Se voltarem a perder o campeonato por um ponto, juro-vos que os sportinguistas virão dizer que só não foram campeões porque o árbitro percebeu mal que a intenção de Polga não era atrasar a bola para o guarda-redes no jogo do Dragão.
Onze dias fora do mundo sabem sempre bem, são até uma necessidade para quem, por dever de oficio, passa um ano inteiro, dia após dia, a seguir os sinais do mundo. Uma vez ao ano, pelo menos, eu dedico-me a esse exercício de limpeza do espírito. Infelizmente, porém, vem acontecendo ultimamente que, de cada vez que o faço, o meu afastamento coincide com algum momento decisivo da cena futebolística nacional, no que às minhas cores diz respeito. Afastar-me e perder um Benfica-FC Porto ou um FC Porto-Sporting, já vem sendo uma fatalidade que, todavia, não me faz prescindir do essencial — e o essencial, meus caros amigos, não é nem há-de ser nunca o futebol.
Desta vez, tudo se acumulou para me isolar do mundo: onde estive, não chegavam jornais nem televisão de Portugal, a Internet não funcionava e, para fechar o círculo, até o telemóvel caiu à agua e deixou de funcionar também. Soube-me pela vida! Lá soube que o FC Porto tinha ganho ao Sporting por 1-0 e que o Benfica tinha ultrapassado o FC Copenhaga e conseguido o acesso à Liga dos Campeões. E foi tudo.
Comecei a recuperar o perdido logo com a leitura dos jornais do dia no avião, e continuei com horas de leitura de dez dias de jornais atrasados, que me esperavam à chegada. Eis as conclusões resumidas deste curioso exercício de updating intensivo.
- O FC Porto ganhou ao Sporting aparentemente sem espinhas e apenas porque jogou mais ou menos mal ou porque fez mais pela vitória do que o adversário. Das várias opiniões lidas, não consta que o Sporting alguma vez tenha estado em perigo de poder ganhar o jogo ou sequer tentar ganhá-lo. A diferença para o jogo da Supertaça é que, desta vez, não apareceu um pontapé do outro mundo para desmentir a verdade do ditado que diz que quem não arrisca não petisca. Mas, afinal, os sportinguistas (nem outra coisa seria de esperar deles na hora da derrota…) trataram logo de vir explicar que só perderam o jogo por culpa do árbitro. Este teria interpretado mal a intenção de Polga ao atrasar a bola para o seu guarda-redes: ele não quis atrasá-la, quis apenas cortá-la — palavras do próprio Polga. Já há uns meses, também no Dragão, o Polga não teve intenção de derrubar o Pepe na área, quis apenas cortar a bola. Foi coincidência que então a bola nem se tenha mexido, enquanto o Pepe levantou voo, e coincidência que agora a bola tenha ido direitinha para as mãos do guarda-redes. A grande diferença é que, se então o árbitro esteve sincronizado com as intenções do Polga, desta vez não esteve. Mas parece também que, no domingo passado e frente ao Belenenses, o árbitro já esteve melhor sincronizado com as intenções sportinguistas. Basta ver como, desta vez, eles se remeteram ao silêncio sobre a arbitragem. No final, contas feitas e se voltarem a perder o campeonato por um ponto, juro-vos que eles virão dizer que só não foram campeões porque o árbitro percebeu mal que a intenção do Polga não era atrasar a bola para o guarda-redes, no jogo do Dragão. Vira o disco e toca o mesmo de sempre…
- Quarta-feira, o Benfica comprou mais três sul-americanos e Di Maria estreou-se, finalmente curado da lesão que trazia e confirmando as boas referências que lhe fizeram. E, no decisivo jogo de Copenhaga, conforme reza a crónica de A BOLA, teve a sorte do jogo e a sorte da arbitragem. E, assim, Camacho fez esquecer Fernando Santos e salvou a intangibilidade de Luís Filipe Vieira. Porque, se o Benfica tem falhado a Liga dos Campeões, para algum lado se iria virar a ira dos adeptos e palpita-me que, desta vez, não seria contra o treinador.
