domingo, fevereiro 01, 2009

COM TODA A JUSTIÇA (27 JANEIRO 2009)

1- O FC Porto voltou à liderança do campeonato e voltou com toda a justiça, depois de ter vencido um verdadeiro jogo de candidatos ao título, como disse Jesualdo Ferreira. Nos jogos verdadeiramente difíceis - Luz, Alvalade, Choupana, Braga - isto é, na hora da verdade, o FC Porto soube sempre impor-se e só não triunfou na Luz por timidez e porque os últimos vinte minutos de jogo praticamente não existiram, com os jogadores do Benfica permanentemente deitados no chão, com cãibras ou distensões musculares.

Dizem os benfiquistas que o FC Porto ganhou em Braga graças ao árbitro. É preciso ter lata! Ainda só passou uma jornada desde que o FC Porto perdeu para o Benfica cinco pontos de uma assentada (!), devido a erros de arbitragem, (três ganhos pelo Benfica ao Braga, num jogo que devia e merecia ter perdido, e dois perdidos pelo FC Porto contra o Trofense, quando o árbitro fez vista grossa a uma clara grande penalidade a sete minutos do fim), e já eles puseram o contador a zeros e querem escrever a história à sua maneira!

Dizem que o golo inaugural do FC Porto tem origem num off-side: é verdade, sim senhor. Mas este off-side não teve nada a ver com o que deu a vitória ao Benfica contra o mesmo Braga: primeiro porque, neste, quem estava em off-side foi o jogador que assistiu e não o jogador que marcou; segundo, porque este só se detectou com a repetição em câmara lenta, e o outro viu-se a olho nu desde o início da jogada.

Mas têm razão neste ponto, embora, em contrapartida, se «esqueçam» de referir o golo anulado a Tomás Costa, por alegado off-side, quando havia três jogadores do Braga entre ele e a baliza. Seria o 0-3, ainda antes do intervalo, o que tornaria absolutamente inútil a discussão sobre os penalties da segunda parte.

Reclamam os benfiquistas e o presidente do Braga nada menos do que três penalties por assinalar contra o FC Porto. Destes, confesso que só vi dois passíveis de discussão. No primeiro reclamado, aos 79 minutos, o Meyong levanta a bola sobre o Helton mas para longe da baliza e onde não tinha qualquer hipótese de ir buscá-la. Depois ele, e o Helton chocam, mas gostava de saber porque viram o Helton a chocar deliberadamente com o Meyong e não o contrário. Certo é que bola já tinha passado direita à defesa do Porto, que a cortou. No minuto seguinte, houve um remate fora da área e Guarín terá posto mão à bola. Digo terá, porque nenhuma repetição televisiva conseguiu mostrar o lance com clareza, mas, tratando-se do Guárin, que já fez esta brincadeira duas vezes (não seria altura de Jesualdo lhe dar uma palavrinha?), até acredito que tenha mesmo sido penalty. Temos assim golo mal validado, golo mal invalidado e penalty por marcar. Resultado final se o árbitro tivesse decidido sempre bem: 2-1 a favor do FC Porto - partindo de princípio que o penalty seria convertido. Pontos ganhos pelo FC Porto devido a erros de arbitragem: zero. Vão cantar para outra paróquia...

Mas, acima de tudo, volto ao que aqui escrevi quando da grande barracada do jogo da Luz, há quinze dias: uma coisa é os erros de arbitragem desvirtuarem a verdade do jogo, outra é a verdade impor-se, mesmo que com um ou outro erro do árbitro. Exemplo: se o árbitro tem assinalado o penalty claro sobre o Lisandro, no jogo contra o Trofense, o FC Porto teria ganho. É fácil, assim, dizer que não ganhou por causa disso, mas essa é só uma maneira de ver as coisas. Para mim, não ganhou porque não soube ganhar. Ora, no jogo contra o Braga, o Benfica não mereceu ganhar de forma alguma e só o conseguiu graças a um golo falso e um penalty chocantemente ignorado pelo árbitro. Ao contrário, sábado passado, o FC Porto fez por merecer e mereceu ganhar.

O Braga entrou realmente a todo o gás e durante quinze minutos banalizou os azuis e brancos: tão certo como é certo que, apesar desse domínio, não criou nenhuma verdadeira ocasião de golo. E, depois, em três safanões de Hulk e uma oferta da defensiva do Braga, o FC Porto mostrou ao que vinha e pôs o adversário em sentido. Na segunda parte, o Braga voltou a ter o último quarto-de-hora final e aí, sim, criou duas opurtunidades de golo, que poderiam, se convertida alguma delas, ter tornado frenéticos os minutos finais. Mas, antes disso, houve meia-hora de avalanche portista, perdendo uma, duas, três oportunidades de deixar o adversário definitivamente KO. O Braga teve, pois, meia-hora de domínio, no quarto-de-hora inicial e no final, e a hora inteira entre esses dois períodos só deu Porto. Um Porto que eu gostei muito de ver jogar: esteve ao seu nível, ao nível de um verdadeiro candidato ao título, num dos jogos mais rápidos e mais bem jogados que vi este ano.


2- Ainda sobre o FC Porto: e lá se foi embora o meu «protegido» Candeias, para alimentar o rol infindável dos jogadores emprestados por esse grande grémio do norte. E para alimentar o rol dos «miúdos» a quem Jesualdo Ferreira não dá hipótese de evoluírem internamente, o rol dos jogadores portugueses preteridos e o rol dos extremos de que se livrou este ano: de memória, lembro-me, além de Candeias, do Vieirinha, do Alan, do Pitbull, mais o Quaresma, claro, de quem a SAD o livrou. E, depois de cinco extremos dispensados, restando só o Tarik, para sempre perdido nas brumas do Ramadão, e o Mariano González, maravilha fatal da nossa idade, como diria Camões, eis que se anuncia que o FC Porto quer «ir ao mercado» para comprar um extremo. Palavra de honra? Continua o mesmo regabofe de sempre: comprar para emprestar, emprestar para comprar?


3- São questões deles, que não me dizem respeito nem me interessam por aí além. Mas, como simples espectador, não consigo perceber o enfado de Quique Flores para com José Antonio Reyes. A mim, vendo de fora, parece-me que Reyes é dos mais esforçados e esclarecidos jogadores do Benfica actual. Quem eu não consigo perceber é o Aimar, que tem tiques de vedeta e não marca um golo há ano e meio nem se vê como o irá conseguir: no Restelo falhou dois certos e, contra o Braga, falhou um. E o tão incensado Di María, que parece que só joga bem vinte minutos se estiver o Maradona na bancada, trinta se estiver o Pélé e um jogo inteiro se tiver a Selecção da FIFA a vê-lo jogar. Mas, como digo, é entre eles.


