sexta-feira, novembro 16, 2012

ENTRE O SONO E A ESPERANÇA (11 OUTUBRO 2011)

1- Vi o Portugal-Islândia ao lado de um benfiquista que adormecia constantemente, acordando com os golos e logo regressando a mais profundas reflexões. Julgava que era só a mim que o futebol da Selecção faz sono, mas afinal não. A interrupção do campeonato para os jogos da Selecção é sempre uma necessidade que recebo como contrariedade — sobretudo, agora, que (e com toda a lógica) os campeonatos param todos ao mesmo tempo para ver jogar as selecções.

Diz a tradição que Portugal joga sempre melhor os jogos mais difíceis e contra adversários mais poderosos: valha-nos isso para esperar um bom jogo e um bom desempenho logo à noite. A menos que ambas as equipas se concertem para jogar para o empate, não espero vir a adormecer durante o jogo desta noite. Mas, jogos contra Chipre, Islândia, Malta, etc... são quase sempre uma sensaboria tremenda, em que a Selecção nunca joga mais do que 20 minutos a sério. Foi o que vimos no jogo contra a Islândia, no Dragão, em que mais uma vez a Selecção defraudou os seus adeptos portuenses, acabando com um resultado melhor do que a exibição: aproveitámos quase todas as oportunidades que tivemos e deixámo-los marcar em todas as que tiveram. Foi um jogo de amigos, unidos pela crise.

Sendo hoje a nossa Selecção largamente constituída por jogadores emigrados, é sempre uma boa oportunidade para pôr a escrita em dia, revendo a condição dos nossos melhores, por essa Europa fora. Tive pena de não ver o Bosingwa, que me parece de novo em grande forma e cuja ausência não percebi. E o Danny, que tão bem jogou, infelizmente, contra o FC Porto em S. Petersburgo e aí ficou retido por um problema de saúde. E, claro, como todos, tive muitas saudades do Ricardo Carvalho e do Pepe, dois valores seguríssimos. Mas, por exemplo, foi uma oportunidade para me actualizar com as mais recentes modas no domínio das tatuagens e dos penteados - onde, como se sabe, os jogadores de futebol vão sempre na vanguarda. Assim pude ver que o Cristiano Ronaldo mudou de penteado, substituindo aqueles penachos tão laboriosamente seguros em pé por uma mais simples risca ao lado. Felizmente, isso não lhe tirou nem qualidade nem a vontade que, honra lhe seja, sempre mostra ao serviço da Selecção. Aliás, o melhor em campo foi um jogador que não cultiva penteados exóticos nem tatuagens por todo o lado: o Nani, este ano em grande forma, como se tem visto no Manchester United. Já quanto aos restantes, deu para confirmar que este ano a moda entre a tribo do futebol é o penteado à sturmbanfuhrer, com o cabelo rapado dos lados e crescido em cima — uma variante do penteado à moicano, ao estilo Neymar (agora envolvido numa polémica à distancia com Cristiano Ronaldo para saber qual dos dois é mais bonito: a votação está em 1-1, cada um deles votando em si mesmo). Ao estilo moicano, temos agora na nossa Selecção a extraordinária variante do Raul Meireles, com uma fantástica escova de sucedâneo de cabelo colada directamente sobre a calva, num equilíbrio que se adivinha instável e propício a um desastre público e anunciado. Vi imagens de um treino dos dinamarqueses e o jogo dos islandeses, e fez-me alguma impressão não ter reparado em nenhum jogador, entre todos esses insípidos nórdicos, a par destas modernas tendências de penteados e tatuagens. É por isso que eles não são vedetas e que, mal pisam o relvado, já estão assustados com os nossos.

Com verdadeiro susto, descobriu agora a nação que o Rolando se deixa bater facilmente no jogo aéreo defensivo — uma tendência de que venho falando há mais de um ano.. Causa também algum constrangimento ver um meioo-campo com jogadores como o Carlos Martins ou o Ruben Micael, jogadores dos quais já se sabe que só há a esperar tudo o que já se esperou longamente e em vão. Ou ver um ataque que, na baixa de Hugo Almeida, só dispõe, para o fulcral lugar de ponta-de-lança, de Hélder Postiga e Nuno Gomes: este já era (e foi bom, enquanto foi), e o outro nunca foi, isto é, nunca foi verdadeiramente um ponta-de-lança, mas sim um jogador para jogar atrás do nº9, à semelhança de Aimar, no Benfica. Mas aí, aí sobretudo, pagamos a factura inevitável de há décadas não formarmos pontas-de-lança para jogar nos clubes portugueses.

Enfim, amanhã acordamos com certeza na fase final do Europeu de 2012 e isso é o que conta. Talvez não se possa exigir que, ainda por cima, o futebol da Selecção nos entusiasme e faça esquecer três fins-de-semana sem futebol a sério, a doer.

2- Outra coisa que venho seguindo, esta sim, sem sombra de interesse, são as eleições para a Federação. Estou tão desactualizado e desinteressado no assunto que vejam lá que nem sequer ainda estou convencido que Gilberto Madail se vá mesmo embora. De resto, não percebi nem me interessa porque razão o Sporting recusou apoiar a candidatura de um seu ex-presidente, nem o porquê de os clubes de Lisboa preferirem um portista e o FC Porto não. A única coisa que vagamente entendo é que há grandes jogadas subterrâneas que têm como objectivo principal colocar peões de confiança nas importantes Comissões de Arbitragem e de Disciplina. Basta ler os benfiquistas aqui do jornal e os seus alertas de que o FC Porto se está a mexer, para perceber que se estão todos a mexer, mas só o FC Porto é que não o pode fazer. Se a arbitragem for parar a um sportánguista (como já está), fica tudo normal — embora, obviamente, isso não acalme a eterna ladainha dos sportinguistas contra as arbitragens. E se a disciplina for parar a um benfiquista, como nos saudosos e decisivos tempos (em termos de resultados práticos) do Dr. Costa, isso será normal e recomendável.

Ou seja e presumindo: fica um portista com a presidência da Federação, um sportinguista com a arbitragem e um benfiquista com a disciplina. E todos satisfeitos? Bem, duvido que os portistas fiquem lá muito. É que sempre ouvi dizer aos jornalistas de Lisboa que o que interessa é dominar a arbitragem e a disciplina...

3- Falando de sportinguistas e de arbitragens, vi há dias, durante o Sporting-Lazio, uma cena que diz tudo sobre a mentalidade daquela boa gente de Alvalade. Algures durante a primeira parte, um jogador dos leões falhou um passe e chutou a bola contra o árbitro; a bola mudou de direcção e acabou nos pés de um italiano... e Alvalade desatou a assobiar o árbitro! Nada que me tenha admirado, porém: uma vez, durante um Sporting-Porto, assisti cm Alvalade a uma cena que até me deu vontade de rir. Aos 5 minutos de jogo, há um lançamento lateral a meio-campo, a minha frente; o juiz-de-linha diz que é do Sporting, mas o árbitro (e com razão), corrige e diz que é do Porto; acto continuo, a bancada desata aos gritos; «Gatuno! Gatuno!» Aos 5 minutos e por causa de um lançamento lateral! Os sportinguistas são assim, nada os convencerá nunca de que não há uma conspiração global de árbitros contra eles. E escrevem, convictos, que só náo lideram o campeonato porque foram roubados nas três primeiras jornadas — como se isso fosse uma verdade que já nem merece discussão e como se ninguém se lembrasse do futebol paupérrimo que o Sporting exibia nessa altura. Por estas e por outras, é que tenho pena quando se interrompe o futebol a sério! Já nem há matéria para discussão, sem aqueles palpitantes programas televisivos em que se gastam 40 minutos a passar 40 vezes as imagens de uma jogada ao ralenti, para provar que a bola raspou no antebraço ou no cotovelo de um defesa e o malandro do árbitro não marcou penalty. Ah, como sobreviver sem o futebol a sério?

