante, onde acumulou 13 vitórias consecutivas e surgiu subitamente a intrometer-se na luta do topo, que parecia reservada a Benfica e Porto. Mas, no espaço de oito dias, no momento do tudo ou nada, o Braga ficou... com nada. E, se bem que, quer na Luz, quer em Braga, se tenha batido com toda a determinação e dignidade, justificando o estatuto de candidato, em ambos os jogos creio que ficou também patente que lhe faltou ainda um quid de determinação e confiança, sem o qual os campeões não existem. Na minha infância e adolescência assisti a isto com o FC Porto: era eternamente dado como candidato, mas, de facto, na hora da verdade, faltava-lhe sempre qualquer coisa que confirmasse uma real candidatura.

Ao, invés, no jogo de Braga, sempre confiei e apostei na vitória do FC Porto - e a entrada em jogo dos portistas, se bem que por um curto período de domínio. Confirmou-me essa quase certeza. Durante muito tempo, quase até ao fim, o jogo manteve-se, é verdade, de desfecho incerto e, não fosse a dupla infelicidade de Hugo Viana (equivalente a dois frangos do guarda redes) e, aparentemente, o FC Porto não teria ganho. Mas digo aparentemente, porque julgo que, se não tivesse sido a partir de uma perda de bola e do génio de Hulk, teria sido de outra forma: na hora da verdade, o FC Porto puxaria dos galões. Os galões da experiência e do hábito de conquistar títulos e assimilar uma cultura de vitória de que só o Benfica dos últimos anos se começa a aproximar.

Na verdade, eu até esperava mais facilidades do FC Porto no decisivo jogo de Braga. E isso não aconteceu porque foi uma equipa desiquilibrada, com jogadores muito bem e outros mal ou francamente mal. Bem ou muito bem, estiveram o Helton, o Sapunaru, os dois centrais, o Moutinho, o James e, sobretudo o Hulk. Mal, estiveram o Alvaro Pereira (muito bem subsituído, após um amarelo aliás injusto), o Defour (de onde partiu a melhor oportunidade do Braga, desperdiçada por Hugo Viana), o Lucho, jogando permanentemente em marcha atrás, o Varela, igual a si próprio, e o Kleber, surpreendentemente escolhido por Vítor Pereira e apenas para mostrar, pela enésima vez, que não faz a mais pequena ideia de como foi ali parar. Foi um jogo em que o FC Porto teve, indiscutivelmente, a sorte do jogo. Os portistas jogaram apenas o suficiente para vencerem um Braga que esteve sempre na expectativa, nunca dando a sensação de ir à procura do destino, em lugar de ficar à espera que ele acontecesse. E saber fazer a hora é a marca dos campeões. Mas, embora longe do título, o campeonato ainda não acabou para o Braga: tem a luta pelo segundo lugar, que vale uma entrada directa na Champlons e que, provavelmente, irá disputar até final com o Benfica.

Em Londres, frente a um Chelsea que é hoje uma sombra do que foi, o Benfica experimentou a sensacão de impotência dos clubes que, a este nível, enfrentam o clube quase fechado dos tubarões europeus - uma dúzia de equipas que gozam sempre dos favores do dinheiro, da fortuna e de outras coisas mais. Eu vi assim o FC Porto ser diversas vezes afastado pelo Chelsea ou pelo United, em eliminatórias em que as decisões do árbitro ou má fortuna em momentos cruciais o venceram, longe de o convencer. Concordo inteiramente com Jorge Jesus em como o Benfica actual é melhor equipa que o Chelsea e mostrou-o bem na eliminatória. Todavia, e se bem que o árbitro tenha adoptado sempre um critério desigual (que as equipes portuguesas já conhecem e já devem esperar a este nível), o facto é que, nas duas decisões contestadas pelos benfiquistas, ele não cometeu erro algum: Maxi foi bem expulso (e, ao contrário do que vi dito por um jornalista da RTP, benfiquista convicto, não é ele que tinha de se lembrar que Maxi já tinha um amarelo, mas sim o próprio jogador), e o penalty é tão flagrante que só num momento de desespero e a quente se pode pretender o contrário. Se aquilo não fosse penalty, então o penalty assinalado contra o Braga, na Luz, em jogada idêntica mas muito menos ostensiva, seria o quê?

Para um portista, a eliminatória perdida pelo Benfica teve dois momentos, não sei se de ironia, se de justiça póstuma. Um, foi no jogo da primeira mão, quando a equipa portuguesa do SL Benfica utilizou catorze jogadores e nenhum português, enquanto que, do outro lado, a equipa inglesa do Chelsea alinhava quatro portugueses. E a ironia consistiu em ver o público da Luz assobiar os portugueses do Chelsea só porque ti- nham sido do FC Porto e, em especial, a tomar de ponta Raul Meireles - que depois se vingaria, em Londres. A outra ironia (e, essa deliciosa) foi escutar a claque do Benfica em Stamford Bridge a gritar "Platini, Platini". mandando para cima do presidente da UEFA as culpas daquilo que os benfiquistas acharam ser uma arbitragem encomendada. Estariam eles a referir-se ao mesmo Michel Platini que eu julgo? Aquele em cujas mãos, há uns anos atrás, o Benfica depositou um mundo de esperanças de o ver afastar o FCPorto das competições europeias, por via administrativa, assim abrindo uma vaga na Champims para o Benfica, que a havia perdido no terreno de jogo? Seria o mesmo Platini que (não tivesse sido a justiça da UEFA a travar a maquinação) teria sido o último elo de uma cadeia montada peça a peça, entre Benfica, a imprensa que lhe é afecta, e o Conselho de Disciplina da Liga que controlava, para roubar na secretaria o que o FC Porto ganhara em campo com todo o mérito e a vista de todos, mascarando a golpaça de justiça desportiva? Seria o mesmo palhaço que eu estou a pensar por quem gritavam, indignados, os benfiquistas em Stamford Bridge? Pois se era, a ingratidão humana não tem limites...

PS - Subitamente, um jornalista brasileiro apareceu na conferencia de imprensa, no final do jogo de Alvalade, e lançou a Jorge Jesus uma pedrada no charco. Nada de especial, como pergunta: apenas jornalismo.

terça-feira, março 19, 2013

VI, NÃO VI E ADORMECI (03 ABRIL 2012)

1- Sentei-me a ver o União de Leiria-Sporting e dez minutos depois dormia profundamente. Se o Leiria é o último classificado e outra coisa não seria de esperar do seu soporífero futebol, já o Sporting é aquela equipe que, segundo o seu presidente, não fossem os árbitros e estaria a lutar pelo título. Pois, bem: se assim é, quero declarar que o Dormicum Futebol Clube tem mais hipóteses de lutar por um título que o Sporting. Não é uma andorinha, mesmo vinda de Manchester, que faz a Primavera.