4- Prossegue o afastamento dos relvados de Ricardo Quaresma, findo que parece estar o período de graça que José Mourinho lhe concedeu. E o exílio interno no Inter valeu-lhe já, por extensão, também o exílio na Selecção de Carlos Queiroz. Caramba, o que estará a sentir e a pensar um jogador como Ricardo Quaresma, que tem verdadeira fome de bola e que se habituara a ser considerado o melhor da Liga portuguesa e que agora já se pode dar por feliz quando não é mandado ver o jogo para a bancada? Escrevi aqui muito sobre esta possibilidade, antes de consumada a transferência, que se revelou desastrosa para o clube e está a ser frustrante para o jogador. E não sinto nenhum conforto em ter tido razão, pelo menos até agora. Pelo contrário, tenho pena porque o futebol português não tem assim tantos talentos puros para descartar um Ricardo Quaresma que ninguém vê jogar há meses. E porque Quaresma tem uma forma muito especial e empolgante de jogar que faz falta ao futebol - e de que no Inter, sob o crivo implacável da imprensa e dos adeptos, se viu obrigado a abdicar, com medo de falhar e atrair as críticas. Foi assim, aliás, que ele caiu num círculo vicioso: abdicou dos seus números de magia para evitar críticas, e, abdicando deles, tornou-se um jogador banal e previsível, que não consegue marcar a diferença para justificar um lugar na equipa. Pelo menos, é isto que eu vejo de fora. Mas espero bem que José Mourinho não deixe morrer o talento de Ricardo Quaresma - «morto» pelos milhões do Inter.

O QUE SE HÁ-DE FAZER? (20 JANEIRO 2009)

1- Realmente, esta Taça da Liga, ou o modelo dela, não tem grande futuro. Financeiramente, duvido que um só clube ganhe coisa que se veja com a dita Taça. Desportivamente, o seu interesse só poderá existir para quem, a esta altura da época, já pouco mais objectivos tem a conquistar. Servirá talvez para rodar jogadores, experimentar miúdos vindos das camadas jovens e pouco mais.

Concordo com o José Manuel Delgado que o grosso da Taça da Liga deveria ser jogado logo em Agosto, à saída do «defeso», quando as pessoas já estão com saudades de bola, quando há emigrantes em férias e turistas por aqui que sempre podem ajudar a aumentar as assistências, e quando os treinadores precisam de experimentar todos os jogadores e definir ideias para a nova época. Seria bem mais interessante que aqueles desinteressantes jogos de pré-temporada, disfarçados de «Torneio do Guadiana» ou coisa que o valha.

Pelo que li, as assistências para esta fase de grupos da Taça da Liga variaram entre as 50 (!) e as 35 000 pessoas que foram ver o Bruno Paixão-Belenenses, no Estádio da Luz. Nos dois jogos do Dragão, ainda assim, houve duas casas bem razoáveis, para ver a reserva do FC Porto contra o Vitória de Setúbal (12 000), ou um misto do FCP contra a Académica (18 000). Já o mesmo não aconteceu em Alvalade, onde os dois jogos não chegaram à casa dos dez mil espectadores e o último foi a segunda pior assistência desde que existe o Alvalade XXI. Pretendem que o sucesso de público no último jogo da Luz se deve ao horário diurno e porque o público tem saudades de jogos à tarde: há mesmo quem, respaldado neste único exemplo, preconize o regresso dos jogos à tarde. Discordo de ambas as coisas. Os 35 000 espectadores da Luz devem--se, sobretudo e em minha opinião, ao facto de o público benfiquista saber que não terá muito mais ocasiões de ver a sua equipa em competição este ano e que esta Taça da Liga parece ter sido desenhada à medida das ambições e frustrações do seu clube. Por outro lado, e contra-corrente, eu defendo os jogos à noite: nos dias de fim-de-semana, porque há coisas bem mais interessantes para fazer do que passar uma tarde a ver futebol e já lá vai o tempo em que os maridos iam para o estádio ver o jogo e as mulheres ficavam no carro a fazer tricot. E aos dias de semana porque, tirando aqueles doentes que habitam o dia inteiro à porta dos estádios, a gente normal trabalha durante o dia. Deixem estar os jogos assim, que estão muito bem!

Entretanto, esta é a Taça da Liga que temos e que assim chegou a umas meias-finais de acordo com a programação feita: com os três grandes ainda em prova e incluindo os quatro primeiros do anterior campeonato. Segundo li aqui, a própria «Bola» só descobriu mediante uma consulta à Liga uma regra ad hoc de cuja existência ninguém tinha falado até aqui: os dois primeiros recebem o terceiro primeiro e o primeiro segundo, em lugar de um sorteio aberto, como na Taça de Portugal. Benfica e Sporting ficam em casa e FC Porto e Guimarães fazem o favor de vir à capital. Dificilmente se conseguiria fazer melhor para chegar à tão almejada final Benfica-Sporting. Agora, só falta mesmo nomear o Lucílio Baptista para Alvalade e o Paulo Baptista para a Luz (o Bruno Paixão fica guardado para a final).

É, de facto, uma competição interessantíssima.


2- Galileu Galilei passou à História por ter proferido uma das frases mais marcantes de sempre: «E pur si muove (E, todavia, move-se)». A terra movia-se em volta do sol, conforme ele sabia e tinha comprovado, e ao contrário da crença então dominante. Tal crença, porém, vinha desassossegar a verdade estabelecida pela Igreja e Galileu foi levado a julgamento e forçado a abjurar a sua crença. Mas, juram as testemunhas, que, ao retirar-se do tribunal, absolvido, ele murmurou entre dentes «e pur si muove». Só no ano passado a Santíssima Madre Igreja se dignou, cinco séculos depois, reconhecer a injustiça cometida para com Galileu: veja-se a excomunhão a que são votados os que ousam duvidar da verdade estabelecida como tal.

Deixem-me então murmurar também entre dentes e a propósito da consagração de Cristiano Ronaldo como melhor jogador do mundo para a FIFA: «E pur Messi...»


3- Cissokho é o 11.º lateral-esquerdo contratado pelo FC Porto nos últimos sete anos. É um lugar votado ao insucesso para os lados do Dragão: o último que por lá passou reunindo um mínimo de consenso mas sem chegar a aquecer o lugar, foi o Nuno Valente. Mas, eu, pessoalmente, nunca o achei jogador por aí além: para mim, o último defesa-esquerdo aceitável que o FC Porto teve foi Esquerdinha, e o último verdadeiramente grande foi o também brasileiro Branco - já quase na noite dos tempos. É, de facto, altura de acertar.

Entretanto, dizem-nos generosas vozes que «há muito mercado» para jogadores excedentários dos «dragões», tais como Stepanov, Farias, Adriano ou Bolatti. Pois, há muito mercado, mas eles continuam por ali eternamente e os únicos que se preparam mesmo para sair, emprestados, são os miúdos que mais prometem - Rabilola e Candeias. Há muito mercado, mas a verdade é que ninguém está disposto a arcar nem que seja com um terço dos fabulosos ordenados que, lá pelo Dragão, se pagam a jogadores do nível destes. E assim a SAD do FC Porto vai penando com os encargos ruinosos de jogadores que não servem mas que estão amarados por contratos de longa duração e ordenados de vedetas. Dizem, por exemplo, que a Grécia «chama» por Farias e que até há um clube grego que estará disposto a pagar os cinco milhões de euros que o FC Porto «exige» - embora, acrescenta-se, até só preferisse emprestá-lo. Sim, sim, e a minha avó só por azar não cantou ópera no Scala: por cinco milhões de euros, o FC Porto não só vendia o Farias, como ainda oferecia o Stepanov, o Bolatti, o Adriano e mais uns quantos, e até era capaz de pagar metade dos ordenados deles. E era uma grande poupança!