4- Na semana que vem, vou ver se arranjo tempo para ir a Pêro Pinheiro, para finalmente ter uma oportunidade de espreitar o Iturbe, que Vítor Pereira guarda fechado a sete chaves, enquanto, para nos fazer desesperar ainda mais, nos vai dando doses intensas do Cristian Rodriguez. Felizmente, como o Rio Ave é um clube pobre e não pode desprezar nem o que é emprestado, já tenho visto jogar outros dois jovens portistas de quem se anuncia um futuro radioso: Christian e Kelvin. E tenho gostado bastante do que tenho visto.

quinta-feira, novembro 15, 2012

QUASE ESTALINEGRADO (04 OUTUBRO 2011)

1- Em S. Petersburgo, Vítor Pereira esteve a um passo de viver o seu Estalinegrado. Se em lugar de perder por 3-1, tem perdido por 4-1 ou 5-1, como esteve à beira de acontecer, se o próximo jogo não fosse um desafio caseiro contra o modesto Apoel, se, quatro dias depois do desastre russo, o talento de Hulk e James não tivesse resolvido com facilidade o obstáculo de Coimbra, conseguindo um resultado bem melhor que a exibição, Vítor Pereira estaria condenado à mesma sorte do general Von Paulus, depois de ter visto as suas panxerdivisionen exterminadas no cerco de Estalinegrado. E talvez a sorte da guerra, que então começou a mudar para o Reich na antiga Estalinegrado. começasse também agora a mudar para o FC Porto, na rebaptizada S. Petersburgo.

Creio que terei sido o primeiro a chamar a atenção para o facto de o actual treinador do FC Porto vir dando mostras crescentes de sempre falhar todas e cada uma das alterações que promove ao longo dos jogos. Mas, contra o Zenit, isso foi de tal maneira gritante que não houve quem não tivesse visto — e o mundo inteiro não pode estar errado e ele certo. A decisão de manter em jogo um destrambelhado Fucile (como já o havia feito contra o Benfica), mesmo depois de um amarelo bem cedo, foi fatal. A decisão de tirar o James ao intervalo, mantendo em jogo o Varela, que só joga a sério um em cada três jogos, foi inexplicável sob qualquer ponto de vista. E a decisão de tirar o Fernando do apoio ao centro da defesa, abrindo uma Scut ao ataque do Zenit é digna de ser estudada nos cursos de Verão para treinadores, como exemplo de uma alteração desastrada de quem só podia estar a ver outro jogo, que não aquele.

Mas, enfim, agora não vale a pena chorar sobre o leite derramado. E Vítor Pereira não é caso único: vi, por exemplo, a segunda parte do Braga-Club Brugge e constatei como um treinador muito elogiado, Leonardo Jardim, depois de se ter visto a vencer por 1-0, mexeu na equipa de tal maneira que ela se perdeu por completo e acabou a consentir uma reviravolta justíssima. Erros todos cometem, embora alguns - como ter ao dispor um portento como o James Rodriguez e preferir o Varela - se tornem difíceis de entender. Como difícil de entender é o défice físico desta equipa, quando comparada com a da temporada passada. Ou aquilo que parece ser alguma desmotivação de jogadores que antes eram capazes de comer a bola e o adversário. Ou entender como é que se planearam as contratações para a época de forma a que só se tenha podido inscrever 21 jogadores na fase de grupos da Champions e apenas um ponta de lança. São demasiadas perplexidades juntas, ao longo de um desempenho de dez jogos oficiais em que apenas um (contra o Vitória de Setúbal, em casa), fez recordar o FC Porto que varreu o campeonato anterior.

2- A SAD do FC Porto lá se viu obrigada a renegociar o contrato com Alvaro Pereira, aumentando a sua duração por mais um ano, mantendo o valor da cláusula de rescisão em 30 milhões e, obviamente, aumentando-lhe o vencimento. E viu-se obrigada a fazê-lo porque se tornou evidente que, frustrado por o clube não ter aberto mão da totalidade da cláusula de rescisão, facilitando-lhe a sua saída para o Chelsca, o jogador andava a jogar a meio gás e meio-talento. Tenho a maior admiração pelo jogador Álvaro Pereira pelo seu valor e pela sua entrega ao jogo. Já escrevi várias vezes que, na equipa de Villas Boas, ele fazia parte de um póquer de jogadores preciosos, de que os outros três eram Falcão, Hulk e James Rodriguez. Inevitavelmente, estamos condenados a vê-los sair, um a um, porque o seu valor de mercado ultrapassa o valor salarial que o clube lhes pode pagar. Mas, mesmo que a única coisa que acaba por os mover seja o dinheiro (como sucedeu com Falcão, que preferiu ir disputar o 5º ou 6ª lugar do campeonato espanhol, a troco de uma fortuna), ao menos que saiam pelo valor mutuamente acordado na cláusula de rescisão.

Ora, é aqui que eu começo a perder o respeito pelos jogadores - não o respeito como atletas, mas como profissionais. Volto a dizer que a única coisa que distingue estes privilegiados do comum dos mortais é o talento para dar pontapés e cabeçadas numa bola de futebol. E, por favor, compreendam que há muitos outros talentos bem mais difíceis, trabalhosos e úteis às sociedades e bem mais dignos de admiração. Mas que, ao contrário deles, não ganham fortunas pornográficas, pagam impostos a sério e não a fingir, descontam normalmente para a segurança social, trabalham dez a doze horas por dia e não apenas duas num treino matinal, e, quando assinam contratos de trabalho, são para valer. Mas as prima-donas do futebol não são assim. Quando chegam aos clubes de topo portugueses, senão declaram logo que se trata de «um trampolim para mais altos voos» (como fez o Bruno César ao chegar ao Benfica) vêm muito contentes por serem resgatados de um relativo ou total anónimato e darem logo o «salto» que lhes permite, aos vinte anos de idade, ganhar salários mensais entre 15 e 25 mil euros. Nessa altura é tudo rosas e eles e os seus agentes assinam, sem hesitação, as cláusulas de rescisão que o clube lhes propõe. Mas, depois tudo muda, no espaço de um a dois anos. Se começam a dar nas vistas, exigem logo aumento de salário, ainda nem o contrato vai a meio, e, se porventura aparece um dos tubarões da Europa a querer comprá-los e obviamente a pretender baixar a cláusula de rescisão, ficam contrariados e revoltados se o clube não lhes faz a vontade e os vende abaixo da cláusula. E, então, para evitar que os meninos fiquem a jogar com má cara, não resta ao clube que os projectou no futebol e que, com a toda a legitimidade não quer abrir mão deles a meio do contrato, outra alternativa a que não voltar a aumentar-lhes o ordenado. Mas, também pode suceder o contrário: pode suceder que o investimento do clube se revele um fiasco, que o jogador que tanto parecia prometer, afinal não o confirmou. Nesse caso. o que eles fazem é ficar no clube, mesmo sem jogar nunca, até ao último dia do contrato, recusando todas as propôstas de venda que impliquem uma redução dos seus milionários vencimentos: não se importam nada de serem um peso morto, nem sequer de perderem anos das suas carreiras sem fazer aquilo que é suposto gostarem mais do que tudo. Mas, perder dinheiro, para voltar a jogar, isso é que não!