Brincadeira à parte, considero inacreditável que o Secretário de Estado do Desporto receba o presidente do Sporting para este lhe ir fazer o habitual relambório das queixinhas da arbitragem. Partindo do princípio que o Secretário de Estado não estará disponível para receber todos os clubes que se querem queixar da arbitragem (e são todos), a audiência concedida ao presidente do Sporting tresanda a vassalagem à moda antiga, a fazer lembrar os tempos em que os dois grandes de Lisboa cultivavam relações promíscuas com o poder politico, assim garantindo um tratamento privilegiado em relação a todos os outros. Eu sei bem que o hábito ainda não desapareceu por completo (basta ter visto o ar de pessoa da casa com que o ministro Miguel Relvas se passeou terça-feira na tribuna de honra da Luz e, no dia seguinte, na de Alvalade), mas, apesar de tudo, há que manter algumas aparências: que eu saiba, não compete ao Secretário do Desporto ocupar-se da arbitragem das modalidades e é simplesmente ridículo imaginar que ele possa ter estado a ver vídeos seleccionados pelo Sporting na companhia do Engº Godinho Lopes.

Já quanto às declarações do presidente sportinguista, no final da audiência, essas nao tem que enganar: são mesmo para gozar com o pagode. Afirmar, sem tremer de vergonha, que só por causa dos árbitros é que o Sporting não disputa o título de campeão, é tomar por parvos todos os que vêem futebol e percebem alguma coisa deste jogo. O Sporting está no quinto lugar da classificação, atrás de Marítimo, Braga, Benfica e Porto. Todos estes clubes só podem sentir-se ofendidos com tamanho desplante. Estaria a lutar pelo título uma equipa que está no 5º lugar, a catorze pontos do primeiro classificado e que esteve cinco meses sem conseguir ganhar um jogo fora de casa e só de livre e a três minutos do fim conseguiu marcar um golo em cinco jogos consecutivos fora? E no ano passado, quando terminou em 4ºlugar, a uns inimagináveis 27 pontos do campeão? Quantos pontos teria o Secretário de Estado do Desporto de acrescentar por decreto ao Sporting para que ele conseguisse disputar o título?

2- Este sábado aconteceu-me uma coisa impensável: tamanha era a cobertura dada pelos jornais desportivos ao Benfica-Braga desse dia (como se não houvesse outros jogos no sábado e, entre eles, o jogo envolvendo o FC Porto e que poderia dar, como deu, a liderança do campeonato), que eu me convenci que o Porto só jogava domingo. E assim levado ao engano, falhei o primeiro jogo do FC Porto esta época e foi só quando liguei a televisão, minutos antes do Braga-Benfica, que, indo parar ao flash-interwiew do Porto-Olhanenese, me dei conta que, afinal, o jogo já tinha acontecido e terminado com a vitória dos portistas por 2-0. Não fazendo ideia como tinha sido o jogo, fiquei a escutar atentamente o Sérgio Conceição. Disse ele, em substância, que o Olha- nense tinha jogado mal, que o Porto jogou mais, mas que era muito difícil jogar contra os grandes, por causa da arbitragem: teria ficado por mostrar um segundo amarelo a um jogador portista por mão na bola e quando um avançado do Olhanense se ia isolar, a jogada foi interrompida sem razão. Não fosse a arbitragem, e o Olhanense... Fiquei a pensar que já não tenho pachorra para isto: haverá algum treinador que perca e não diga que a culpa é do árbitro? No dia seguinte, li A Bola e lá vinha a fotografia da tal jogada com o atacante de Olhão, onde se via ele a agarrar um jogador portista para não o deixar correr. O relato do jogo, quanto à arbitragem, dizia apenas que tinha sido quase perfeita, não fosse o árbitro ter perdoado um penalty ao Olhanense por falta sobre o Hulk (mais um não assinalado...). E, quanto ao resto, escrevia-se que, em todo o jogo, o Olhanense não criara uma só oportunidade de golo, apenas fizera um remate e inofensivo e só graças ao seu guarda-redes não tinha saído do Dragão esmagado a uma cabazada. Ora, o Sérgio Conceição é treinador apenas há um par de meses e dá-se o caso de ter sido jogador do FC Porto, clube que o potenciou para uma bem sucedida carreira internacional. São duas boas razões para ter um bocado mais de respeito, se não pela verdade, ao menos pelo seu presente e pelo seu passado.

3- Com um penalty caído do céu e de um critério generoso do árbitro, e um golo aos 92 minutos, o Benfica venceu um jogo cujo resultado justo só podia ser o empate. Na segunda parte, por assim dizer, o Braga resgatou os seus méritos como candidato ao título. A meus olhos. E digo isto, porque os últimos dois jogos que vi do Braga (em casa contra o Leiria e contra a Académica), em ambos o vi vencer imerecidamente por 2-1, tendo beneficiado de muita, muita sorte, e decisões erradas da arbitragem que lhe garantiram a vitória. É evidente que eu comungo da onda de elogios a uma equipa que se bale como o Braga se tem batido, uma equipa formada pelas sobras dos grandes (seis jogadores ex-FC Porto!) e com um orçamento que não é nada ao pé do deles. E claro que, não sendo o FC Porto campeão, muito gostaria que fosse o Braga. Mas, constato que esta simpatia geral pelos Davids face aos Golias, leva a que uma equipa como o Braga goze de uma generosidade da crítica, que outros não têm. Tivesse sido o FC Porto a assinar aquela exibição contra a Académica e a beneficiar das decisões do árbitro, aqui mesmo assinaladas na crónica do jogo, e toda a semana só se teria falado da injustiça da liderança. Ser grande também não é sempre fácil!

4- Como toda a gente sabe, esta época tem-se assistido a um inusitado silêncio de Pinto da Costa. Não que ele tenha o hábito de falar demais: fala sempre menos, muito menos, dos que pedem audiências ao governo, dão entrevistas de fundo a cada dois meses e redigem comunicados semanais, no mínimo, com medo que se es- queçam da sua existência. Mas este ano, o presidente do FC Porto tem falado tão pouco que aos olhos de muitos portistas tem sido até de menos. Por responsabilidade sua, ninguém pode dizer que ele ajudou a crispar o ambiente ou acirrar ânimos em vésperas dos jogos importantes. Mas, mesmo assim, há quem ache que se o presidente do FC Porto soltar meia dúzia de frases em toda a época, já será de mais. Há quem ache, convictamente, que existe uma lei não escrita que não confere ao presidente portista o mesmo direito à palavra que os seus homólogos de outros clubes.