4- No FC Porto-Vitória Setúbal, para a Taça da Liga, o Leandro Lima - um dos quatro portistas ao serviço do Setúbal e um dos 30 ou 40 jogadores emprestados pelo FC Porto - falhou um penalty contra o «patrão». Foi quanto bastou para que um rol de ilustres benfiquistas se lançassem numa histeria de suspeitas sobre o rapaz, «esquecidos» que já estão do inesquecível jogo do Jorge Ribeiro no Boavista-Benfica do ano passado, poucos dias depois de o Benfica ter anunciado o interesse nos seus serviços - à semelhança do que fez com vários outros, sempre antes dos jogos contra os seus clubes.

Os ilustres benfiquistas «estranharam» que o Leandrinho tenha falhado o penalty que daria a igualdade ao Vitória, num jogo tão importante para os portistas que Jesualdo até meteu a reserva em campo. Mas já não estranharam que o árbitro do jogo tenha assinalado dois penalties contra o FC Porto e nenhum deles evidente, que o primeiro tenha sido convertido, vejam lá, pelo mesmo Leandro Lima, e que a critica tenha sido unânime em considerar que o melhor setubalense em campo foi... Leandro Lima. De que será que eles não desconfiam?

Por estas e por outras é que eu, mais uma vez ao arrepio da opinião correcta, sustento que os clubes que emprestam jogadores têm toda a legitimidade, contratual e ética, para não os deixar utilizar contra si. Além do mais, era a maneira de calar os maledicentes. Será que lhes ocorreu, um segundo que fosse, que as suas «estranhezas» são uma forma de caluniar um profissional? E o FC Porto empresta o jogador, paga-lhe o ordenado, ajuda outro clube, deixa-o utilizar o jogador contra quem lhe paga e ainda tem que levar com o escarcéu dos profissionais da desconfiança e maledicência?

segunda-feira, janeiro 19, 2009

ERROS MEUS, MÁ FORTUNA (13 JANEIRO 2009)

1- É assim o futebol: uma semana vai-se à frente, na outra passa-se para trás; numa semana joga-se bem e abre-se um sorriso onde cabem todas as esperanças, na outra desaba sobre nós um peso de chumbo e sai-se do estádio curvado à decepção; uma semana a culpa foi do árbitro, na outra foi ele quem nos salvou.

O regresso à normalidade que o FC Porto assegurara há oito dias foi de novo interrompido por mais um percalço caseiro, de todo fora das previsões. Porque tropeçou o FC Porto no Trofense? A meu ver, por três razões: falta de sorte, atitude do adversário e erros do treinador. Uma de cada vez.

Normalmente, quando um grande empata em casa a zero com uma equipa do fundo da tabela, já é clássico concluir que o melhor em campo foi o guarda-redes adversário. Não foi o caso do FC Porto-Trofense de anteontem: ao contrário do que sucedera contra o Benfica, o guarda-redes do Trofense, Paulo Lopes, não evitou nenhum golo nem chegou a fazer nenhuma grande defesa. Viu-se, sim, batido para golo um sem número de vezes e de todas escapou ileso: duas vezes porque os companheiros o substituíram na linha de golo, outra vez porque um jogador do FC Porto substituiu ele os defesas já batidos do Trofense, outra porque a bola beijou o poste e mais umas quatro vezes porque Rolando falhou todos os cabeceamentos para golo, nos inúmeros cantos de que os portistas dispuseram. Esse facto, por si só, mostra que o Trofense chamou a si toda a sorte do jogo e não deixou nada para os da casa.

À sorte, o Trofense juntou uma atitude que pode e deve ser chamada de anti-jogo. Com todo o respeito pela cidade da Trofa, com toda a compreensão pelo modesto mas honesto Trofense e com toda a compreensão para com quem se bate com orçamentos de pigmeu contra equipas com orçamentos de gigante, o tipo de jogo posto em cena pelos da Trofa é daqueles que fazem com que haja jogos entre primodivisionários com 600 ou 400 ou 200 pessoas a assistir. Em 90 minutos de futebol, o Trofense, não só não dispôs de uma única ocasião de golo, como também não conseguiu construir um único ataque ou contra-ataque digno desse nome. Em contrapartida, os seus jogadores chamaram quatro vezes a maca para os levar, chegaram a ficar caídos três ao mesmo tempo e, quando o capitão foi expulso, já nos descontos, demorou exactamente 1'40'' a sair de campo. Compreendo que Tulipa estivesse contente com o resultado, não compreendo que estivesse «orgulhoso» dos seus jogadores. Quando em mais de metade dos jogos, há sempre uma equipa que só quer jogar para o 0-0, não há volta a dar às bancadas desertas e à morte a prazo do futebol como espectáculo ao vivo. Não sou só eu que sei porque fico em casa.

À falta de sorte e ao anti-jogo do Trofense, juntaram-se as infelizes decisões de Jesualdo Ferreira, para explicarem o resultado final. Felizmente, há muito pouco tempo elogiei aqui o trabalho dele e proclamei-me seu apoiante - com a ressalva de que seria critico, quando o entendesse justo. É o caso.

Recuemos um pouco: Jesualdo Ferreira (conforme o notei logo no início da época), não dispõe de extremos, porque os dispensou todos. O único extremo verdadeiro que tem, que é Candeias, vive afastado, a caminho de mais um empréstimo, por falta de oportunidades de crescimento, que o treinador não lhe dá. Não admira, pois, que Jesualdo, mesmo antes deste jogo, se queixasse das dificuldades de lateralização do futebol atacante da equipa, as quais, mais uma vez, foram gritantes contra o Trofense. E não admira também que Jesualdo tenha abdicado do seu preferido 4x3x3, em benefício de um arremedo de 4x4x2, pois que à falta de extremos se veio juntar a obrigação de meter em jogo Hulk - cuja genialidade ele foi o último dos portistas a ver. Mas, mesmo com Hulk a desequilibrar lá à frente, acontece contra as «equipas do autocarro» que a capacidade de penetração está seriamente diminuída: porque não há flanqueadores naturais e porque a penetração vertical, que era assegurada pelos passes de ruptura de Lucho González, desapareceu face ao prolongado desaparecimento em combate do argentino. Neste contexto, e sem querer lançar mão de Candeias, a Jesualdo só restaria uma opção e de risco: fazer regressar Lisandro às suas antigas funções de ponta-de-lança descaído sobre o flanco, por troca com Hulk, que é bem mais letal a arrancar de trás e do centro. Mas Jesualdo é um homem fidelíssimo às boas memórias: assim como não se atreve a prescindir de Lucho nem por um minuto e por mais confrangedora que seja a sua ausência do jogo, também não se atreve a pedir ao melhor marcador do campeonato passado que derive para o lado, em benefício de um recém-chegado.