Estou convencido que um dia isto muda, porque o futebol não sobreviverá eternamente com clubes arruinados a sustentar estas vedetas insaciáveis. Mas, até lá, parece que não há volta a dar. Pois assim seja, mas não venham é falar-me de amor à camisola e outras mentiras que tais, porque isso é conversa de outro campeonato onde eles não entram.

3- A caminho do Sul, parei num restaurante para jantar e vi uma hora do Setúbal-Rio Ave. Fiquei impressionado, quase revoltado: poucas vezes vi um resultado tão mentiroso e tão injusto como a vitória do Vitória por 2-1. Já contra o Sporting, o Rio Ave tinha sido derrotado apenas e só porque um gigante americano chegou com a cabeça onde nenhum ser humano normal consegue chegar e ganhou o jogo para o Sporting. Há muitos anos que sinto simpatia e admiração pelo trabalho de Carlos Brito e por vezes até me tenho interrogado o que não faria ele no FC Porto, por exemplo. A verdade e que nunca teve uma oportunidade para treinar grandes jogadores num clube com todas as condições. E merecia-o: as suas equipas nunca jogam à toa, o seu futebol é tão bonito e corajoso quanto possível e ele é sempre um cavalheiro a falar. Ninguém merece menos o último lugar do que este Rio Ave de Carlos Brito.

sábado, outubro 20, 2012

AFINAL, JÁ NÃO SEI… (20 SETEMBRO 2011)

1- Contrariando as opiniões gerais, acho que tanto o FC Porto como o Benfica poderiam e deveriam ter feito melhor do que fizeram no primeiro jogo da Liga dos Campeões.

O FC Porto é verdade que teve um inicio de jogo de um azar incrível e que foi capaz de dar a volta ao texto e contrariar a fortuna. Mas, depois de se ter visto a jogar uma hora contra dez e quinze minutos contra nove, é difícil compreender o excesso de cautelas de que deu mostras. Eu sei muito bem como é importante entrar na Champions com uma vitória - mais ainda se o treinador é completamente neófito nestas andanças. Mas na Champions não se pode jogar com medo, porque não compensa: não compensa contra os grandes nem contra os outros. Em superioridade numérica tanto tempo, o FC Porto deveria ter ido à procura do terceiro golo, sabendo que o primeiro lugar do grupo pode muito bem vir a ser decidido pela diferença de golos. E ser primeiro ou segundo no grupo é completamente diverso: ser segundo é quase uma sentença de morte a seguir, às mãos dos tubarões europeus. De tal forma que nem sei se não é melhor ser terceiro do que segundo, e seguir pela Liga Furopa, como aconteceu com Braga e Benfica na edição passada.

Mas, como disse, o que se viu foi um FC Porto com medo da própria sombra, preguiçoso e desinspirado, que ficou a dever a vitória exclusivamente a dois rasgos individuais de Hulk e James (quem mais poderia ser?).

Já os benfiquistas, que acham que fizeram um jogo fantástico, ficam muito amofados se lhes dizem que jogaram contra a reserva do Manchester. Mas, quem viu o Manchester-Chclsea, sabe que foi praticamente o que sucedeu, com Ferguson a vir à I.uz jogar para o empate, garantido pelo terceiro guarda-redes e pelos pés do veterano Giggs.

O Benfica deveria ter aproveitado a oportunidade para tentar baralhar as contas pelo primeiro lugar. Para mais, sabendo que o segundo é quase garantido pelo sorteio, deveria ter jogado para vencer, o que não fez. Embalados pela arbitragem de Duarte Gomes e pelas «minudências» (como lhes chamou o Fernando Guerra) dos três supostos penalties de mão na bola contra o Guimarães, também apostaram mais nessa táctica do que em tentar ganhar o jogo pelas vias normais. Por ironia das coisas, valeu-lhes o critério de um árbitro da Champions não ser igual ao de Duarte Gomes, quando uma bola centrada para a sua área foi de encontro ao braço de um defesa benfiquista - e nem os ingleses tugiram, nem o árbitro mugiu. O futebol a sério é bem mais sério!

2- Cinco dias depois da exibição pífia contra o Shakhtar, o FC Porto foi a Aveiro assinar uma exibição miserável contra o Feirense. Sem desculpas: o campo era neutro, o relvado de dimensões máximas e em bom estado, o tempo magnífíco, o adversário um primodivisionário com uma equipa só de portugueses e um orçamento de 2 milhões, contra os 95 milhões do orçamento do Porto. E o que se viu dá que pensar.

Primeiro que tudo, dá que pensar que o Porto sem o Hulk, praticamente não exista, ofensivamente. Mas, com o Hulk na equipa, qualquer um faz figura. O que precisamos é de ter uma alternativa, quando, como é o caso, ele fica na enfermaria, vítima da pancada que leva em todos os jogos.

Depois, dá que pensar que um treinador de futebol não entenda coisas óbvias, como o facto de o Sousa ser muito melhor jogador que o Fernando (o que não veio ao caso), ou de o Cristian Rodriguez ser uma aposta garantidamente sem retorno - em termos de custo/benefício é talvez a pior aquisição da última década. Tam-bem me custa a entender como é que, com tantos extremos-esquerdos adquiridos, emprestados, dispensados ou disponíveis nos últimos tempos, ninguém achou necessário ter um - apenas um! - extremo-direito. Não há um extremo direito no FC Porto: há esquerdinos adaptados à direita, dos quais só o Hulk funciona, porque é um génio. E também não entendo, a não ser por masoquismo, que, faltando o Hulk ou o James, não haja nada de melhor para meter em jogo do que o Cristian Rodriguéz. E, finalmente, não entendo que um treinador, depois de passar toda uma parte a ver o Cristian a perder todos e cada um dos lances em que intervinha, sem velocidade para a ponta e a refugiar-se no meio só para atrapalhar, precise ainda de mais 25 minutos da segunda parte para, enfim, o mandar a caminho do merecido descanso.

Até agora, não me pronunciei sobre Vítor Pereira. Compreendo que, na situação de emergência absoluta causada pela deserção de Vilas Boas, Pinto da Costa se tenha voltado para o que estava mais à mâo. Não questiono a escolha, mas é evidente que o seu valor tem ainda de ser demonstrado, e só há um local onde isso se pode fazer, no terreno de jogo. Constato que, dando continuidade a uma tendência que pode ser apenas fruto do azar, em Aveiro, ele falhou, uma por uma, todas as substituições. Primeiro, demorou tempo de mais a fazê- las - e sempre me custou entender por que razão um treinador, ao ver que a sua equipa não está a funcionar e que há jogadores que só estão a atrapalhar, precisa de esperar uma hora inteira para reagir. Já aqui escrevi que uma das coisas que eu gostava no António Oliveira, quando ele treinava o FC Porto, é que não se ensaiava nada para começar as substituições aos 20 minutos de jogo, quando via que a equipa tinha entrado mal: e mudava sempre para melhor. Já o Vítor Pereira passou uma hora do jogo de Aveiro a ver aquela tristeza e desinspiração e a única coisa que fazia era trocar ideias com o adjunto e tirar apontamentos (não pode fazê-lo depois, com o vídeo? De que lhe serve tirar apontamentos no decorrer do jogo, a não ser para se distrair e passar por moderno?). E, enquanto ele congeminava e escrevinhava, a equipa ia desperdiçando tempo precioso, acumulando asneiras sobre asneiras, sem uma única ideia inteligente ao serviço do jogo.