Fernando Guerra, aqui na página ao lado, é um desses. Na semana passada, ele construiu toda uma teoria conspirativa à roda do suspeitíssimo facto de Pinto da Costa ter dito umas palavras circunstanciais, algures por aí. Segundo ele, essa «súbita reentrada em cena» do presidente do FC Porto, motivada pelo medo que o Benfica lhe infunde, visou «accionar alarmes, mover influências, activar alianças e declarar medidas de emergência», face ao «perigo medonho» de ter visto o Benfica no topo da classificação, há umas semanas atrás. Já as palavras que, «por coincidência», o presidente do Benfica disse na mesma altura, merecem a Fernando Guerra um tamanho rol de elogios que chega a ser comovente. Luís Filipe Vieira, escreve ele, «é um homem sobreavisado, conhece os truques, mas há caminhos que, por princípio, se recusa a pisar». E o elogio segue: « É notável o seu espírito de sacrifício e a sua inabalável coragem para continuar o combate solitário em frentes agrestes contra inimigos empenhados em atrasarem, por qualquer meio, e explosão futebolística do Benfica» - Eis o crime dos «inimigos»: atrasarem a explosão benfiquista do Benfica, ousarem disputar o título (este ou qualquer outro) com a intocável Instituição. Quando Pinto da Costa abre a boca, por pouco que seja, trata-se de uma conspiração, de «esquemas obscuros». Quando Filipe Vieira abre a boca, trata-se de coragem solitária, de quem não quer pisar os mesmos terrenos.

O mais irónico disto é pensar que, conhecendo Luís Filipe Viera, aposto que ele dispensa bem este tipo de advocacias.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

A GESTÃO INTELIGENTE (27 MARÇO 2012)

1- Ponto prévio: já tinha decidido não falar hoje de arbitragens, antes mesmo de conhecer a devassa pessoal e terrorista de que os árbitros portugueses estão a ser alvo na Net, e para a qual não pode haver qualquer espécie de contemporização nem ensaio justificativo. A minha decisão, porém, é anterior a isso e prende-se com a constatação de que a eterna discussão sobre arbitragens não só não conduz a lado algum (eu penso uma coisa, um benfiquista pensa outra e um sportinguista outra ainda, sem que jamais se atinja um consenso), como também contribui para que os principais culpados de resultados inconvenientes sacudam a água do capote para cima dos árbitros. Sempre defendi que as queixas da arbitragem só têm justificação quando uma equipa manifestamente fez tudo o que podia e devia por um bom resultado e só não o alcançou por influência directa de erros grosseiros de arbitragem (e isso não inclui, por exemplo, o fora de jogo de centímetros ou o penalty que ninguém pode garantir ter sido mão na bola e não bola na mão).

Ora, o que vemos, no meio desta imensa cacofonia dos últimos tempos é que, na Luz, para a Taça da Liga, o FC Porto teve o Benfica totalmente à sua mercê e retraiu-se, não lhe sabendo ou ousando dar a estocada final e mandando a culpa da derrota para cima do árbitro, enquanto que contra a Académica e contra o Paços de Ferreira, deu-se ao luxo de desperdiçar toda a primeira parte, consentiu dois empates e depois queixou-se do árbitro. O Sporting não jogou nada contra o Gil Vicente, perdeu 2-0 e reagiu como se tivesse sido o árbitro a impedir-lhe uma vitória merecidíssima. O mesmo fez o Benfica em Coimbra e em Olhão - onde até acusou um árbitro que deu nove minutos de descontos na segunda parte(!) de ter «pactuado com o antijogo do adversário». Excepção feita ao Benfica-Porto da Taça da Liga, aquilo que apetece dizer é «Não têm vergonha de jogar tão pouco? E se os árbitros arbitrassem como vocês jogam?"

Não vou, pois, falar das arbitragens dos dois últimos jogos do FC Porto para não ajudar mais a uma festa que tem tido aspectos verdadeiramente ridículos, algumas vezes, graves. Falarei apenas do caso do Sporting com Bruno Paixão, a sua recente descoberta, e porque é revelador da coerência de alguns. Há anos que toda a gente sabe e vê que o árbitro de Setúbal não tem competência mínima para actuar na primeira Iiga. Desde Campo Maior, onde um central emprestado pelo Benfica e quase promovido a herói nacional, esteve à beira de até enforcar o Jardel perante a complacência de Bruno Paixão, que se tornou claro que ele aliava a falta de competência à falta de isenção. Mas lá foi seguindo paulatinamente a sua carreira e a sua ascensão até internacional, perante o encolher de ombros geral e apenas por uma razão: porque era inimigo de estimação do FC Porto. Nesse jogo de Campo Maior, o FC Porto perderia dois pontos que vieram a ser decisivos para as contas finais de um título agarrado pelo... Sporting! E, ainda há um mês atrás e também em Barcelos, Bruno Paixão foi determinante na perca de três pontos pelo FC Porto, os quais, talvez venham também a revelar-se decisivos nas contas finais deste título. Comparada com essa, a actuação de Bruno Paixão no Gil-Sporting foi verdadeiramente soft - tanto mais que ali o Sporting não jogava nada e nada tinha já a perder. Mas foi o que se viu: um charivari de todo o tamanho, pedidos de audiência ao ministro, ameaças de morte anónimas a Bruno Paixão e à sua família, como se o Sporting é que tivesse perdido um título em Campo Maior e se arriscasse a perder outro em Barcelos, graças a este árbitro. E o mesmo se diga de Lucílio Baptista, um árbitro que anos a fio prejudicou o FC Porto e que, num feito digno do Guinness, foi quatro vezes consecutivas nomeado para arbitrar jogos do Porto com o Sporting, em todos errando sistematicamente a favor dos leões. A ele deve o Sporting uma Taça de Portugal ganha ao Porto, no Jamor, e no final da qual, Mourinho exclamou : «Não sei se o problema deste árbitro é comigo ou com o FC Porto...» Mas foi preciso Bruno Paixão marcar dois penalties consecutivos contra o Sporting em Barcelos (um dos quais inquestionável),e foi preciso Lucílio Baptista atribuir uma Taça da Liga ao Benfica, numa final com o Sporting, para que os sportinguistas, subitamente, se dessem conta da sua existência, como se ambos não tivessem um historial antes disso...

2- É muito raro de ver, mas aconteceu: Pinto da Costa foi o primeiro responsável pela derrota do FC Porto na Taça da Iiga. Ao antecipar que aquilo não era importante e que se deveriam rodar jogadores, ele disse exactamente o que Vítor Pereira queria ouvir. Desresponsabilizado previamente por mais uma competição falhada, o treinador portista avançou para aquilo que chamou «uma gestão inteligente» do plantel, que lhe assegurava uma win win situation: se ganhasse, era um mestre; se perdesse, tinha desculpa. Mas o que não teve desculpa foi a «inteligência» da sua gestão: em obediência ao princípio da rotação na baliza, que, pelos vistos é mais importante do que o princípio de tentar ganhar títulos (nos últimos tempos, e com Nuno Espírito Santo na baliza, perdemos assim uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga), substituiu o Helton polo Bracali, guarda-redes fraco e baixinho, que tratou de encaixar três bolas na trave e três golos, todos com defesa, a troco de nada. Continuando sem perceber que o Maicon é o melhor central que tem, resolveu geri-lo no banco, esquecendo-se até que ele era o único que não precisava de descanso, porque estava castigado para Paços de Ferreira. Em lugar dele, meteu o Mangala, verde de mais para jogos destes, e responsável directo por dois golos do Benfica. Num meio-campo misteriosamente despovoado em Janeiro, resolveu insistir no Lucho, de principio a fim - pagando a factura em Paços de Ferreira. Em contrapartida, deixou o jovem James, que toda a Europa cobiça, a descansar uma vez mais no banco e, com ele no flanco esquerdo, em vez de Alvaro Pereira, teria arrumado o Benfica, quando estava a ganhar 2-1 e todo o lado direito da defensiva benfiquista era uma Avenida da Liberdade. Foi penoso ver como, desta vez e sem demoras, os jogadores mostraram que queriam ganhar e que tinham vindo para isso, enquanto que no banco estava um treinador que já partiu derrotado e que não soube ajudar a equipa do fora, quando ela precisou de um mínimo de lucidez estratégica. E assim continua Vítor Pereira: já perdeu ou foi afastado rapidamente do cinco competições e só lhe resta, como consolação, uma vitória pífia sobre o Guimarães, que valeu uma Supertaça nacional. E tudo feito com um ar de naturalidade a que não estávamos habituados.