Ao minuto 1 do jogo, o Hulk arrancou do flanco direito, onde Jesualdo o mandou desterrar, entrou na área, fintou um por dentro, outro por fora, e serviu o golo de bandeja a Meireles, que falhou o remate e viu Lisandro falhar a emenda. Essa simplicidade e crença no golo, que são a imagem de marca de Hulk, deveriam logo ter posto Jesualdo a pensar. Mas, não: havia muito tempo para chegar lá pela «via clássica». Porém, ao minuto 95, Guarin, na posição de ponta-de-lança, evitou o golo de Rodriguéz, fazendo de defesa do Trofense e, no minuto seguinte, a última imagem do jogo foi a de Hulk a acorrer à sua defesa para cortar um incipiente «ataque» do Trofense. O absurdo destas duas cenas é bem o espelho dos sucessivos erros cometidos por Jesualdo Ferreira.

É certo que o professor, em minha opinião, nunca se destacou por saber ler e emendar o jogo em andamento. Os seus méritos são outros, mas não esse: parece fazer substituições só por fazer, a ver se resultam, raramente adequadas ou no tempo certo. Mas, anteontem, exagerou. A meia hora do fim (longe ainda da fase do tudo ou nada) resolveu passar o Fucile para a esquerda e meter o inevitável Mariano a defesa-direito: com isso, obviamente, não ganhou nada do lado direito, mas perdeu o seu melhor flanqueador até aí, visto que Fucile à esquerda vale metade do que vale à direita. Cinco minutos depois, meteu o Guarin para o lugar de Raul Meireles: perdeu clarividência no miolo e ganhou só confusão e trapalhadas, culminadas com o colombiano a fazer de salvador do Trofense, tamanha era a ânsia de se mostrar salvador do Porto. E, mais cinco minutos volvidos, meteu o Farías - que, sem nunca ter tocado na bola em vinte minutos, serviu para congestionar o ataque e obrigar o Lisandro e o Hulk a saírem dali. Mexer quando as coisas não vão bem, qualquer treinador sabe fazer; resistir a mexer só porque as coisas não vão bem, é seguramente mais complicado.


2- O problema com Renteria são os golos certos, no resto ele até vai fazendo umas coisas jeitosas. Mas, quando o golo é quase imperdível e, sobretudo, se a oportunidade aparece no fim e se serve para alterar o resultado, o rapaz fica paralisado de terror. Ao minuto 85 do jogo da Luz, completamente isolado, posição frontal, bola na relva, ninguém ao lado e só o guarda-redes pela frente, ele acertou no Moreira. Mesmo assim, melhor do que há três anos atrás, naquele mesmo estádio e naquela mesma baliza, mas com a camisola do FC Porto, quando, até sem guarda-redes pela frente, ele acertou… em nada.

Se Renteria tem marcado, o Braga tinha, pelo menos, empatado o jogo, que era o mínimo que merecia e que a estatística da Sport TV resumiu: 60% de posse de bola contra 40% do Benfica; 36 ataques contra 31; 18 remates à baliza contra 8; 13 cantos contra 3; 5 oportunidades de golo contra 1. E Jorge Jesus escusava de ter acrescentado a outra estatística: golo do Benfica em off-side, penalty a favor do Benfica inexistente (bem mais óbvio foi idêntico lance a favor do Porto e que passou sem penalty, como notou Jesualdo Ferreira), e dois penalties a favor do Braga não assinalados. Destes, num não vi penalty, mas aquela entrada do Luisão de carrinho às pernas de Mateus, caramba, se não é penalty e ao menos cartão amarelo será o quê?

Mas, como acima escrevi, os árbitros erram, uma semana para um lado, outra semana para o outro. O problema é quando, no mesmo jogo, erram sempre para o mesmo lado, ou quando erram apenas uma vez e quem não soube ganhar se agarra a esse erro para justificar tudo. Ou quando se é tão lesto a gritar ao escândalo quando o árbitro erra contra nós, e a seguir se assobia para o ar, quando ele erra a nosso favor. Esta semana, garanto-vos que não vai haver benfiquistas a gritar fraude ou batota ou a declarar que esperam que os deixem ser campeões no campo.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

ANO NOVO, HÁBITOS VELHOS (06 JANEIRO 2009)

Três meses volvidos, treze jornadas cumpridas, o FC Porto retoma velhos hábitos e lá está, no seu lugar habitual das últimas duas décadas: o primeiro e isolado. Como se dissesse «pedimos desculpa por esta breve interrupção, a normalidade está reposta». Mas, não, não se pense que estou a cantar vitória antes de tempo, como é próprio de outros. Eu sei que teremos de lutar muito, muito mais para que «nos deixem ganhar o campeonato em campo» (para usar a frase de Luís Filipe Vieira, a que já irei). Eu sei que este está a ser o mais competitivo campeonato dos últimos anos e também sei perceber quando é que o caldeirão da frustração alheia está prestes a explodir e qual é a solução usada para aliviar a tensão.

Para virar o ano no primeiro lugar, ao FC Porto foi preciso ultrapassar a tradicionalmente difícil jornada da Madeira, contra o Nacional. E a coisa esteve tremida. O azar a abrir, com uma bola na barra ao minuto um e o Nacional a chegar ao golo, totalmente fortuito, no primeiro remate feito à baliza. Seguiu-se o desnorte da equipa, acusando o golpe e a injustiça e toda uma primeira parte assim perdida. Já vi este filme inúmeras vezes: um campo pequeno, um adversário que chama a si toda a sorte do jogo e o FC Porto acusando dificuldades antigas de dar a volta a um resultado negativo. Mais apreensivo fiquei ainda quando vi Jesualdo Ferreira fazer entrar Mariano González para defesa-direito, depois do intervalo: por mais que Jesualdo insista e volte a insistir, fazendo de Mariano extremo, médio ou defesa, não há volta a dar: o seu futebol confrangedor não é reciclável e foi pelo seu flanco que o Nacional chegou ao 2-2 e manteve a ameaça latente em toda a segunda parte. Felizmente, o resto da equipa esteve à altura do momento: a segunda parte só deu Porto, Porto, Porto. Uma cavalgada consistente para a vitória, selada com dois grandes golos, por entre os quatro marcados. Estofo de campeão.

Também sem espinhas e, felizmente, igualmente sem «casos», o Sporting havia já passado na véspera em Setúbal - com Liedson, uma vez mais, a fazer a diferença e a chegar ao número de golos do mítico Yazalde, com a camisola verde às riscas. Ao contrário da do FC Porto, foi uma vitória cedo obtida e assegurada, e gerida tranquilamente e sem grande rasgo, face ao um Vitória impressionantemente inofensivo, verdadeira sombra do Vitória da época passada. E assim o Sporting ultrapassou um Leixões que me pareceu bastante satisfeito com o 0-0 obtido em Coimbra, e assim se repôs a normalidade no pódio deste campeonato, com os três grandes na frente.

Para o fim ficou a excursão do Benfica à Trofa - a primeira de um grande à cidade minhota, em jogos a contar para a primeira divisão. Dia histórico, que se viria tornar inesquecível, em que o último derrotou o primeiro e o anunciado campeão baqueou, sem apelo nem agravo, aos pés do putativo despromovido. Não há dúvida de que, no futebol como na vida, a única coisa certa é a morte.