Ao intervalo, resolveu-se, enfim, a fazer qualquer coisa, mas essa coisa qualquer coisa foi tirar o único ponta-de-lança (que não estava a jogar nada, é facto), mas que assim deve ter ficado motivadíssimo para futuro. E, em lugar de substituir o Kleber pelo Walter, ponta-de-lança por ponta-de-lança, resolveu também arrasar com a confiança do Walter, preferindo o Varela e ficando com um ataque composto por... três extremos-esquerdos! Mudou outra vez e finalmente libertou a equipa do peso morto do Cristian Rodriguez, mas, quando se espe- rava o ponta-de-lança que gritantemente faltava naquela confusão ofensiva...meteu um médio! E, já em desespero, tirou o defesa direito e meteu... outro ponta-esquerda, que foi jogar... a defesa direito!

Meu caro Vítor Pereira: eu espero sinceramente - por si, mas sobretudo por nós - que você se saia bem desta dificílima empreitada que lhe veio parar às maos. Talvez você gostasse, e precisasse, de ter tido mais tempo até chegar onde chegou: nada mais humano. Mas, às vezes, não há como fugir - o momento faz (ou desfaz) o ho- mem. Se não fugiu à responsabilidade, não desperdice o momento, procurando uma paz e um tempo que, aqui, não vai encontrar nunca. Não pode ficar apenas sentado, a tirar apontamentos, à espera que as coisas aconteçam: tem de ir atrás do destino, sem medo de falhar, como fez o André. Ideias claras e coragem: não pode fugir disto. É o que espero de si para o jogo com o Benfica (onde e como prémio ao antijogo do Rabiola e à precipitação de um árbitro, vamos estar privados do James).

3- Dizem os sportinguistas que tudo lhes acontece - erros de arbitragem, azares de jogo, etc. Não é verdade: acontece a todos, mas eles só reparam quando lhes convém. Por acaso aconteceu ao Sporting, como ao FC Porto, terem rematado oito bolas aos postes nos últimos três jogos? Não, o que lhes aconteceu foi terem levado com dois remates do Zurique aos postes. Dizia o Eduardo Barroso que esse jogo ia ser fácil porque não haveria um árbitro a julgar mal um atraso ao guarda redes, como julgou o árbitro de Paços de Ferreira, segundo eles. E não é que sucedeu exactamente o mesmo, com um árbitro internacional a marcar também livre, numa jogada idêntica? Será uma conspiração internacional contra o Sporting ou será antes que o Rui Patrício tem de ser proibido de não agarrar bolas atrasadas pelos defesas, que não o sejam com a cabeça ou o peito? Por que razão tudo o que de mal acontece ao Sporting nunca é responsabilidade do Sporting?

sexta-feira, outubro 19, 2012

QUEREM FALAR DE “PENALTIES”? (13 SETEMBRO 2011)

1- Por um excelente e irónico motivo - o casamento de uma amiga minha com um amigo que é administrador da SAD do Benfica - tive de seguir o FC Porto-Vitória de Setúbal através de sms, lidos à socapa, na mesa do jantar. No final, interpelado sobre o resultado por um dos ilustres benfiquistas ali presentes, respondi que tínhamos ganho 3-0. Ele perguntou "e quantos penalties?", e eu respondi que, segundo as minhas informações, tinham sido três magníficos golos e todos de bola corrida - o que, a juntar aos outros cinco facturados em Leiria, quatro dias atrás, fazia oito golos consecutivos no campeonato de bola corrida. Nem de penalty, nem de livre, nem de canto, nem sequer de lançamento lateral - esse lance de ataque que o Benfica tanto treina e pratica, sem que os treinadores adversários se lembrem de mandar colocar um jogador sobre a linha lateral, em frente ao local do lançamento.

Longe estávamos nós os dois de imaginar que, no dia seguinte e à conta dos penalties, o Benfica voltaria a figurar no Guiness Book of Records. Não porque tenha visto um árbitro conceder-lhe dois penalties em dois minutos, ou três penalties em quinze minutos, ou até por ter um treinador que, depois de tanta festança, ainda teve a ingratidão de reclamar mais um - seriam quatro em vinte minutos de jogo. Não, o Benfica entrou para o Guiness porque conseguiu ter meia parte de um jogo em que só rematou três vezes à baliza e as três da marca de penalty!

O primeiro penalty, compreendo muito bem que um árbitro português o marque, sobretudo no Estádio da Luz e a favor do Benfica. Mas um árbitro internacional provavelmente não o marcaria: não se deixaria levar pela premeditação com que o Saviola fez tudo, adiantando-se ao defesa, travando para sofrer o encosto dele, ati- rando-se para a frente para parecer empurrado voluntariamente, e assim transformando em penalty uma bola perdida. O penalty "extra", que Jorge Jesus teve o mau gosto de reclamar, foi um remate à queima roupa que roçou a mão de um adversário, que não conseguiu amputá-la a tempo; o segundo assinalado por Duarte Gomes, foi uma bomba que acertou no peito de um vimaranense, que nem se mexeu, a não ser para cair derru- bado pela violência do tiro; e o terceiro assinalado foi uma anedota: um remate a meio metro de distância que acertou na cabeça do infeliz N'Diaye.

Não é inocentemente que em Portugal se caiu na total deturpação da lei do penalty, acabando-se a marcar muito mais penalties por suposta mão na bola do que pelos outros motivos bem mais frequentes: empurrões, pontapés, rasteiras, cotoveladas no momento do salto (o penalty assinalado contra o Braga foi outra anedota). Há treinadores que instruem os jogadores a procurar cruzar ou rematar contra o corpo dos adversários, propositadamente para ver se conseguem que a bola lhes acerte na fatal mão ou braço; há equipas que jogam deliberadamente à procura disto; há um público de adeptos acríticos e a quem interessa tudo menos a qualidade do jogo, que já estão mobilizados para desatar aos gritos de cada vez que algum defesa adversário corta a bola sem ser com o pé ou a cabeça, e há comentadores que, inocentemente ou nem tanto, fingem esquecer a regra essencial: não há penalty quando a bola acerta no braço ou na mão, mas quando o braço ou a mão acertam na bola. De contrário, os únicos defesas seguros seriam os manetas, amputados de ambos os braços pelo ombro. Infelizmente, esta batota - ensaiada, treinada, consentida pelos árbitros estimulada pelo público - estraga jogos, deturpa resultados e até pode dar campeonatos (foi assim que o Benfica, de Trapat- toni, chegou a campeão, com o Simão Sabrosa tornado especialista em cruzar e rematar contra os braços dos adversários). Pessoalmente, acho esta "'táctica" uma forma de batota cobarde, que revela fraqueza de quem a ensaia, pratica, arbitra e apoia nas bancadas.