- Francamente, achei de muito mau gosto e muito pouco desportiva a intransigência do FC Porto ao não ceder ao adiamento do seu jogo contra o União de Leiria. Para mais, com a paragem do campeonato no próximo fim-de-semana, não havia argumento razoável que o justificasse (e, para mais, se o jogo tem sido ontem, eu já o tinha visto…). Parece-me que a intenção clara foi tirar partido do cansaço do adversário — e conseguiu-o. São jogadas que não gosto de ver, nem no meu clube ou, principalmente, no meu clube.
- Em três jornadas, o FC Porto matou três borregos da época passada: Sp. Braga, Sporting e U. Leiria. Foi um começo de campeonato a 100%, cuja importância se poderá revelar determinante no futuro. Mas nem tudo é líquido na equipa de Jesualdo Ferreira. A situação de Postiga, nem vendido nem aproveitado, é uma das razões de perplexidade. A outra é, obviamente, a situação dos reforços, de que já aqui falei. Jesualdo não gosta da palavra reforços e acha que numa equipa campeã ninguém é comprado para entrar a jogar mas, sim, para ficar em banho-maria, à espera que algum dos campeões se lesione. É um ponto de vista de treinador e aceitável, como todos os outros. Diferente é o meu ponto de vista, o de accionista e sócio pagante. E insisto no meu ponto de vista, já longamente exposto: se os reforços não fazem falta nem têm, por si só, categoria para entrar directamente na equipa, para quê a necessidade de comprar uma dúzia deles todos os anos, fazendo com que o grande problema da gestão do plantel seja arranjar clubes que os queiram por empréstimo? Das duas, uma: Jesualdo não tem razão na forma como não integra novos jogadores com valor na equipa, ou tem razão em não integrá-los mas, neste caso, deve uma explicação aos sócios sobre o motivo porque os quis, e logo tantos. É que gastar dinheiro a comprar jogadores por atacado é fácil. Só que depois vai ser urgente vender o Quaresma para esconder o défice acumulado a pagar ordenados a jogadores inúteis e excedentários.
- Desafio alguém a dizer-me quais eram os clubes de Carl Lewis, Jesse Owens, Juantorama, Abéé Bikila, ou qualquer outra das glórias eternas do atletismo mundial. Lá fora, de certeza que muitos não esqueceram os nomes de Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro ou Rosa Mota. Quem não esqueceu, sabe que são atletas portugueses, mas de certeza que ninguém sabe a que clube pertenciam. O atletismo tem essa vantagem anti-clubística sobre o futebol. Ou melhor, tinha: porque esta semana, lendo opiniões de vários leitores de vários jornais, cheguei à conclusão de que os dois novos campeões mundiais, Vanessa Fernandes e Nelson Évora, não são de Portugal mas, sim, do Benfica. Pois felicito o Benfica pelos seus campeões do mundo mas, se não se importam, considero que eles são campeões de nós todos e não apenas dos benfiquistas.
PS: Se bem percebi, a minha colega de coluna, Leonor Pinhão, desmente que tenha tido alguma coisa que ver com a escrita do livro da d.ª Carolina Salgado ou com a entusiástica ressurreição das investigações do Apito Dourado, determinadas pela publicação dessa obra literária. Parece que ela, e citando as suas próprias palavras, nunca se dispôs a «sujeitar a verdade ao crivo do julgamento popular em função das paixões clubistas que toldam o raciocínio». Assim, por exemplo, o tão publicitado filme Corrupção — de que ela é autora do script e o marido da direcção — não tem nada que ver com um julgamento popular ditado por paixões clubistas, em que a verdade já está estabelecida previamente, sem necessidade de contraditório, o julgamento já está feito e a sentença já está dada. É tudo uma aldrabice.
Textos de Miguel Sousa Tavares na Abola sobre futebol, que leio atentamente e de quem sou admirador. Este blog não tem nenhuma relação com o autor dos textos. As crónicas terão sempre desfasamento em relação à última em banca, no respeito pelos direitos do jornal onde são colocadas.
quarta-feira, setembro 26, 2007
CENAS DO PRIMEIRO CAPÍTULO ( 21 Agosto 2007)
1- Arrancou o campeonato e, segundo deduzi da leitura de A BOLA de ontem, prepara-se já a primeira chicotada da época e no Benfica. As próximas horas (talvez já quando este texto sair) revelarão se o despedimento de Fernando Santos é uma notícia confirmada, um desejo do seu autor ou ambas as coisas.