Dois dias antes, o presidente benfiquista tinha dado aqui uma entrevista de cinco páginas, cujo pretexto ou actualidade confesso que me escapou: talvez fosse por ser «campeão de Inverno» ou por, pela primeira vez em quinze anos, ter passado o Natal na liderança. Facto é que Luís Filipe Viera, para além do habitual rol de auto-elogios à sua liderança e ataques sibilinos e por antecipação a quem ouse disputar-lhe o lugar, nada de novo ou de interessante tinha para dizer.

Para a História ficará a sua afirmação de que, por via da decisão de três ou quatro senhores de uma coisa chamada Comissão Disciplinar da Liga, ficou estabelecido que todos os triunfos do FC Porto nos últimos vinte anos foram falsos e fruto de batota. Esqueçam, pois, tudo aquilo que viram nos estádios ou na televisão durante todos estes anos: o que conta é o que disse uma «testemunha» a propósito de um Beira-Mar-FC Porto, disputado em 2004 e que já só servia para contar feijões.

E, muito embora a dita «testemunha», mesmo sem jamais ter sido contra-interrogada, já ter sido apanhada duas vezes a mentir sobre factos, tendo mesmo obrigado um juiz (de direito, não de futebol) a indiciá-la por crime de perjúrio, é assim que se escreve a História, segundo Luís Filipe Vieira.

Gentilmente entrevistado, ele não se limitou, aliás, a abjurar e reescrever o passado do futebol português das últimas décadas. Também antecipou o futuro, traçando já a sua sentença, igualmente inapelável: se o Benfica não for campeão este ano, é porque não o deixaram ser em campo. Pese à confiança que só pode merecer-lhe uma Comissão de Disciplina e um Conselho de Justiça que já provaram estar no recto caminho, e uma Comissão de Arbitragem e Direcção da Liga que tiveram o seu voto e apoio - como já antes tinham tido as anteriores estruturas dirigentes, lideradas pelo seu ex-parceiro de estratégia (Valentim Loureiro, não sei se se lembram...).

Portanto, sentei-me eu em frente à Sport TV para assistir a mais uma manifestação da supremacia benfiquista em campo, e sinceramente rezando a todos os santos para que nem a mais leve decisão da arbitragem pudesse prejudicar o Benfica e fazer-nos ter de atravessar mais uma semana de lamúrias, insinuações e acusações retumbantes de «fraude». E o que vi, o que unicamente vi, foi uma derrota benfiquista em toda a linha.

Primeiro, porque perderam o jogo sem espinhas e sem qualquer caso de arbitragem de que reclamar;

segundo, porque assim perderam a invencibilidade, a liderança e o assaz breve título de «campeão de Inverno» (se é que o Inverno, por estas paragens, ainda vai até 21 de Março...);

terceiro, porque momentos houve em que o anunciado «campeão em campo» chegou a ser banalizado por uma esforçada equipa, lanterna vermelha e acabadinha de chegar ao mundo dos grandes da bola;

quarto, porque a derrota foi consumada por um portista, o melhor em campo, e desses muitos a quem a generosa Direcção do FC Porto paga ordenado para jogarem por outros emblemas: Hélder Barbosa, de seu nome;

quinto, porque os adeptos benfiquistas, como se não bastasse o desastre no relvado, ainda fizeram jus à sua fama de campeões do mau comportamento, chegando a atirar um petardo em chamas ao guarda-redes adversário - coisa que, num campeonato civilizado, costuma ter consequências bem desagradáveis para o clube;

e, finalmente, porque, assim perdendo, a luxuosa equipa do Benfica obrigou o seu presidente a engolir de enfiada cinco páginas deste prestigiado jornal. É o que dá falar sem ocasião nem ponderação...

A Sport TV mostrava, entretanto, a cara de Rui Costa, sentado no banco e abanando a cabeça, como se dissesse «que mais posso eu fazer para que estes tipos aprendam a jogar como campeões?» E, sentado a seu lado, ocupado a fazer desenhos e esquemas num papel com o seu adjunto, em lugar de substituir logo o Binya antes que ele fosse expulso, Quique Flores era a imagem de um treinador perdido e impotente. Ou muito me engano, ou não tarda nem um mês antes que a contestação interna se concentre toda em encontrar em Quique o bode expiatório. Who else? E, todavia, o espanhol acertou na mouche, quando caracterizou a exibição da sua equipa: «Não basta falar, é preciso ter mentalidade para ganhar».

A FRAUDE (30 DEZEMBRO 2008)

Para o senso comum, senador é alguém cujo nome, estatuto ou posição lhe garante uma credibilidade acrescida perante os outros. Em matéria de opinião, por exemplo, um senador deve ser escutado com mais atenção, porque, tenha razão ou não, é suposto ter uma opinião mais isenta, mais ponderada e mais credível que o comum das pessoas. Foi certamente a pensar assim que a Direcção de A BOLA decidiu, já há uns tempos, introduzir às sextas-feiras as colunas dos senadores — um por cada clube grande. Todos, sem excepção, são figuras de valor intelectual e de carácter acima de qualquer controvérsia. Mas há uma diferença entre eles: Rui Moreira é simplesmente adepto portista e da chamada «ala critica» da respectiva direcção (que lida tão mal com as criticas quanto o azeite liga com a água); já Rogério Alves é membro dos actuais corpos gerentes do Sporting, no cargo de presidente da Assembleia Geral, e Sílvio Cervan é mesmo membro da actual Direcção do Benfica, ou seja, responsável directo pela sua gestão. E isto coloca um problema não escamoteável.

Há uma diferença entre independente e isento — neste caso e, a meu ver, essencial. Eu, por exemplo, desde o primeiro dia que aqui comecei a escrever, que tornei claro o meu estatuto: não sou nem passaria a ser independente, visto que tenho uma filiação clubística e é bem sabido como a paixão clubística tolda a independência de julgamento (a todos, e não apenas aos portistas, como costumam decidir os outros...). Mas, não sendo independente, nunca deixaria de ser isento — não apenas porque não ocupo e nunca ocupei qualquer cargo no meu clube, no seu jornal, televisão ou outros apêndices, e porque, também, e conforme julgo ser público e notório, não presto vassalagem nem silêncio aos seus dirigentes ou técnicos, sejam eles quem forem. Mas, por mais respeito que tenha por eles, que é muito, esta é condição que não assiste nem a Rogério Alves nem, sobretudo, a Sílvio Cervan. Eles não estão na posição de um adepto banal de um clube: são co-responsáveis, os êxitos e inêxitos do clube são também responsabilidade pessoal sua.

Mas, mesmo com essa capitis diminutio, Sílvio Cervan ostenta o título de senador do jornal A BOLA. O tal título que justifica que se espere dele opiniões mais ponderadas, mais isentas e, logo, mais credíveis do que, por exemplo, as minhas. Assim, quando o vi, na sua última coluna, declarar solenemente que «este campeonato está uma fraude» e que «a competitividade é feita com base na batotice», eu tive de partir do princípio de que falava com conhecimento de causa e certamente com motivos gravíssimos para proferir afirmação tão radical e perigosa quanto esta. Radical porque, a partir daqui e nem mesmo que o seu Benfica venha a acabar o campeonato com mais de 20 pontos de atraso do campeão, como sucedeu no ano passado, Sílvio Cervan, para ser coerente, poderá reconhecer qualquer justiça ao campeão ou qualquer seriedade ao campeonato. Perigosa, porque, se o campeão vier a ser o seu Benfica, a sua frase poderá ter um fatal efeito de boomerang: quem quer que ache que o Benfica não mereceu ser campeão, poderá usar as suas palavras para concordar que o campeonato foi uma fraude. Eu, por exemplo, não me esquecerei da frase, se vir motivos para tal. Retroactivamente e aproveitando a boleia do senador, posso até dizer agora que a maior fraude a que assisti nas últimas décadas, e designadamente em matéria de arbitragens, foi o último campeonato ganho pelo Benfica. Mas é só a minha opinião, a de um banal adepto...