E assim, já lá vão quatro jornadas do campeonato e, em três delas, o Benfica deve os resultados a, digamos, "erros de arbitragem". Se as minhas contas estão certas, caíram-lhe do céu tantos pontos quantos os que lhe caíram do relvado: cinco. Agora é que eu gostava de ver os dirigentes do Sporting a protestaram indignados!

2- Pois eu lá assisti, penosamente, à morte lenta do Sporting em Paços de Ferreira, seguida da ressurreição súbita. Devo, todavia, confessar que acho as noticias da súbita prova de vida do Sporting manifestamente exageradas. A mim parece-me que a morte foi apenas adiada por um milagre que não se repetirá muitas vezes.

Eu sei que jogar naquele terreno (um dos quintais onde a Liga permite que se jogue qualquer coisa vagamente parecida com futebol), não ajuda as melhores equipes. O problema é que eu não sei, no caso, quem será a melhor equipe: se o Sporting, se o Paços. Lamento se isto soa ofensivo aos sportinguistas e, pela minha saúde, juro que não é essa a minha intenção. Apenas acho que, se me pagam para dar a minha opinião, é a minha opinião que tenho de dar. Por exemplo: eu posso achar que o Benfica tem sido, como dizer, "amparado", pelos árbitros, neste arranque de campeonato. Mas, em todos os jogos que beneficiou de favores de arbitragem, mereceu ganhar. Jogue bem ou mal, ganhe com penalties imaginados ou lançamentos laterais, vê-se que o Benfica tem jogo e jogadores. E o Sporting, não: nem uma coisa nem outra. Em jogo jogado, chega a ser confrangedor, e, no que respeita às 16 novas aquisições, onde investiu 30 milhões de euros, tirando o Jéffren, que ainda não vi jogar, e o Elias, que preciso de ver mais... valha nos Deus! Se aquilo é «a grande equipa» de que fala Godinho Lopes, eu só posso dizer que se confirma a minha tese de que, para dirigir um clube de futebol, convém que se perceba alguma coisa de futebol - da mesma maneira que, para dirigir uma imobiliária, convém perceber alguma coisa de terrenos, construção e mercados. Talvez seja por isso que, Pinto da Costa (que não deve distinguir uma estaca de uma sapata), ganha tantas vezes mais do que os outros...

Em minha modesta opinião (que, repito, pretende tudo menos ofender quem quer que seja), este novo Sporting é, quanto muito, candidato a bater-se por um lugar na l.iga Europa do ano que vem. E também penso que, em lugar de jogar a cave num autocarro de jogadores estrangeiros sem valor demonstrado, teria sido mais prudente começar por comprar este ano apenas três ou quatro, mas daqueles que fazem verdadeiramente a diferença e entrariam de caras na equipa, melhorando-a logo. E para o ano voltariam a comprar outros dois ou três de categoria indiscutível e o mesmo no ano seguinte: daqui a três anos, gastando menos, escolhendo bem melhor e integrando os novos aos poucos, o Sporting teria, de facto, formado uma equipa e poderia, talvez, lutar pelo título. Assim, é de temer que se limite a lutar pela simples sobrevivência. Desportiva e financeira.

3- Na terça feira passada, na antevisão ao Leiria-Porto, um desses jornalistas embbeded no FC. Porto, que seguem todo o dia-a-dia do clube e que é suposto estarem melhor informados do que qualquer mortal cidadão, garantia que a grande estrela em ascensão no Dragão era o Cristian Rodriguez, e que o FC Porto iria jogar em Leiria com ele e Hulk nos flancos, ou, na impossibilidade de Hulk alinhar, jogariam Varela e Rodriguez. E eu perguntei-me: então e o James, esse menino que integrava o fenomenal póquer de ases de Vilas Boas (Álvaro, Falcão, Hulk e James)? Será que o jornalista acha que o Vitor Pereira é cego ou incompetente? Felizmente, não é, como se viu. James Rodriguez só não é o melhor jogador do campeonato por que existe também o Hulk. Mas vai ser rapidamente um dos melhores jogadores do mundo, porque tem tudo para isso. Com o regresso dele e do Alvaro Pereira, tivemos de volta a decisiva asa esquerda do grande FC Porto da época passada. O Deffour também deixou grandes sinais e ainda falta ver o Iturbe e o Danilo. Cheira-me a outra grande época. E espero que já esta noite, contra a dificílima equipa ucraniano-brasileira do Shakhtar, o cheiro a fumo se transforme em labareda. O Shaklar é a chave do grupo - um grupo incomparavelmente mais difícil e cansativo que aquele que saiu em sorte ao Benfica. Mas o caminho dos campeões é sempre mais complicado.

quinta-feira, outubro 18, 2012

O FUTEBOL PORTUGUÊS AINDA EXISTIRÁ? (06 SETEMBRO 2011)

1- O mais português de todos os clubes profissionais de futebol é o Cluj, da Roménia. Nele jogam quinze futebolistas portugueses, treinados por um outro português. Quanto mais não fosse por curiosidade, para nos voltarmos a lembrar o que é um clube português, o Cluj deveria ser convidado de honra para disputar a Liga portuguesa.

O ultimo português a juntar-se ao Cluj foi o jovem Mateus Fonseca, que assinou contrato por cinco anos, tendo saído directamente da academia leonina de Alcochete, onde entrara aos nove anos de idade. Ele foi o último de um lote de treze jogadores portugueses, jovens e menos jovens, que o Sporting dispensou esta epoca, incluindo os titulares Yannick c Hélder Postiga, vendidos a preço de saldo. Em contrapartida, e apesar da tão louvada Academia de Alcochete, o clube gastou trinta milhões de euros a comprar dezasseis jogadores estrangeiros. Juntos, Benfica, Sporting e Porto gastaram cem milhões a reforçarem-se com 34 novos jogadores, dos quais nem um só é português! É notável, se não se considerar antes que é criminoso.

Há cinco jogos consecutivos, pelo menos, que o glorioso Sport Lisboa e Benfica entra em campo sem um único jogador português. Foi assim que assegurou a entrada na fase de grupos da Champions e foi assim que, dizem-nos, conseguiu assegurar ter de volta o grande futebol. Parece que o grande futebol só é possível sem portugueses em campo e é decerto um absurdo que os sub-20 se tenham tornado vice-campeões do mundo e que a FIFA considere Portugal a 8ª Selecção do mundo. Vistos de fora, os nossos jogadores são óptimos; vistos de dentro, são inúteis.

Já o meu querido FC Porto, que na temporada passada tinha arrumado sumariamente promessas como Hélder Barbosa, Rabiola, Candeias ou Nuno André Coelho, este ano começou logo por dispensar os campeões nacionais de juniores que atingiram o limite de idade na categoria (ao mesmo tempo que comprava meia dúzia de miúdos estrangeiros da mesma idade), e a seguir livrou-se por venda, dispensa ou empréstimo, de mais uma serie de portugueses: Ukra, Castro, Sereno, Orlando Sã, Rúben Micael, Miguel Lopes, Rui Pedro, Sérgio Oliveira e Beto. Todos descartáveis. O tão apregoado projecto Dragon Force, que visava, como em qualquer clube verdadeiramente grande, fazer passar todas as épocas um ou dois jogadores para a equipa principal, está morto e enterrado por evidente falia de interesse da direcção do clube.