Fernando Santos é crucificado por ser o elo mais fraco da cadeia e o mais fácil de servir como bode expiatório. Não vou discutir se ele é ou não bom treinador — isso é, sobretudo, uma questão subjectiva e que não seria elegante abordar agora. O que sei é que há uns vinte anos que os treinadores do Benfica pagam pelos desejos eternamente adiados de regresso aos gloriosos tempos do Glorioso. Mas, nesses vinte anos, também não vi que o Benfica tenha tido um único presidente à altura dessa tarefa. Se agora, por exempo, é só o futebol que falha, e a nível da equipa profissional, cabe perguntar em que outro escalão do futebol é que o Benfica foi campeão na época que passou ou em que outra modalidade desportiva foi campeão? Em nenhum e em nenhuma. Donde, todos os treinadores do Benfica são incompetentes e só a Direcção está acima de qualquer crítica. A verdade é que, nos clubes portugueses, e não apenas no Benfica, só há duas espécies de amovíveis: os treinadores e os bons jogadores — que vão e vêm ao sabor das circunstâncias e das oportunidades. Já os presidentes e os maus jogadores, esses, não há quem os remova.
Fernando Santos foi aposta pessoal de Luís Filipe Vieira. José Veiga também e, segundo nos informaram, foi ele quem escolheu os reforços para esta época. Com muita publicidade a ajudar, convenceram os benfiquistas de que, como disse Vieira, esta era «a melhor equipa da década». Isso permitiu a Vieira vender o Simão (que estava para o Benfica como o Quaresma está para o Porto) por 20 milhões, depois de ter jurado que só vendia por 25. Permitiu-lhe vender o Manuel Fernandes no próprio dia do jogo decisivo da Champions, depois de ter garantido que não o vendia e apresentar em troca o Freddy Adu — o «novo Eusébio», um suposto «fenómeno» cobiçado por Manchester, Arsenal e Chelsea, e que o génio de Veiga permitiu comprar pela pechincha de 1,5 milhões de euros. Assim decretado que esta era uma equipa de sonho, restava esperar pelo espectáculo e resultados correspondentes. Como eles não apareceram logo, a culpa só pode ser do treinador, pois que, por definição, o presidente é infalível.
Não há nada como governar sem crítica nem escrutínio. Que o diga Pinto da Costa. E que o diga Luís Filipe Vieira, que conta com 80 por cento da imprensa desportiva eternamente a incensá-lo, promovê-lo e absolvê-lo de todas as asneiras cometidas, num exercício diário de bajulação e subserviência que não abona nada a corporação dos jornalistas desportivos.
2- Um FC Porto transfigurado para melhor em relação ao da Supertaça, venceu com categoria, vontade e toda a justiça do mundo o difícil jogo de estreia em Braga. Eu esperava mais do Braga e menos do Porto, mas felizmente sucedeu o contrário. Desculpem-me a imodéstia, mas sinto-me um bocadinho responsável pela vitória: de há três anos para cá, tenho-me batido incansavelmente em defesa de Ricardo Quaresma e para que o clube o não venda. Começei a fazê-lo ainda quando Co Adriaanse, com o apoio generalizado da crítica, o remetia ao banco de suplentes, com a justificação de que ele «não defendia». Depois de uma época em que Quaresma foi responsável por 50 por cento das assistências para golo, ei-lo que começa esta arrancando sozinho com a vitória em Braga. Depois das vendas de Pepe e de Anderson, se o venderem também, se lhe partirem uma perna ou se o CD da Liga voltar a tomá-lo de ponta, a equipa encosta. Por mais que Jesualdo fale no «colectivo», que até se portou muito bem em Braga.
3- A suspensão de Lisandro López pelo CD da Federação é um caso de total falta de vergonha e um aparente prenúncio de que este vai ser mais um ano a pagar a factura do Apito Dourado. Que venha esse julgamento e depressa, para que sejam restabelecidas as condições de igualdade na disputa das competições!