3- Em Paços de Ferreira, a sensacão foi a de sonhar pela enésima vez o mesmo sonho mau: um campo apertado, tornado ainda mais pequeno por uma equipa em que todos defendiam atrás da linha da bola; um guarda redes pronto para fazer a exibição da época; um FC Porto que inevitavelmente entra a passo, sem pressa e sem rasgo, convencido que o tempo tudo resolve; um meio campo sem força que não pode ser rendido por ausência de reforços; uma segunda parte já jogada a sério e com sucessivas oportunidades desperdiçadas para matar o jogo; até que, com zero ocasiões de golo do adversário, antes ou depois, aparece um canto (um, um canto!): bola batida para a linha da pequena área, o Helton tranquilamente entre os postes, como sempre, e o Rolando batido lá em cima, como de costume, por um jogador com menos 15 centimetros do que ele. E assim se entregam dois pontos. Nunca o campeonalo nos pareceu tão fácil de ganhar e nunca nos pareceu tão próximo de se perder.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

A REVOLTA DOS PEQUENOS PRESIDENTES (20 MARÇO 2012)

1- Os jogadores do Vitória de Guimarães, do Vitória de Setúbal e do União de Leiria não recebem ordenados há três meses: entram em campo para lutar pela vitória ou pelos pontos sem saberem quando e se alguma vez verão o dinheiro estipulado nos seus contratos. E falo apenas dos casos mais conhecidos, pois consta por aí que os salários em atraso atingem a quase totalidade dos clubes da primeira e segunda divisão. Esperava-se que o novo presidente da Liga de Clubes se preocupasse com isso, que tomasse medidas para evitar essa vergonha ou, pelo menos, para impedir que clubes com dívidas a jogadores possam continuar tranquilamente a contratar outros - o que é também uma forma de concorrência desleal. Mas não, o que preocupa o novo presidente da Liga é assegurar aos chamados pequenos clubes o cumprimento da sua promessa eleitoral do alargamento da primeira divisão, para repor uma competição a 18 para a qual o país não tem população que o justifique e o nosso futebol não tem capacidade desportiva ou financeira que o sustente. Em lugar de reduzir a primeira divisão a doze clubes, jogando a quatro voltas (primeiro, todos; depois, em duas séries, dos seis primeiros e dos seis últimos), num sistema que toda a gente de bom senso e boa-fé reconhece ser o mais adequado e competitivo, atraindo mais publico e mais receitas, Sua Excelência promove o alargamento. Não para defender o futebol, como lhe competia, mas para defender os interesses dos clubes que o elegeram, tirando-o do absoluto anonimato, em troca dessa miserável combinação.

O Dr. Mário Figueiredo, na pele de um Robin Hood do futebol português, é simplesmente ridículo. Claro que, em teoria, todos defendemos que haja maior igualdade e competitividade entre os grandes e os pequenos: não há ninguém que não goste de ver um Braga a lutar pelo título, por exemplo. Mas isso não se faz artificialmente, por regras adoptadas ad-hoc e em ambiente comicieiro de assembleias gerais a que chamam democráticas. Por mais que o Sr. Figueiredo e os seus compères queiram alargar para 18 ou para 20 a primeira I.iga, por mais que ameacem a Olivedesportos de queixas e processos ou que ameacem os grandes com greves (como esse génio do presidente do Gil, que tantos benefícios tem trazido ao futebol português), restam os factos, os míseros factos, que contrariam as suas ambições: onde estão as infraestruturas, onde está o público, onde estão os patrocinadores e os anunciantes, onde está alguém interessado em concorrer com a Olivedesportos pelos direitos televisivos do nosso campeonato, que possa sustentar esses pequenos numa primeira divisão, de outra forma que não seja a de não pagarem impostos nem salários? Nós vemos um jogo em Birmingham, do campeonato inglês, em Hannover, do campeonato alemão, ou em Málaga, do campeonato espanhol, e o que vemos? Estádios quase sempre cheios, relvados impecáveis e de dimensões máximas, equipas pequenas a jogarem aberto e para ganhar. Mas vemos um jogo em Barcelos, em Setúbal, em Leiria, e o que vemos? Bancadas vazias, campos sem a dimensão máxima, equipas a jogarem o jogo do autocarro. E esperam assim ter público, ter sócios, ter anunciantes, ter disputa pela cobertura televisiva dos jogos? Não, eles esperam apenas duas coisas: aproveitar os jogos com os grandes para facturarem os direitos televisivos e os bilhetes ao preço máximo, e conseguirem o miraculoso pontinho que lhes pode vir a ser muito útil para continuarem ao mais alto nível. Uma greve dos pequenos aos jogos com os grandes, como promete o Sr. Fiúza, seria uma coisa assustadora. E que tal uma greve dos grandes aos jogos com os pequenos?

Nunca dei para o peditório nacional dos coitadinhos dos pequenos do nosso futebol, devorados pelos grandes. E não dei, por uma razão simples: porque o problema não está nos nossos grandes, que não são grandes de mais; o problema está nos pequenos, que são pequenos de mais. Porto, Benfica e Sporting estão muito aquém do nível de clubes médios dos campeonatos que interessam, e tomaram eles que os pequenos assegurassem bem mais competitividade e interesse do público. Mas, infelizmente, os nossos pequenos estão muito aquém de qualquer clube de segunda divisão dos campeonatos competitivos. Umas vezes, por razões inelutáveis, de ordem econó- mica, demográfica ou social. Outras vezes, a maior parte delas talvez, por razões de má gestão, ambições não sustentadas e total falta de respeito pela qualidade dos espectáculos que proporcionam. Não penso que seja função do Porto, do Sporting, do Benfica e até do Braga, ter de apoiar os desejos de vaidade de alguns patos bravos, amigos do autarca local e ansiosos por reconhecimento púbico e promoção social, auto-erigidos em dirigentes desportivos, sem qualquer competência que os recomende para tal.