As escolas do FC Porto, que este ano ganharam dois títulos de campeões nacionais entre as três categorias etárias existentes, estão a formar campeões e a gastar dinheiro para nada: os dirigentes preferem, às vezes até sem olhar, ir buscar lá fora todos os jovens que os empresários lhes garantem ser apostas de futuro. A consequência desta politica seguida até ao absurdo está já à vista na Liga dos Campeões, onde o clube apenas pode inscrever 21 jogadores, e não os 25 da ordem, porque a tal está limitado pelas regras da UEFA e visto que apenas tem 4 portugueses no plantel e nenhum jogador formado nas suas escolas! Forçado, por exemplo, a deixar de fora a mais falada promessa de todas — o argentino Iturbe - o FC Porto vai ter de disputar uma sé- rie de seis jogos ao mais alto nível competitivo com apenas 21 jogadores. E basta imaginar três deles lesionados e dois castigados (o que será banal), para concluir que poderá haver jogos em que Vítor Pereira apenas disponha de 15 jogadores de campo! Para jogar a Champions, a competição em que tudo se aposta, este ano...

Por outro lado. tanto no FC Porto como no Benfica, e menos no Sporting, o constante recurso a jogadores oriundos da America do Sul, faz com que eles, ao serviço das suas selecções principais ou das dos escalões etários mais baixos, passem a época em desgastantes viagens jogos intercontinentais.

No FC Porto, o exemplo extremo é o de Hulk, escalado para o Brasil-Gana de ontem à noite e também para o Leiria-Porto de hoje à noite. Mas há outros casos de jogadores que só fizeram parte da pré-época e chegaram com a época a decorrer, como James, outros que não fizeram pré-época alguma, como o Iturbe, que esteve a jogar o Mundial de sub-20 e está seleccionado para os Pan-Americanos em Outubro, e outro, o Danilo, que só chegará em Janeiro. Aliás, virá o dia em que os jogadores de selecção sul-americanos, para defenderem as próprias carreiras na Europa, se revoltarão contra o excesso de jogos amigáveis e de competição a que sào sujeitos pelas selecções dos seus países.

Que sentido faz investir num jogador como o Iturbe, mesmo anunciado como novo Messi, se está ausente três semanas ao serviço do seu pais, falhando a decisiva pré-temporada onde se conhecem companheiros, clube, treinador e métodos de trabalho e jogo, e, depois de vir finalmente passar um mês ao clube, logo volta a partir para mais três semanas ao serviço do seu pais, falhando a Liga dos Campeões e a Liga portuguesa — e sempre com o FC Porto a pagar-lhe? Se os dirigentes dessas Federações não abdicam de ter uma vida de luxo, financiada pelos jogos das novas competições que estão sempre a inventar e, na sua falta, pelos jogos de preparação no Extremo Oriente, enquanto os clubes que pagam aos jogadores se vêm privados deles em momentos decisivos, não seria mais inteligente apostar antes mais na prata da casa e menos nesses craques planetários?

2- Não sei se haverá relação entre uma coisa e outra, mas o facto é que, com raras excepções, o futebol da nossa Selecção aborrece-me de morte. Seja com Paulo Bento, com Queiroz e antes com Scolari, não consigo entender como é que formando uma equipa só com jogadores super (tanto que jogam quase todos lá fora), o futebol que eles jogam nem sequer tenha identidade própria. Tanto podemos jogar bem, como mal, tanto podemos ganhar contra boas equipas como sofrer impensadamente contra equipas de terceira. Assim foi mais uma vez, contra dez jogadores do Chipre e um árbitro amigo a jogar por nós. Se quisermos estar na fase final do Europeu, vamos ter de fazer bem melhor no último e decisivo jogo em Copenhaga.

3- O campeonato espanhol abriu com uma semana de atraso devido à greve dos jogadores. Em causa estavam cinco milhões de euros de dívidas dos clubes pequenos a alguns jogadores e foi bonito ver Casillas a liderar a contestação em apoio a colegas menos afortunados. Porém, o cerne da questão é outro, que os jogadores não querem enfrentar: com a repartição desequilibrada dos dinheiros da televisão, o campeonato espanhol é cada vez mais um duelo e, para tentarem dar luta, há outros clubes que se endividam para além das possibilidades, a pagar o que não têm a jogadores que tudo têm.

Em Itália, os jogadores também ameaçaram com greve porque entendem que o novo imposto extraordinário aprovado pelo governo de Berlusconi - para, também, ele, sossegar os mercados e enfrentar a críse - não lhes deve ser aplicado. Ou seja: eles, que são os mais bem pagos entre os mais bem pagos, querem receber tudo sem pagar um euro de imposto e ainda beneficiarem de um sistema excepcional de segurança social, pago com os impostos dos outros. É, aliás, absolutamente incompreensível que os portugueses, por exemplo, achem muito bem que o governo leve 60% do produto do trabalho de um casal de ricos, que ganha em conjunto 153 000 euros por ano, mas ninguém se incomoda que se paguem ordenados mensais de 153 000 euros a um só jogador e que ele não pague impostos alguns. E, afinal, o que tem a mais um profissional de futebol do que, por exemplo, um médico que salva vidas alheias? O profissional de futebol tem jeito para dar chutos numa bola, e preocupa-se essencialmente com três coisas: ganhar cada vez mais, seja no clube onde está ou noutro para o qual exige partir a meio do contrato; fazer mais tatuagens e inventar um penteado em que ainda ninguém tinha pensado.

quarta-feira, outubro 17, 2012

UMA NOITE EM MONTE CARLO (30 AGOSTO 2011)


1- Da noite em Monte Carlo retive várias impressões:

a) Que o FC Porto vai na terceira derrota consecutiva em quatro finais da Supertaça Europeia - ou três vitórias morais, para quem as prefere. Estar ali, na final de Monte Carlo, já é uma honra e uma oportunidade rara, que se conquista por mérito próprio. Mas daí até ser o crónico saco de porrada do outro finalista, vai uma diferença.

b) O Barcelona actual é, talvez, a melhor equipa de todos os tempos e Lionel Messi o melhor jogador de sempre. Como se tem visto, é virtualmente imbatível e, como diz José Mourinho, ganha ganna quando joga bem e ganha quando joga mal. São assim os campeões: só de os ver entrar em campo, o adversário já está a tremer. Mas, para isso, não se jogam finais. Aos 40 segundos de jogo, já o comentador da Sport TV estava a dizer que o FC Porto estava a jogar muito bem, porque não estava todo encolhido atrás. É ponto de vista, não é o meu. Quando se joga apenas para retardar o golo do adversário, ele aparece sempre e normalmente da pior maneira e na pior altura.

c) Outra opinião é a realístia: jogasse como jogasse, jamais o FC Porto conseguiria bater o Barcelona, porque as coisas são como são. Muito provavelmente, é verdade, mas aconteceu que na noite de Monte Carlo, o FC Porto dispôs de um aliado de peso: o miserável estado do terreno, que, como se sabe, prejudica sempre mais quem melhor joga. O jogo de rabia em movimento constante que o Barcelona pratica precisa de um relvado que seja um pano de bilhar, onde os passos milimétricos do seu trio infernal (Xavi, Iniesta, Messi), não sejam atraiçoados por ressaltos e buracos do relvado. Com esse handicap, o Barcelona não conseguiu jogar bem: apenas conseguiu ganhar.