O que sucedeu para que Sílvio Cervan tenha decretado desde já que o campeonato é uma fraude, quando apenas decorreram doze jornadas e o Benfica até o lidera? Não seria mais avisado esperar pelas dezoito jornadas que faltam? Pelas deslocações do Benfica a Alvalade e ao Dragão? Pelo cansaço que o tão temido FC Porto não deixará de acusar por ter de combater simultaneamente na Europa e na Taça de Portugal — duas competições onde o plantel de luxo do Benfica já não mora? É que, dito assim, até parece que o raciocínio foi o inverso: que avisado era ir prevenindo desde já uma justificação para um eventual insucesso do Benfica. Uma «fraude»...

A «fraude» foi o golo anulado por Pedro Henriques, aos 94 minutos do jogo da Luz contra o Nacional — já reduzido a dez e depois de todo um jogo em que os madeirenses mostraram não merecer de forma alguma sair derrotados. Concordo que, aparentemente, não houve motivo para a anulação do golo. Mas esse não foi o único erro de Pedro Henriques — outros houve e contra o Nacional, que tiveram importância no jogo, como, legitimamente, recordou Manuel Machado. E, em matéria de erros e, decisivos, de Pedro Henriques, nem calcula o Sílvio Cervan o catálogo deles, em prejuízo do FC Porto, de que eu guardo memoria! Mas, esses, presumo que nunca o tenham incomodado, antes pelo contrário. Não deixa, aliás, de ser curioso que os árbitros que recentemente foram alvo de maiores criticas por parte de benfiquistas e sportinguistas, integrem todos eles a lista dos que mais consistentemente prejudicaram o FC Porto nos últimos anos: Lucílio Baptista, Bruno Paixão, Pedro Henriques. Em comum, o facto de serem ou sportinguistas ou benfiquistas e de esses erros nunca terem merecido nem um átomo da indignação jornalística que agora se levanta em apoio do Benfica e ontem em apoio do Sporting. O Bruno Paixão, por exemplo, que agora suscitou tamanha gritaria dos sportinguistas a propósito do jogo da Taça com o FC Porto (e como se não tivesse prejudicado bem mais os portistas...), é o mesmo árbitro do inesquecível jogo de Campo Maior — essa, sim, a maior fraude que alguma vez vi num campo de futebol — e que iria ter uma importância pontual decisiva na atribuição do título desse ano... justamente ao Sporting e em detrimento do FC Porto. Ironias da História...

Embora, segundo o seu testemunho, Pedro Henriques seja sportinguista, é ao FC Porto que Sílvio Cervan atribui a autoria moral do golo anulado pelo árbitro (porque, que me desculpem os sportinguistas, é do FC Porto que eles têm medo a sério). E daí que, citando-me, embora sem me nomear, ele diga que concorda com a minha frase de que «o FC Porto é o mais sério candidato ao título» — apenas discorda do uso da palavra «sério», neste caso. Ou seja, acha que o FC Porto é o mais sério candidato a um título que não será sério. Palavra de senador.

Ora, eu escrevi tal frase depois de ter assistido ao frustrante empate caseiro do FC Porto contra o Marítimo e antes de saber que o Benfica iria repetir o mesmo resultado contra o Nacional. Mesmo prevendo que a jornada acabaria com o FC Porto a quatro pontos do Benfica, escrevi que pensava ser ele o mais sério candidato. E explicava porquê, dando o exemplo do jogo anterior na Amadora, onde o FC Porto abriu em grande estilo, fez o 1-0, perdeu duas oportunidades incríveis do 2-0, viu o Estrela empatar num golo inconcebível e o árbitro ignorar dois penalties na área do Estrela — e continuou, imperturbável, até voltar a colocar-se em vantagem, sem se incomodar em juntar justificações para um desaire. E dizia, como já o disse muitas vezes, que é esta atitude de conquista, em contraste com a atitude de choradinho eterno dos seus rivais, a atitude de cigarra contra formigas, que torna o FC Porto um candidato e um competidor mais sério. Tivesse o Benfica feito contra o Nacional o jogo que o seu plantel de vedetas justificava e que os seus adeptos têm o direito de exigir, e não precisava de esperar pelas decisões de um árbitro, aos 94 minutos de jogo. Mas é mais fácil vir depois queixar-se do árbitro para os jornais ou sentenciar que isto é uma fraude do que reconhecer as culpas próprias. É uma questão de mentalidade e, desculpem que o diga: há nisto muito do que é a atitude mental dos portugueses em relação a tudo o resto e, por isso mesmo, é que estamos no fim da escala em qualquer índice de competitividade do País.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

NÃO HÁ AZAR! (23 DEZEMBRO 2008)

1 - Por pouco, por muito pouco, tinha sido uma semana em cheio para o FC Porto. Vitória convincente sobre o Estrela da Amadora, a meio da semana, no jogo que tinha em atraso para a Liga, conseguida com a atitude de conquista desde o apito inicial que eu aqui tinha desejado. Mesmo levando em conta que estava a jogar contra adversários que não recebem um salário desde que a época começou (!), mas que nem assim deixaram de se bater com toda a dignidade e força, o FC Porto, como lhe competia, não facilitou. E soube enfrentar tudo, erros do árbitro e falta gritante de sorte no jogo, para procurar e chegar à vitória sem fazer caso dos contratempos inesperados - o que é a marca dos campeões. Há os que parecem mais preocupados em encontrar, ao longo do jogo, razões para se desculparem dos insucessos, e há os que por mais razões de queixa que tenham, do árbitro ou da sorte, continuam a lutar até conseguirem o que querem. Há muitos anos que as equipas portistas nos habituaram já a fazer parte da segunda categoria e, só por isso, é que ganham mais vezes que os outros.

Depois da vitória na Amadora, vieram os felizes sorteios da Taça e da Champions. Não menosprezo o Leixões, mas jogar no Dragão representa uma inestimável vantagem, até porque não acredito que Braga seja capaz de voltar a repetir aquele fantástico e feliz pontapé que deu o segundo golo ao Leixões no jogo da Liga e não estarei a desvalorizá-lo se disser que provavelmente nunca mais na sua carreira terá dois pontapés tão certeiros e felizes no mesmo jogo como aqueles que deram a vitória ao Leixões no Dragão. Quanto ao sorteio da Champions, basta olhar para a ilustríssima lista dos segundos classificados de grupo que poderiam ter calhado aos portistas, para concluir que melhor era quase impossível. O Atlético de Madrid, de Simão, Maniche, Diego Fórlan e Máxi Rodriguez (e Paulo Assunção...), até é capaz de, jogador por jogador, ser melhor equipa que o F.C.Porto e certamente não será pêra doce. Mas falta-lhe a experiência europeia dos portistas, a capacidade de se superar nos grandes momentos e falta-lhe «alma de campeão» - condenados como estão a fazer eternamente figura de simples animadores do campeonato espanhol. Tudo ponderado, e se o FC Porto jogar ao seu melhor nível, ao nível a que já jogou esta época em Istambul ou Kiev, o favoritismo é seu.