2- Para um portista, é uma estranha sensação ver os nossos principais rivais seguirem em frente na Europa - um para os quartos da Champions, outro para os da Liga Europa — e nós de fora, a ver passar o comboio. Como já disse, acho que tivemos muito azar no sorteio da Liga Europa, onde nem sequer o facto de sermos o detentor do título nos assegurou um lugar de cabeça-de-série no sorteio dos dezasseis avos finais. Mas, como o Sporting o demonstrou, e brilhantemente, o Manchester City não era invencível. Teria sido necessário estudar melhor o adversário, ultrapassar o terror que nos paralisa face a equipes inglesas e não cometer erros fatais, tais como oferecer um golo aos 20 segundos de jogo. A verdade é que, em vez de termos «jogado à Porto» - como sentenciou Vítor Pereira, depois de levar 4-0 em Manchester - deveríamos era ter jogado à Sporting. Quem o diria!

O Sporting foi compensado com o seu brilharete face ao City, recebendo no sorteio a mais acessível das equipes que lá estavam, aqueles ucranianos com nome de fábrica dos tempos soviéticos. E o Benfica recebeu quem Jorge Jesus queria - e por alguma razão o queria. Um Benfica com uma noite inspirada e outra disciplinada, pode bem levar de vencida o Chelsea.

3- Não prevejo nenhum desfecho em particular para o jogo de hoje à noite na Luz, mas espero que os jogadores portistas não tenham ouvido as palavras de Pinto da Costa, tirando importância ao jogo. Nem consigo perceber como é que o presidente do FC Porto disse tal coisa; então, fomos corridos, sem honra nem glória, da Supertaça europeia, da Taça de Portugal, da Liga dos Campeões, da Liga Europa, tanto podemos ganhar o campeonato como acabar em terceiro, e o presidente do FC Porto acha que não se justifica um esforçozinho para ganhar na Luz e conquistar, pelo menos, o Troféu Lucílio Baptista?

Aliás, contenção de esforços é o que mais temos visto nos últimos jogos, com a Académica no Dragão, e com o Nacional na Madeira, em que só graças a Helton saímos com os três pontos. Não estamos na Europa, não estamos na Taça, andamos poupados no campeonato, que razão sobra para irmos à Luz sem obrigação de tudo fazer para ganhar? Aliás, nem vejo que jogadores principais deveriam ficar a descansar, visto que, e após as generosas cedências e empréstimos da época de Dezembro, nem sequer temos tido 18 jogadores para a ficha técnica dos jogos, sem recorrer aos juniores. (Um dia ainda me hão-de contar quem teve, por exemplo, a avisada ideia de ficar apenas com quatro médios e um ponta-de-lança a meio da época, quando ainda disputávamos a Champions e o resto!).

Pois, eu cá por mim não concedo nada: quero ganhar na Luz logo à noite!

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

ESPEREMOS QUE NÃO AQUEÇA DE MAIS… (13 MARÇO 2012)

1- Quando for grande, quero ser como o Rui Gomes da Silva: se não gostar de uma transmissão televisiva de um jogo do Benfica, por achar que ficou por repetir um lance duvidoso contra os encarnados, eu pego no telefone, ligo para A BOLA e a minha indignação ocupa metade da última página, com chamada de primeira página no jornal. Gente importante é assim. Eu, por exemplo, também achei que, no último Benfica-Porto houve uma queda do Djalma na área do Benfica que gostaria de visto repetida e não vi: mas a quem me queixar? Em tempos, o Benfica também protestou contra os comentários da Sport TV, agora protesta contra a própria realização. Imaginem o que seriam os jogos do Benfica transmitidos pela Benfica TV, com o Rui Gomes da Silva na realização e o Sílvio Cervan nos comentários!

Eu compreendo, porém: a coisa está a apertar e o que o dirigente do Benfica pretendeu foi lançar fumo sobre o que realmente aconteceu no Dragão e que contou a sério: mesmo antes do intervalo, o Hulk isola-se desmarcado pelo James e partindo de posição completamente legal finta o guarda-redes e, quando vai encostar para a baliza deserta, apita o árbitro a marcar off-side que não houve. O mesmo Hulk, mais adiante, entra na área, bate em velocidade Nivaldo é derrubado por este e o árbitro decide-se por uma tripla penalização do FC Porto: não marca o penalty, mostra amarelo a Hulk por pretensa simulação (já não se pode cair na área, com ou sem penalty) e, com isso, põe-no fora do próximo jogo, a difícil deslocação ao Nacional. Aliás, e segundo a análise deste mesmo jornal, já antes disso, um outro penalty contra a Académica teria ficado por marcar (e vou dizer uma coisa que jamais Gomes da Silva ou Gervan diriam, em idênticas circunstâncias: não acho que este tenha sido penalty, assim como não acho que o tenha sido a mão do Cardozo na sua área, durante o Benfica-Porto).

Olhão: empate e dois pontos perdidos graças a um erro decisivo da arbitragem; Barcelos: derrota e três pontos perdidos graças a quatro decisões determinantes do artista Bruno Paixão; e, agora, contra a Académica, empate e mais dois pontos perdidos graças a dois erros com influência directa no resultado. E eis que finalmente me sinto irmanado com o meu amigo Eduardo Sete Pontos Roubados Barroso: também nós nos podemos queixar da maldição dos sete pontos. (Atenção, Eduardo: não me estou a meter contigo, por quem tenho grande consideração, e cujo clubismo apaixonado, como o de nós todos, não inclui, por formação, o ódio doentio aos adversários e a arrogância de quem acha que tudo podem e tudo lhes é devido, que escorre do discurso de um Gomes da Silva e de um Sílvio Cervan. São níveis completamente diferentes ).

2- Mas esta reflexão sobre a infeliz arbitragem do Dragão, é apenas a constatação de um facto, para efeitos da actualização das contas e da narrativa com que outros se preocupam tanto. No essencial, e como sempre o defendi, estou de acordo com Vitor Pereira: não se pode queixar da arbitragem quem tão pouco fez para ganhar o jogo. O mistério, que parece ser partilhado pelo próprio treinador portista, consiste em saber porque razão um conjunto de jogadores insuspeito de falta de ambição ou profissionalismo, entra sempre em jogo, contra os mais fracos, com uma atitude de deixa andar, que não há pressa nem perigo.

Durante toda a semana, fui lendo um rol de comentários ao Benfica-Porto que me deixou de boca aberta: afinal, provou-se que Vítor Pereira é um grande treinador e que os seus críticos é que estavam errados. Ora, sendo eu, se não o maior, pelo menos o mais antigo deles, gostaria de me defender chamando a atenção para um facto insólito: aquilo que, do consenso geral, fez Vítor Pereira ganhar o jogo da Luz foi ter feito exactamente o que eu e os seus outros críticos andámos a reclamar tanto tempo - ter tirado o Maicon de defesa direito e colocá-lo ao centro da defesa; ter mandado o Rolando para o duche mais cedo; ter posto o James em jogo. Só para nos contrariar, apareceu até uma teoria deveras extraordinária: se, cada vez que saltava do banco para o jogo, o James tudo mudava para melhor, isso queria dizer que Vítor Pereira era um génio a mexer na equipa durante o jogo pois que tinha descoberto que o James rendia bem era sentado no banco durante uma hora e depois jogando os 30 minutos finais de cada jogo. Francamente! Era como se dissessem que o Guardiola deveria deixar o Messi no banco durante uma hora, porque, assim que ele entrasse, tudo mudaria para melhor! Pois claro!