d) Sim, houve um penalty perdoado ao Barça e um golo oferecido pelo Guarin (que péssima exibição, coroada com uma expulsão muito feia!). Mas, ambas as coisas já são habituais nos grandes jogos internacionais do FC Porto (lembro o passe do Bruno Alves a isolar o Rooney, em Manchester, que custou uma passagem às meias finais da Champlons). Uma das coisas que caracterizam as verdadeiras equipas de top é que erros desses não se cometem em jogos destes.

e) Mas não foi por isso que o FC Porto perdeu. O penally, se assinalado, talvez nos tivesse levado a prolongamento - onde eu acho que seríamos dizimados. Perdemos, porque, por melhor que tenhamos resistido até ao hara-kiri de Guarín, em nenhum momento o FC Porto deu a ideia de poder ganhar o jogo. De ter a força física e moral e a coragem para tal.

f) A estratégia montada por Vítor Pereira - de pressão alta e saída constante ao portador da bola para conseguir curto-circuitar o tiki-taka - já tinha sido experimentada por Mourinho e igualmente sem sucesso. Mas, até ver, é a única que pode abalar aquele carrossel implacável. Porém, depende de uma coisa: uma fabulosa preparação física, que consiga manter os jogadores durante 90 minutos a correr atrás da bola, tentando furar a rabia do Barça. Ora, se há coisa que se nota neste FC Porto de princípio de época, em comparação com o de Vlllas Boas, é que a condição física está longe daquela que foi determinante para que a equipa ganhasse tudo na época passada. A primeira parte, ainda disfarçou; mas a segunda parte, tirando o remate de Guarin que quase dava golo, foi um penoso arrastar do tempo a cheirar a bola e a tentar adiar o segundo golo deles.

g) Helton esteve impecável, os centrais também, Hulk foi até ao limite da força física, tentando, sozinho, manter viva a esperança. Mas, além de Falcao, Álvaro Pereira fez uma falta danada (que coisa humilhante, esta de estar reservado para o Chelsea e não jogar um jogo destes!). Sem James e Álvaro Pereira, ficámos sem flanco esquerdo e, para uma equipa que dispõe de alguns oito extremos esquerdos, entre disponíveis e emprestados (só três foram contratados este ano!), não deixa de ser notável que, uma vez confirmado e reconfirmado o desinteresse de Silvestre Varela, tenha sido preciso apresentar, para uma final da Supertaça Europeia, o inócuo Cristian Rodriguez — um jogador do tipo trapalhão, de marrar em frente de cabeça baixa, ao estilo daquele Capel, que tanto entusiasma os sportinguistas. Moutinho não está a jogar nada. Guarin ainda menos, e o Fernando entrou não percebi porquê nem para quê, mas ainda a tempo de dar a inevitável balda da ordem, obrigando o Rolando a sacriticar-se e a levar o segundo amarelo para evitar piores consequências. E, enfim, o Kleber talvez precise de um golo ou talvez precise de um Alvaro Pereira a cruzar bolas para ele. (Á atenção de Pinto da Costa: no Twente, que o Benfica eliminou e que não joga nada, há, todavia, dois jogadores fabulosos: um é o defesa esquerdo Ola John, que o teimoso do Adriaanse teima em desaproveitar, um menino - milagre refugiado da guerra civil da Nigéria e hoje um talento à solta naquele flanco; o outro é o primeiro costa-riquenho que alguma vez deu nas vistas no futebol, o fabuloso Bryan Ruiz, homem dos sete ofícios, que passa 90 minutos atrás, no meio e à frente, desempenhando as posições 6,8,10,7,11 e 9. Que jeito que eles nos davam!).

2- Em devido tempo, escrevi que este Guimarães me parecia fraquíssimo: parece que sim. Escrevi que o Sporting acreditava em vão que, comprando uma catrefada de estrangeiros de segundo ou terceiro plano e contratando um bom treinador, partia como candidato ao título (o meu amigo Eduardo Barroso ofendeu-se com isto). Bom, parece que se confirma que a quantidade não traz qualidade, ou que, pelo menos, precisa de tempo até que seja o próprio treinador a convencer-se do contrário. Não vou cometer a deselegãncia de referir nomes, mas devo dizer que ainda nenhum dos quinze reforços já experimentados me convenceu. Salvo melhor opinião, não me parece que seja assim que se faz ou refaz uma equipa. Agora, vem mais o Elias, para inaugurar a fase dos profetas. Mas, não fosse o Eduardo Barroso poder ofender-se outra vez, eu poderia voltar a explicar porquê que o essencial continua a faltar. Digo só isto: se não querem meditar no exemplo do FC Porto, que lhes causa alergias e cujo sucesso lhes dá mais jeito creditarem a forças ocultas, concentrem-se (à devida escala, é claro) no exemplo do Barcelona, que Mourinho também acha que se deve a forças ocultas. É óbvio que o Barcelona dispõe de um Messi, à roda do qual construiu todo o seu sucesso. Mas o Messi foi feito na escola do Barcelona (de onde veio também o treinador Guardiola), segundo um modelo elaborado pelo genial Cruyff e jamais abandonado. E, se há coisa que o Sporting sempre teve, foi uma escola.

Restam os árbitros, é claro. Mas não sei, nem sei se alguém saberá, onde estão os três penalties não marcados a favor do Sporting de que fala Godinho Lopes. E, quanto ao golo anulado a Evaldo, nenhum juiz de linha do mundo teria a capacidade humana de ver simultaneamente a bola a partir e, trinta metros à frente, ver que o Evaldo não estava em off-side ... por centímetros. Porque ele tem de olhar para a bola a partir e, quando a seguir olha para a linha de off-side, já lá está o Evaldo plantado. Levar isto à conta de premeditacão, má fé ou vontade deliberada de prejudicar o Sporting, não é sério. Se se quer entrar por aí, então é, sem dúvida, mais inexplicável que, a dois metros do lance. Pedro Proença não tenha visto que a falta que assinalou e que deu o segundo golo ao Sporting era ao contrárío. Um golo que devia valer e não valeu trocado por outro que não devia valer e valeu. O Sporting perdeu com o Marítimo por uma única razão: porque foi pior equipa e mereceu perder. Tal como o Porto mereceu perder com o Barcelona, e apesar do penalty não assinalado - esse, sim, evidente.

terça-feira, outubro 16, 2012

HONRA E PEQUENEZ (23 AGOSTO 2011)