Assim, para a semana ser perfeita faltava apenas esse «pequeno» obstáculo de vencer em casa um Marítimo que vinha de duas sovas consecutivas contra «grandes». Mesmo descontando o cansaço acumulado por sete jogos em três semanas, a ansiedade das mini-férias à saída do jogo e a pressa de chegar lá à frente, ao seu lugar natural na classificação, a tarefa não se afigurava de especial dificuldade. Mas razão tinha Jesualdo Ferreira para avisar que o Marítimo era a tal equipa que ainda só tinha sofrido um golo fora em cinco partidas da Liga. Marcos voltou à baliza dos madeirenses, o autocarro recuou, o Marítimo deixou-se de veleidades de jogar o jogo em todo o campo e Lucho e Bruno Alves falharam as duas primeiras opurtunidades de baliza escancarada. E tudo se foi complicando até ao 0-0 final, que até podia ter sido bem pior, se os dois estoiros do Marítimo às madeiras da baliza de Helton tivessem entrado. Estes dois jogos vieram confirmar as principais dificuldades conjunturais desta equipa, que, insisto, me parece desiquilibrada no valor das suas unidades: Lucho González prolonga o seu momento de crise e a sua «ausência» do jogo deixa a equipa amputada da capacidade de usar a sua principal arma, que é a da passagem rápida de uma situação defensiva para uma ofensiva, através dos passes a rasgar do argentino. Por outro lado, falta gritantemente um defesa esquerdo completo: o que mais garantias dá a atacar (Lino), não as dá a defender; e o que melhor defende (Pedro Emanuel), é inexistente em termos de ataque - uma característica cuja falta se faz notar sobretudo contra equipas que defendem atrás, com muitos jogadores.

De presente de Natal, queremos um defesa-esquerdo e dois médios ofensivos (não, não é preciso ir comprá-los à América do Sul, temos vários emprestados por aí e os tempos não vão para gastos sumptuários). Mas se não houver presente de Natal, também não há azar: apesar dos pontos mal perdidos aqui e ali e apesar da sobrecarga de ser a única equipa nacional que continua a lutar pela vitória em todas as frentes, o tri-campeão FC Porto é ainda o mais sério candidato a vencer a Liga.


2 - Como vem sendo hábito, Quique Flores safou-se de mais uma humilhação europeia do Benfica mandando as culpas para cima dos jogadores. Eu até acho o espanhol simpático, sério na maneira como encara o trabalho e civilizado - o que já não é nada pouco, no futebol português. Mas esta arte que ele tem (ou melhor, que lhe propicia a imprensa) de alijar responsabilidades quando perde, não me parece muito católica. Foi Quique Flores quem começou por desdenhar o jogo com o Metalist - nas declarações que fez previamente e na equipa que pôs a jogar. E fez mal. O jogo não era a feijões. Embora o tão louvado «prestígio internacional do nome Benfica» já nada diga à geração que tem menos de trinta anos e hoje só exista para uma coisa chamada Federação Internacional das Estatísticas de Futebol e para a imprensa benfiquista, a verdade é que perder com o Metalist em casa e ser varrido da UEFA, ficando em último lugar num grupo mais do que acessível, com três derrotas e um empate, dois golos marcados e nove sofridos, só serve para colocar esse saudoso prestígio internacional ao nível dos delírios. Por outro lado, o Benfica - que tudo tentou para entrar na Champions pela porta das traseiras e à custa do FC Porto - é capaz de ser a equipa portuguesa que nos últimos vinte anos mais beneficiou e menos fez pelas participações europeias. Se, de vez em quando, o Benfica vai às eliminatórias da Champions ou à UEFA deve-o, sobretudo aos pontos que o FC Porto, e em menor grau o Sporting, têm acumulado. Acontece que, mesmo não contando já para o apuramento, o jogo com o Metalist valia os mesmos pontos no ranking da UEFA - onde, justamente somos precedidos pela Ucrânia, país do Metalist. Havia um «interesse nacional» em jogo: era uma excelente oportunidade para recuperar pontos ao nosso mais directo competidor no ranking - não para os perder, jogando com uma equipa de circunstância, para poupar vedetas, já tão poupadas como Aimar ou Reyes. Escolhendo a equipa que escolheu, Quique Flores pensou apenas nos seus interesses imediatos, esquecendo o mais que estava em jogo. Não vejo como se pode descartar de responsabilidades, consolando-se com o título «ad hoc» de «campeão de Inverno» - depois de já ter perdido, sem glória, tudo o que até aqui, havia para perder: UEFA, Taça de Portugal e até o chamado «Torneio do Guadiana» e o chamado «Troféu Eusébio».


3 - Gilberto Madail explicou sabiamente porque é que a Federação nada pode fazer contra os salários em atraso: porque qualquer punição aos clubes, fosse financeira ou desportiva, acarretaria fatalmente a morte destes. Hermínio Loureiro, por seu lado, ainda não explicou o que pode a Liga fazer, mas o seu silêncio parece indicar que também ele acha que não pode, e não deve, fazer nada. Temos assim que a direcção do Estrela da Amadora acaba de descobrir um ovo de Colombo, em termos de gestão: como manter um clube a funcionar e na primeira divisão, sem pagar ordenados a jogadores e técnicos.

VOLTA, QUARESMA... (16 DEZEMBRO 2008)

1 - Em Maio ou Junho, quando se começou a falar na iminente ida de Ricardo Quaresma para Itália, escrevi aqui um texto intitulado «Fica, Quaresma», onde, sem grandes esperanças embora, tentava expor as razões pelas quais, em meu entender, o melhor jogador do FC Porto deveria ponderar muito bem o passo que ia dar. E, entre outras razões, antecipava que ele não iria encontrar em Itália e no Inter as facilidades que tinha no Porto; que teria de trabalhar o dobro e jogar bem, não na maioria dos jogos, mas em todos, se queria um lugar de titular; que o seu tipo de jogo teria muito menos sucesso face à capacidade defensiva do futebol italiano, sem paralelo no mundo; que lá a imprensa desportiva não era condescendente como aqui, mas muitíssimo mais exigente; que o custo de vida em Milão é o dobro do que é no Porto, pelo que, a menos que lhe pagassem o dobro do que recebia no FC Porto, não iria sequer ganhar financeiramente com a troca. Não acrescentei, mas podia tê-lo feito, outro tipo de argumento: o de que essa conversa de que a linguagem do futebol é universal é uma treta. Quem quer que emigre, não tem de se preocupar apenas com o trabalho que vai fazer: tem de se preocupar também com a vida que vai ter, porque a vida não é só trabalho. E é frequente ver-se jogadores portugueses, a maioria nos seus verdes anos, que emigram para países de cuja cultura e hábitos de vida tudo ignoram e depois têm dificuldades terríveis de adaptação, porque descobrem que não basta ter um Porsche e ser contratado por um grande clube mundial para ficar bem na vida: mais vale ser Princípe em Portugal, ainda que pior pago, do que valido no estrangeiro, coberto de ouro e de solidão.