Contra a Académica, James entrou de início e, de início a fim, foi dos poucos que mexeram com o jogo. Aliás e face aos disponíveis, creio que esta foi a primeira vez que Vítor Pereira começou uma partida com um onze lógico e consensual. O único erro que tenho a apontar-lhe foi ter passado toda a primeira parte a tirar apontamentos e a consultar-se com o seu adjunto, quando o que havia a fazer face ao que estava à vista não precisava de grandes conversas: o meio campo não funcionava, jogava a passo e falhava todos os passes; não ajudava a defesa e não servia o ataque. Fernando estava num daqueles dias em que só fazia asneiras, algumas perigosas; e Lucho passeava-se, ausente, como algumas vezes lhe sucede e é sabido, para quem o conhece. É certo que a suicidária politica de dispensas de Janeiro, deixou a equipa desprovida de alternativas (Sousa, Guarín, Belluschi), mas havia uma alternativa lógica: fazer entrar Djalma, recuar James para nº10 e tirar Lucho. Era ai que Vítor Pereira deveria ter entrado em jogo e antes mesmo do intervalo. Se não consegue explicar porque razão a equipa entra apática em certos jogos, já deveria, pelo menos, ter descoberto a maneira de reagir a isso a tempo, sem se preocupar com os apontamentos nem com as susceptibilidades de intocáveis. Não há intocáveis nem esquemas fixos quando se trata de ganhar o campeonato. Eu sei que, feitas à posteriori, as análises se tornam mais fáceis. Mas por isso é que há os treinadores (que têm de reagir enquanto as coisas estão a acontecer) e os comentadores (que só intervêm depois).

3- Antes do Mundial de 2006, na Alemanha, A BOLA perguntou aos seus colaboradores quem achavam que viria a ser o melhor jogador do Mundial. Respondi Leonel Messi, mas Packerman, o seleccionador argentino, não concordava comigo: deixou Messi de fora quase todo o Mundial. Já na altura, eu achava que Messi era o melhor jogador da actualidade, mas, com o decorrer do tempo, comecei a escrever que não era apenas isso: era o melhor jogador que eu alguma vez tinha visto, o melhor jogador de sempre. Para quem gosta mesmo de futebol e o vê atenção, os cinco golos de Messi ao Bayer Leverkusen não foram apenas fruto de uma noite particularmente inspirada: não há um deles que seja banal, todos são consumados com uma genialidade e simplicidade de execução que nenhum jogador do mundo conseguiu até hoje acumular numa so noite. Tudo foi feito em souplesse, como se fosse fácil, sem uma precipitação, uma hesitação, em cada momento procurando a solução mais imaginativa e não a mais tentadora. Os dois chapéus, de pé esquerdo e pé direito, só estão ao alcance de um predestinado, mas o quinto golo, visto e meditado com atenção, não vem nos livros nem nos nossos melhores sonhos: vem do outro mundo. Estou como disse Rosell, o presidente do Barcelona: «nunca mais vai haver um jogador assim. Só nos resta assistir e desfrutar». E a isto eu acrescento o que também já escrevi e só aumenta a minha infinita admiração por este verdadeiro reinventor do futebol: Leo Messi é um deus, com o mundo a seus pés. Mas não se deslumbra nem se exibe para além da sua suprema arte de jogar futebol como ninguém mais. Não exibe os músculos, nem loiras, nem Ferraris, não tem brincos nem tatuagens, nem sequer gel no cabelo ou penteados foleiros à Moicano ou penteados idiotas à neo-nazi. Ninguém sabe nada da sua vida privada, a não ser que criou uma Fundação - não para fugir ao fisco, como tantos outros, mas para ajudar mesmo crianças necessitadas. Que Deus proteja Leonel Messi! Nunca o futebol deveu tanto a um só homem.

domingo, fevereiro 24, 2013

E DAQUI A UNS DIAS ESTAMOS DE VOLTA! (06 MARÇO 2012)

1- Umas horas antes de começar o Benfica-Porto, disse à BOLA TV que o Benfica era favorito, não apenas por jogar em casa (o que era o menos), mas por ter muito menos jogadores cansados pelos jogos das selecções e respectivas viagens. E, sobretudo, por não ter o seu melhor jogador do momento a regressar de uma viagem transatlântica no próprio dia do jogo e depois de ter jogado uma partida quase inteira 48 horas antes, como sucedia com James, do FC Porto: achei que a estratégica da marcação do jogo para esta data iria ser um factor determinante e contra o FC Porto. Mas tambem acrescentei que esse favoritismo era contrariado pelo que eu sabia ser um espirito de vitória, uma atitude de campeões, que é muito superior no FC Porto e que eu esperava que viesse ao de cima. Tudo ponderado, apostei num 0-0, resultado do cansaço e do temor de ambos em perder o jogo.

Nesta última parte, enganei-me redondamente: foi um jogo aberto, emotivo, cheio de golos. Mas não me enganei na outra parte, porque o grande clássico a que se assistiu ficou a dever-se, antes de mais, à atitude de conquista do FC Porto, que, desde o apito primeiro do árbitro, mostrou que tinha vindo para ganhar e não para empatar.

Acreditem ou não, ao longo dos anos tenho desenvolvido uma espécie de premonição sobre o que vão ser os jogos do FC Porto, a partir da postura com que a equipa os inicia. No jogo de sexta-feira na Luz, eu percebi que o FC Porto só muito dificilmente não ganharia o jogo. Enquanto o FC Porto entrou à campeão, o Benfica entrou cheio de medo: medo do passado recente, medo de um adversário sem medo. E com o público a tentar puxar pela equipa assobiando todas as intervenções de jogadores portistas e, em especial, de Hulk, o FC Porto foi construindo uma teia que já se adivinhava como iria acabar: com o fantástico golo do Hulk. Nunca percebi e nunca perceberei porque se assobiam os grandes jogadores, só por serem adversários: o público teve o que merecia. E o Porto disse ao que vinha.