4- E, por falar em Apito Dourado, vou dizer uma coisa que ninguém, na barricada oposta, seria capaz de dizer, em sentido contrário: cheira-me que o tal relatório anónimo baptizado de Apito Encarnado não passa de uma manobra inspirada pela Direcção portista.
Mas, dito isto, também não entendo a consternação das vestais da «moral desportiva» com o facto de o procurador-geral da República ter decidido abrir um inquérito aos factos constantes do dito relatório. E, por várias razões. Primeiro, porque as acusações feitas são demasiado graves para que o procurador lhes passasse simplesmente uma esponja por cima. Segundo, porque é fácil de adivinhar que o inquérito concluirá que nada é verdade. E terceiro, porque, tendo o dr. Pinto Monteiro, acabado de entrar em funções, determinado a reabertura da instrução em processos arquivados contra Pinto da Costa, com base unicamente no livro de Carolina Salgado — (de que hoje não restam dúvidas de que foi inspirado, congeminado e escrito a mando de altos cérebros benfiquistas) — não se percebe como poderia ele mandar para o lixo este relatório, sob o argumento de que se tratava de uma simples manobra clubística.
Acontece que o relatório Apito Encarnado, sendo anónimo e provavelmente falso quanto à sua origem, não deixa, contudo, de colocar questões pertinentes, muitas das quais eu próprio aqui tenho colocado.
Por exemplo (e são apenas alguns exemplos): por que razão umas escutas foram motivo de investigação e outras não?
Por que razão dois jogos do FC Porto, sem qualquer importância nem influência no campeonato de então foram declarados suspeitos e outros muito mais importantes e decisivos o não foram?
Por que razão o único crime provado com a obra literária da dª Carolina — a sua auto-incriminação nas agressões ao dr. Ricardo Bexiga — ainda não levou a que ela fosse constituída arguida, continuando antes a gozar do estatuto de testemunha privilegiada e com direito a protecção pessoal paga com o dinheiro dos meus impostos?
Por que razão a dª Carolina — com o curriculum vitae e as motivações de vingança que se conhecem — é uma testemunha tão credível para a dra. Maria José Morgado, e a irmã, sem passado nem motivações correspondentes, é apenas uma difamadora, quando se atreve a vir a público desmentir a maninha?
5- Sábado não estarei cá para ver o FC Porto-Sporting. Não vou fazer antevisões, mas vou deixar um desejo que muito vai irritar os sportinguistas, mas paciência: desejo que nenhuma decisão do árbitro determine o resultado. É que, independentemente de eu achar que o FC Porto jogou mal e perdeu por culpa própria os dois últimos confrontos com o Sporting, em ambos os jogos o resultado final foi influenciado por decisões de arbitragem. Na final da Supertaça, e por todos reconhecido, ficou por marcar um penalty contra o Sporting a castigar um desvio de Tonel com a mão. E, no jogo determinante do campeonato passado, no Dragão, o golo da vitória leonina resultou da conversão de um livre que não existiu, em contraste com o flagrante penalty cometido no último minuto por Polga e que Pedro Henriques, sob o síndroma Apito Dourado, não teve coragem de marcar.
Aliás, quem me segue, sabe que há muitos anos que eu tenho esta tese: no meio da eterna guerra Benfica-Porto, de Apito Dourado para aqui e Apito Encarnado para ali, quem tem verdadeiramente saído a ganhar é o Sporting. Sempre prontos a apresentarem-se como os «cavalheiros do futebol», sempre a protestar contra as arbitragens quando perdem e sempre calados quando são beneficiados, os sportinguistas têm sido, ano após ano, os contemplados com o maior número de erros favoráveis das arbitragens e sempre ajudados, quando jogam em Alvalade, por um caseirismo doentio dos árbitros, sob pressão das bancadas. Por isso é que, nos jogos internacionais, eles são sempre surpreendidos por arbitragens a que não estão habituados. Mas uma tese é uma tese — cada um pode ter a sua.