 1- Esta sexta-feira, na cidade do Monte Carlo, capital de uma imbecilidade mediática chamada Principado do Mónaco (onde uns supostos príncipes parasitas sobrevivem com dinheiro do jogo, da fuga aos impostos e das avenças que lhes pagam as revistas cor-de-rosa), o FC Porto, orgulho de Portugal e dos portugueses, vai ter a honra de enfrentar a melhor equipa de clubes, desde que o futebol existe: o FC Barcelona, de Pep Guardiola. É a melhor equipa, porque joga o melhor futebol jamais visto e porque conquistou, nos últimos três anos, tudo o que havia para conquistar: o Barcelona é campeão em título de Espanha, da Europa e do Mundo. Sete dos seus jogadores são ainda campeões do mundo de Selecções, ao serviço da Espanha, embora todos sejam catalães, produto de uma escola como não há outra em clube algum. Um clube que forma os seus próprios jogadores, que não aceita publicidade paga nas camisolas, em que o orgulho de lhe pertencer leva a que um jogador (Cesc Fabregas) prescinda de 5 milhões do seu vencimento contratual para lá poder jogar e que nenhum dos seus é capaz de trair - excepto, infelizmente, um português cujo nome não se pode pronunciar nas Ramblas. É treinado por um catalão, vindo das escolas do clube (antigo jogador, claro), e que, em três anos. conquistou onze títulos, ganhando tudo o que havia para ganhar e que, ainda por cima, é um cavalheiro, modesto e simples, incapaz de inventar desculpas esfarrapadas quando raramente perde ou de inchar de vaidade, quando ganha. E onde, enfim, joga o mais genial futebolista que olhos meus já viram, um argentino chamado Leo Messi, capaz de fazer com uma bola nos pés o que a física não consente e que, estranhamente, não se preocupa nem com penteados, nem com tatuagens, nem com a exibição de bombas sexuais contratadas, e o qual ninguém sabe como vive, com quem vive, o que faz quando não está a conversar com os deuses no estádio, e a quem, por respeito, jamais alguém se atreveu a fazer a pergunta ofensiva: «quanto queres para sair do Barcelona?».

Defrontar esta equipa e este clube é uma honra para o FC Porto. É certo que, por calendário - do campeonato espanhol, da Champions ou dos jogos amigáveis - há umas trinta outras equipas que também têm essa honra, todos os anos. Mas o FC Porto não o vai fazer por calendário, mas porque, por direito próprio, conquistou o acesso a uma final internacional de que o outro finalista é o Barcelona. E isto, meus amigos, é uma honra, é futebol a outra dimensão, de outra galáxia. Eu espero ardentemente que o FC Porto esteja à altura da honra que lhe vai caber, sexta-feira. Não espero que ganhe, porque, sinceramente, acho isso missão impossível. Mas espero que faça um jogo de destemor, de coragem, de prazer de jogar o melhor que pode e sabe, e não um anti- jogo, feito de cautelas, cobardia ou porrada. Espero que Vítor Pereira instrua a equipa para, antes de mais nada, honrar o clube e o futebol português, à vista de uma audiência planetária, e que, simplesmente, diga aos jogadores: «vão lá para dentro sem medo, tentem ganhar mas, sobretudo, desfrutem deste momento único, antes de regressarem à miséria do nosso campeonatozinho dos casos, dos queixumes e das maledicências dos eternos campeões da garganta para fora. Nem imaginam o que eles pagariam para poder estar no vosso lugar, no lugar que vocês conquistaram com todo o mérito e no único terreno onde a verdade desportiva que apregoam se demonstra, que é o terreno de jogo!». É só isso que eu espero e desejo.

2- Já aqui elogiei o Mais Futebol, da TVI. É um programa muito bem conduzido pelo Sousa Martins, sem tempos mortos, direito ao que interessa, com comentadores isentos e competentes. Muito bem o Pedro Barbosa e o João Viera Pinto, com o mérito acrescido de não falaram futobolês, mas sim português, simples e escorreito, como se deve falar em televisão. E muito bem o ex-árbitro Pedro Henriques, que consegue a proeza de trazer uma análise desapaixonada e de bom-senso aos tão discutidos casos das jornadas, explicando, de forma tão lógica e isenta a decisão de cada lance, que praticamente os transforma em doutrina incontestável. Concordei, por exemplo, com toda a análise que ele fez ao FC Porto-Gil Vicente: penalty incontestável contra o Porto, aos 2 minutos; expulsão, não concretizada, do Otamendi, que reunia todos os requisitos para tal; penalty por marcar sobre o Varela, quando havia 2-1 a favor do Porto; penalty por marcar a favor do Gil, quando havia 3-1 e a 2 minutos do fim. Mas, sobre a expulsão do Otamendi, gostaria de acrescentar que sempre fui contra o que considero uma dupla penalização máxima e excessiva: penalty e vermelho directo ao infractor. Aceito que a expulsão valha para quem derruba um adversário que vai isolado fora da área, porque aí não há lugar a penalty e há apenas uma penalização máxima. Mas, dentro da área, o penalty e expulsão equivalem praticamente a dois golos de penalização. Talvez por isso, sejam raros os árbitros, aqui ou lá fora, que o fazem. E raríssimos, se é que há alguns, os que já o fizeram aos 2 minutos de um jogo — porque, entre as regras não escritas mas ensinadas, também consta a que diz que um árbitro deve, na medida do possível, defender também o espectáculo. Torna-se-me assim dífiil entender que Paulo Alves tenha justificado a derrota do Gil com a não expulsão do Otamendi, dizendo que isso «condicionou a estratégia» para o jogo. Como? O Gil passou a semana a ensaiar uma estratégia que passava pela obtenção de um penalty e um golo caídos do céu, por oferta alheia, aos 2 minutos, seguido de expulsão de um adversário?

Pedro Henriques também não deixou dúvidas ao que eu já tinha visto na TV: a 5 minutos do fim, com o resultado em 2-1, o árbitro deixou passar em claro um penalty cometido pelo Javi Garcia, que, muito provavelmente, teria dado o empate ao Feirense na luz (para além de também ter deixado passar duas cotoveladas ostensivas, e aliás habituais. do mesmo Javi Garcia, que tem a sorte de não se chamar Paulinho Santos). E, portanto, em dois jogos, o Benfica conquistou um empate com um golo irregular e obteve uma vitória, que poderia ter sido empate, graças à condescendência do árbitro. Isto faz três pontos ganhos por mérito alheio, em apenas duas jornadas. Razão suficiente para que Jorge Jesus tenha mais cautela ao falar do que se passa no quintal do vizinho (e mesmo que eu não tenha gostado do estilo e do teor da resposta de Vítor Pereira).

3- Quanto ao Sporting, meu caro Alfredo Barroso, esforcei-me e muito para o ver, contra o Nordqualquercoisa e contra o Beira-Mar. E, com tanta constestação à arbitragem, mesmo reconhecendo, como já o fiz, que teve um golo mal anulado contra o Olhanense, só posso dizer que percebi bem a tua tristeza e frustração, sobretudo depois de ver que um árbitro dos regionais tem mais categoria a arbitrar que um suposto candidato ao título máximo a jogar futebol. O símbolo, para mim, é o Yanick: está mais preocupado em manter o penteado em pé do que em mostrar serviço no relvado. O campeonato está «descredibilizado», como disse o Carlos Freitas? Pois seja, mas não é o Sporting, que acabou o anterior campeonato a 36 pontos do Porto e que não consegue derrotar uns amadores dinamarqueses, que tem autoridade para o dizer...

4- É preciso estar de muito má-fé para titular, como o Diário de Notícias, «Falcao vendido abaixo do valor da cláusula». A venda de Falcão, tornada inevitável por várias razões objectivas, foi o melhor negócio feito até hoje por Pinto da Costa e a mais lucrativa venda de sempre de clubes portugueses. E com o gozo extra de ter impingido a Jorge Mendes também o Ruben Micael (porque isso de vender só os bons jogadores é fácil).