Até aos 20 minutos, só deu Porto e o jogo podia ter morrido aí, se Janko tivesse marcado um golo fácil, depois de isolado por Lucho na cara de Artur, ou se Alvaro Pereira não tivesse também desperdiçado a recarga. Com um pouco mais de fé e de insistência, o Porto tinha arrumado ali um Benfica em que a defesa disparatava em pânico, o meio-campo não segurava a bola e o ataque não existia. Depois, um alivio defensivo de costas de Maxi Pereira resultou num balão que sobrevoou meio-campo e foi encontrar Cardozo isolado na área, em jogo por centímetros: Helton salvou. Subitamente, o Benfica começou a ganhar cartões amarelos e livres próximos da área - o que toda a gente sabe que é a sua mais eficaz arma ofensiva. Por culpa própria, o FC Porto perdeu o controlo do jogo e, sem que o Benfica fizesse muito por isso, deixou-se empatar, num golo de sorte à saída de uma bola parada, com vários ressaltos a encontrar outra vez Cardozo isolado e milimetricamente em jogo. Aimar teve também uma boa oportunidade (a única em jogada de bola corrida do Benfica), mas que nâo chegou a sê-lo porque ele não sabe cabecear. E Moutinho arrancou tinta à trave, na cobrança de um livre que tinha Artur batido. O empate ao intervalo até podia aceitar-se, mas o melhor jogo fora indiscutivelmente do FC Porto.

O Benfica chegou ao 2-1, de novo sem nada fazer por isso, na inevitável cobrança de um livre, mil vezes ensaiado e já visto, mas que Otamendi (tanta insegurança, meu Deus!) ainda não tinha visto: de novo Cardozo, o jogador do Benfica que eu mais temo. Pensei então que o FC Porto podia perder, mas isso não fazia sentido nem tinha ponta de justiça. Felizmente, havia um trunfo guardado: a lesão de Varela não deixava a Vítor Pereira outra hipótese que não meter em jogo James, mesmo com os fusos horários trocados, o sono e o cansaço acumulados. E foi então que Vítor Pereira me surpreendeu pela positiva e talvez pela primeira vez: para a entrada de James fez sair Rolando, confiando que Djalma chegaria para um desinspirado Gaitan, e devolveu Maicon ao seu lugar natural, como central. Com isso, ganhou várias coisas: estabilizou o centro da defesa, onde Maicon é neste momento o melhor elemento, corrigindo o erro recorrente de o desperdiçar a lateral, onde é apenas banal; ganhou um defesa-extremo, na pessoa de Djalma; fez entrar aquele que é actualmente o melhor jogador da equipa e o seu grande desequilibrador e que, por uma vez, se percebia que tivesse ficado no banco de inicio; e, sobretudo, num momento decisivo, mostrou que queria ganhar o jogo, ao contrario de Jorge Jesus. James entrou e, como vem sendo hábito, logo mexeu com o jogo, compensou o abaixamento visível do trio Moutinho-Lucho-Hulk, e lá empatou o jogo, numa grande jogada que iniciou e finalizou, como jamais o Varela ou o Cristian Rodriguez seriam capazes de fazer.

A seguir, veio a expulsão de Emerson e, face à suicidária escolha de Gaitan para lateral-esquerdo, Vítor Pereira percebeu que era por ali que podia ganhar o jogo, com Djalma e Hulk contra Gaitan e, a espaços, ainda com o reforço de James. E ainda trocou o Moutinho pelo Kleber, reforçando a mensagem passada aos jogadores; agora é para ganhar! E foi. É verdade, verdadíssima, que o golo da vitoria do Porto, o merecidíssimo golo de Maicon, nasceu em off-side tangencial, que a televisão mostrou e que ninguém conseguiria enxergar no campo (excepto, é claro, Jorge Jesus). Mas também é verdade que o que decidiu o jogo é a saída falhada de Artur, e também é verdade, verdadissima, que, se se derem ao trabalho de rever, verificará que o livre que dá o segundo golo ao Benfica não existe. Ela por ela. E a convicção de que, se não tivesse sido então e assim, o Porto chegaria à vitória doutra maneira e mais logo.

Foi uma vitória merecida de princípio a fim — no momento da verdade, no jogo do título, contra todas as adversidades e com uma atitude de verdadeiro campeão. Não sei se o FC Porto o será ou não, mas, pelo menos, mostrou que pode vir a selo, contrariando todos os prognósticos (o meu incluído), e finalmente arrancando um grande jogo esta época e dando a todos os portistas uma alegria de há muito tão desejada. Como disse o meu filho, parecia a equipa do ano passado!

Na hora da vitoria, Vítor Pereira foi contido e cavalheiro, mostrando que sabe ganhar. Já Jorge Jesus voltou a mostrar que não sabe perder: descobriu que o FC Porto, além do golo, não teve mais nenhuma oportunidade em toda a primeira parte; descobriu que o segundo golo portista nasceu de uma pretensa falta a oitenta metros de distância, que só ele e o presidente do Benfica enxergaram; conseguiu ver, de onde estava e de frente para um cacho de jogadores em movimento, o off-side no terceiro golo do Porto que «o fiscal de linha não quis marcar»; e descobriu ainda que, «a haver um vencedor, teria de ser o Benfica» (atordoado como estava, nem realizou que tinha havido mesmo um vencedor). Oxalá estejamos a assistir ao remake de um filme que eu já vi a temporada passada e que já sei que acaba bem: a arrogância derrotada pela vontade de vencer.


2- Mesmo para alguém que não é crente, como eu, às vezes há sinais evidentes de uma justiça, que, se não é divina, é para além dos homens. O Benfica, com a conivência da Liga, montou as coisas de maneira a que o FC Porto chegasse à Luz de rastos para o jogo do titulo: afinal, foram eles que acabaram de rastos (Cardozo, Aimar, Gaitan, Garay) e o FC Porto que começou e terminou galopante, com o supremo toque de sadismo de ter sido o jogador mais massacrado pelo jogo e viagem, apenas 48 horas antes, quem despachou o Benfica, com um golo e assistência para outro,

E, enquanto o Porto triunfava na Luz e assumia o comando isolado da Liga portuguesa, Andre Villas Boas - que, sem aviso e em cima da hora, abandonou à sua sorte o clube e o grupo de jogadores que lhe tinham dado tudo o que ele conquistara — consumava o seu falhanço em Inglaterra, despedido por Roman Abrahamovich, após mais uma derrota. Se não é justiça divina, anda lá perto.


Ai, Deus, haja paciência! Até sexta que vem, há que continuar a acreditar em milagres!

sábado, fevereiro 23, 2013

O JOGO E A JOGADA DE SEXTA-FEIRA (28 FEVEREIRO 2012)

1- Jorge Jesus contessou que foi o Benfica que pediu a antecipação do jogo do título para a próxima sexta-feira. Pediu e a Liga deu (como não?). E perguntou o treinador benfiquista se alguém acha que o jogo deveria ser antes no sábado ou no domingo, tendo o Benfica a 2ª mão contra o Zenit na terça-feira seguinte, em Lisboa. Eu respondo: não, nem no domingo, nem no sábado, nem na sexta. Se o Benfica e a Liga estivessem apenas um bocadinho preocupados com a tal verdade desportiva com que enchem a boca até se babarem, tinham proposto ao FC Porto uma data a meio de uma semana em que não houvesse jogos europeus nem das selecções e ambos estivessem assim em pé de igualdade.