A notícia de que Ricardo Quaresma, um talento do futebol mundial, foi considerado pela imprensa desportiva italiana a decepção da época, não me surpreendeu, pois. Assim como o facto de ele ter passado de titular a meio titular, de meio titular a suplente e de suplente a não convocado por Mourinho. E ainda tem a sorte de ter um treinador que fala a língua dele e conhece bem o seu futebol!

Não me surpreendeu, mas deixou-me triste, porque eu sei o que vale o Ricardo Quaresma e julgo saber as dificuldades de integração que ele experimenta — tanto na vida em Milão, como na própria equipa, pejada de vedetas à espreita de uma oportunidade e onde era manifesto, quando ele jogava, que os próprios colegas o deixavam de lado. E assim vegeta, sem utilidade alguma, um dos mais talentosos jogadores da sua geração, que não tem lugar na sua equipa nem, por arrasto, na Selecção portuguesa. E o FC Porto, cuja SAD tão desesperadamente tentou vendê-lo, que acabou por o fazer a preço de saldo, vive na saudade de Quaresma — entretanto substituído por Cristian Rodriguéz, que veio ganhar mais do que Quaresma e que, se houvesse prémio semelhante em Portugal, era o mais sério candidato a decepção do ano! Eis um negocio onde, até ver, todas as partes saíram a perder. Bem avisada andaria a SAD do FC Porto se tentasse agora com o Inter um negócio «tipo Suazo». Antes que o Benfica o faça...


2 - Para vencer a Taça de Portugal basta a qualquer um dos «grandes» fazer não mais do que dois bons jogos, em média: uma eliminatória difícil (normalmente contra um dos outros dois grandes) e depois a final. O FC Porto já teve o seu primeiro jogo difícil, que foi em Alvalade, e passou, pelo que já vai nos quartos-de-final. O Sporting teve o primeiro jogo difícil contra o FC Porto e ficou. O Benfica ficou pelos oitavos, sem ter chegado a ter nenhum jogo de dificuldade máxima — como, aliás, nunca tem tido nas recentes edições. Escapou uma vez nos penalties, na Luz e contra o modesto Penafiel, mas não aprendeu a lição e à segunda vez que foi aos penalties, os deuses da fortuna acharam que já era de mais.

Eu confesso que só vi parte do prolongamento da «final antecipada da Taça» (como, num acesso de fervor clubista lhe chamou Fernando Seara) pois que à mesma hora do Leixões-Benfica estava a dar o Barcelona-Real Madrid, e facilmente se adivinha para onde iria a atenção de um amante de futebol que não fosse adepto benfiquista ou leixonense...Mas o pouco que vi deu-me para desconfiar que o Benfica estava a contar demasiadamente com a sorte nos penalties e a não fazer tudo o que devia para resolver as coisas antes disso.

O mesmo espírito de «não nos preocupemos muito, que isto há-de se resolver por si» tinha eu visto horas antes no Cinfães-FC Porto. E nem o facto de o FC Porto estar a jogar com a segunda linha impede a comparação, porque o Cinfães, apesar do valor inesperado demonstrado em campo, não é propriamente o Leixões. É um clube da 3ª Divisão, ou seja, do quarto escalão do futebol português. E houve jogadores portistas que não demonstraram, ao longo de todo o jogo, qualquer superioridade técnica sobre os seus adversários. Pelo contrário, comparativamente com um jogador da casa, de seu nome Mauro, eu fiquei com a impressão de que há vários jogadores no plantel do FC Porto que estão longe de lhe chegar aos calcanhares.

Felizmente (e esta é uma das características de que eu gosto em Jesualdo Ferreira, que não diz, nem a quente, a primeira coisa que lhe vem à cabeça), o treinador do FC Porto disse, no final, exactamente o que eu estava a pensar e que deveria ser dito. Primeiro, louvando o comportamento do adversário, o estado do relvado a fazer vergonha a muitos clubes da 1ª Divisão, e a festa da Taça que se viveu no estádio e na vila de Cinfães (onde estava mais gente que na «final antecipada» de Matosinhos), com aquelas reconfortantes imagens de público sobrando para os morros, para as árvores, para as casas e varandas circundantes. E depois, louvando e bem o desempenho de Guarín (uma boa surpresa para mim), em contraste com a atitude, que não deixou de criticar com toda clareza, de alguns ditos profissionais que estiveram em campo com a camisola azul e branca. Esta é, aliás, uma atitude que já vem de trás, muito antes da era Jesualdo Ferreira. Há jogadores do FC Porto, «segundas linhas», que, quando são chamados a substituir os titulares e têm uma oportunidade para mostrar o que valem, optam antes por se comportar como se o clube não lhes pagasse para jogar na Taça ou enfrentar equipas tidas como «menores». E depois, às vezes, acontecem os desastres, como com os Fátimas ou Torreenses...Eu se fosse a Jesualdo Ferreira (que percebeu muito bem quem eles eram) punha-os a treinar esta semana de manhã e de tarde. Só lhes fazia bem, para eles aprenderem que a camisola do clube é para respeitar sempre e, já agora, aprenderem também a respeitar o público, que, arrostando com chuva e frio, paga bilhete para os ir ver jogar.


3 - Se ganhar amanhã na Amadora (e, para isso, é preciso entrar desde o início com atitude de conquista, de quem não tem tempo a perder), o FC Porto chega a Dezembro na posição confortável de ser o único dos grandes que se mantém em prova e bem lançado em todas as competições. No campeonato ficará em 2º lugar, ex-aequo com o Leixões e a dois pontos do Benfica, com a vantagem de já ter jogado na Luz e em Alvalade; na Taça de Portugal, está nos quartos e é agora o grande favorito à vitória no Jamor, lá mais para o Verão; na Champions, proporcionou uma sensacional inversão de marcha, acabando por terminar o grupo em 1º lugar — o que este ano, todavia, não é garantia de tarefa menos difícil nos oitavos.

Com uma equipa que todos reconhecem mais fraca do que a da época passada — sem Bosingwa, Paulo Assunção, Quaresma — com um onze que eu, pessoalmente, acho desequilibrado, com bons e fracos jogadores, com Lucho e Lisandro, dois dos melhores, longe dos níveis da temporada passada, o saldo é francamente positivo. E, sendo-o nestas circunstâncias, o principal responsável só pode ser Jesualdo Ferreira — eternamente desvalorizado pela crítica. Fosse ele treinador do Sporting e descarregasse nos árbitros de cada vez que as coisas corressem mal, teria todas as atenções e elogios; fosse ele treinador do Benfica e isso lhe bastaria para ser incensado como mestre entre os mestres. Mas ele não gosta de falar sem razão e é treinador do FC Porto...

Olhe, professor, aqui tem um adepto. Crítico, claro, e sempre que o entender justo, porque é a minha maneira. Mas adepto e reconhecido.