Mas, depois de ver as últimas prestações do Benfica, o evidente cansaço e desinspiração de uma equipa cujo futebol já aqui elogiei, eu percebo a jogada: Jorge Jesus conhece bem a equipa e sabe que tem de lançar mão de tudo o que puder para garantir que nâo deixa fugir um campeonato que já parecia ganho, sem problemas. Para nós, portístas, já será uma sorte se não forem buscar o Bruno Paíxáo para árbitro...

Entre os 15/16 jogadores mais utilizadas por ambas as equipas, o Benfica terá quatro deles ausentes ao serviço das selecções, mas jogando à terça e à quarta, com dois e três dias para descansarem antes do clássico; o FC Porto terá oito ausentes, jogando à terça, quarta e quinta, com a maioria a chegar na véspera de terem de viajar para a Luz (além do caso notável de James, que chega no próprio dia, depois de doze horas de voo e qua- tro fusos horários de diferença).

Avisadamente, ambos trataram de arranjar maneira de minimizar os danos com os jogos das selecções: o Benfica, re-lesionando Rodrigo, subitamente recaído da dor na coxa do jogo de há duas semanas em S. Petersburgo – que, todavia, o não impediu de jogar cinco dias depois, em Guimarães (que imprevidência do departamento médico!); o FC Porto, arrancando uma dor muscular a Varela, no jogo do passado domingo contra o Feirense, logo após ter consumado mais uma das suas habituais entregas de bola ao adversário.

Convenhamos que, até nisto, o Benfica leva vantagem sobre o Porto: vale a pena ter o Rodrigo poupado e pronto para o clássico (o pai já garantiu que o filho estará capaz), mas ao FC Porto o que teria valido a pena era ter posto o James a jogar de inicio contra o Feirense, tê-lo deixado resolver o jogo e depois faze-lo sair lesionado, em vez do Varela. Mas isso era se Vítor Pereira conseguisse perceber a diferença abissal de qualidade que existe entre James e Varela, coisa que ele ainda não percebeu, apesar de mais uma eloquente demonstração anteontem.

O que mais me espanta (ou já não espanta!), é que esta golpada com o jogo do título se consume perante o silêncio e a passividade da Direcção do FC Porto — para além de umas piadas inconsequentes de Pinto da Costa. Na verdade, o que me espanta é a passividade total ao longo da época: foi assim agora, como foi assim perante a escandalosa arbitragem de Barcelos, com os insultos que nos dirigiu o Manchester City, declarando- nos carteiristas antes do jogo e racistas depois dele, como foi assim com o total amadorismo com que o plantel foi construído (ou, melhor dizendo, destruído), no mercado de Verão e no mercado de Inverno, ou como se tem pactuado com um treinador que se dá ao luxo de tudo perder e ainda desperdiçar e desmotivar os melhores talentos que lhe foram confiados: James, Ilurbe, Fucile, Belluschi, etc.

Estou desacompanhado, pois, mas repito: a marcação do Benfica-Porto para sexta-feira, na Luz, é das maiores golpadas a que me lembro de ter assistido, desde que olho para esta coisa a que chamam futebol português.

2- Eu que não os conhecesse! A pressão sobre o árbitro do jogo da Luz vai ser outra das armas decisivas para o ataque ao título. E começou por antecipação, como convém, com o jogo de Coimbra: Aimar ganha a frente da jogada a um adversário, trava e espera pelo contacto dele nas costas, impossível de evitar, para se atirar para o chão e pedir penalty. Era assim que queriam ganhar. Ou então com um remate a dois metros do Bruno César que encontrou o ombro (o ombro!) de um adversário e que também, dizem eles, era penalty.

Como já o escrevi inúmeras vezes, tenho o maior desprezo por esta nova táctica (porque é disso que se trata) de instruir os jogadores a chutarem contra o corpo dos adversários, em busca de um braço, uma mão, e agora até um ombro, salvador, que possa resolver jogos de uma forma mais eficaz do que o talento e o trabalho. Uma imprensa complacente e uns árbitros que lhes fazem a vontade estão, aos poucos, a mudar a lei e a apostarem no anti-jogo. É curioso ver como o Sporting - o maior reclamante deste tipo de penalties, como de tudo o resto – só conseguiu evitar a eliminação as mãos do Legia e a possibilidade de seguir em frente para a eliminação face ao Manchester City, porque o arbitro do jogo de Alvalade não era adepto do mesmo critério e perdoou a Polga uma braçada, essa sim, com todo o ar de manobra voluntária. Mas, se tem sido ao contrario, num jogo cá do burgo, imaginem quantos comunicados não teria feito a SAD do Sporting?

3- Da próxima vez que um sorteio europeu ditar uma equipa inglesa no caminho do FC Porto, eu acho que devemos ficar em terra e entregar logo a eliminatória na secretaria. Não há nada mais a fazer: de cada vez que o clube atravessa a Mancha, já se sabe que vão para perder, sem apelo nem agravo. E o cagaço já é tanto, que raro é o jogo em Inglaterra onde, a acrescer às dificuldades naturais, não aparece uma oferta portista escandalosa: ou é Helton, ou Bruno Alves, Otamendi, logo aos 20 segundos. Parece que, enquanto não se encontrarem a perder, eles não conseguem sequer respirar e estabilizar um pouco. Mas, de todas as penosas e garantidas derrotas na terra de Isabel II, as que mais me custam a engolir são contra os clubes de Manchester: porque são mal-educados, arrogantes, tratando-nos como selvagens e indígenas - eles, que não passam de novos ricos do futebol, sustentados por milionários do petróleo do Texas, sheiks árabes sem saber o que fazer ao dinheiro, ou oligarcas da máfia russa, em busca de estatuto e máquina de lavar dinheiro sujo. E, quando se tem dinheiro para comprar tudo o que é talento à face do planeta, não é difícil ganhar aos pobres. Nem é preciso ser Sir para isso.

Desta vez, nem sei o que foi pior: se os seis golos sofridos na eliminatória em apenas dez ataques do City; se o golo terceiro mundista sofrido aos 20 segundos; se a facilidade com que os homens do City dispuseram dos nossos a seu belprazer, assim que se aborreciam de nos ver rendilhar, ladear e voltear, todos contentes porque tínhamos a posse de bola ou se o pior de tudo ainda não terão sido as patéticas declarações de Vítor Pereira sobre o «magnifico» jogo que tínhamos feito, a «mentira» do resultado e a «injustiça» da vitória do City. Sinceramente, gostava de ver o que escreve ele naquele caderninho com que se entretém durante os jogos e enquanto consulta aquele adjunto de óculos à Milton, em tom azul. Será um romance? Uma comédia? Um livro de desabafos ou de confissões íntimas, género "Como eu levei 4-0 num jogo que merecia ganhar?, 'Como descobri que o Cristian Rodriguez vale por dois James e o Varela vale por três ', Como passei do comando de uma equipa da terceira divisão para o do campeão nacional, com resultados surpreendentes ou, mais provável mente, o futuro best-seller 'Como consegui destruir uma grande equipa sem dar por nada”

Ai, Deus, haja paciência! Até sexta que vem, há que continuar a acreditar em milagres!