Fernando Santos é crucificado por ser o elo mais fraco da cadeia e o mais fácil de servir como bode expiatório. Não vou discutir se ele é ou não bom treinador — isso é, sobretudo, uma questão subjectiva e que não seria elegante abordar agora. O que sei é que há uns vinte anos que os treinadores do Benfica pagam pelos desejos eternamente adiados de regresso aos gloriosos tempos do Glorioso. Mas, nesses vinte anos, também não vi que o Benfica tenha tido um único presidente à altura dessa tarefa. Se agora, por exempo, é só o futebol que falha, e a nível da equipa profissional, cabe perguntar em que outro escalão do futebol é que o Benfica foi campeão na época que passou ou em que outra modalidade desportiva foi campeão? Em nenhum e em nenhuma. Donde, todos os treinadores do Benfica são incompetentes e só a Direcção está acima de qualquer crítica. A verdade é que, nos clubes portugueses, e não apenas no Benfica, só há duas espécies de amovíveis: os treinadores e os bons jogadores — que vão e vêm ao sabor das circunstâncias e das oportunidades. Já os presidentes e os maus jogadores, esses, não há quem os remova.
Fernando Santos foi aposta pessoal de Luís Filipe Vieira. José Veiga também e, segundo nos informaram, foi ele quem escolheu os reforços para esta época. Com muita publicidade a ajudar, convenceram os benfiquistas de que, como disse Vieira, esta era «a melhor equipa da década». Isso permitiu a Vieira vender o Simão (que estava para o Benfica como o Quaresma está para o Porto) por 20 milhões, depois de ter jurado que só vendia por 25. Permitiu-lhe vender o Manuel Fernandes no próprio dia do jogo decisivo da Champions, depois de ter garantido que não o vendia e apresentar em troca o Freddy Adu — o «novo Eusébio», um suposto «fenómeno» cobiçado por Manchester, Arsenal e Chelsea, e que o génio de Veiga permitiu comprar pela pechincha de 1,5 milhões de euros. Assim decretado que esta era uma equipa de sonho, restava esperar pelo espectáculo e resultados correspondentes. Como eles não apareceram logo, a culpa só pode ser do treinador, pois que, por definição, o presidente é infalível.
Não há nada como governar sem crítica nem escrutínio. Que o diga Pinto da Costa. E que o diga Luís Filipe Vieira, que conta com 80 por cento da imprensa desportiva eternamente a incensá-lo, promovê-lo e absolvê-lo de todas as asneiras cometidas, num exercício diário de bajulação e subserviência que não abona nada a corporação dos jornalistas desportivos.
2- Um FC Porto transfigurado para melhor em relação ao da Supertaça, venceu com categoria, vontade e toda a justiça do mundo o difícil jogo de estreia em Braga. Eu esperava mais do Braga e menos do Porto, mas felizmente sucedeu o contrário. Desculpem-me a imodéstia, mas sinto-me um bocadinho responsável pela vitória: de há três anos para cá, tenho-me batido incansavelmente em defesa de Ricardo Quaresma e para que o clube o não venda. Começei a fazê-lo ainda quando Co Adriaanse, com o apoio generalizado da crítica, o remetia ao banco de suplentes, com a justificação de que ele «não defendia». Depois de uma época em que Quaresma foi responsável por 50 por cento das assistências para golo, ei-lo que começa esta arrancando sozinho com a vitória em Braga. Depois das vendas de Pepe e de Anderson, se o venderem também, se lhe partirem uma perna ou se o CD da Liga voltar a tomá-lo de ponta, a equipa encosta. Por mais que Jesualdo fale no «colectivo», que até se portou muito bem em Braga.
3- A suspensão de Lisandro López pelo CD da Federação é um caso de total falta de vergonha e um aparente prenúncio de que este vai ser mais um ano a pagar a factura do Apito Dourado. Que venha esse julgamento e depressa, para que sejam restabelecidas as condições de igualdade na disputa das competições!
4- E, por falar em Apito Dourado, vou dizer uma coisa que ninguém, na barricada oposta, seria capaz de dizer, em sentido contrário: cheira-me que o tal relatório anónimo baptizado de Apito Encarnado não passa de uma manobra inspirada pela Direcção portista.
Mas, dito isto, também não entendo a consternação das vestais da «moral desportiva» com o facto de o procurador-geral da República ter decidido abrir um inquérito aos factos constantes do dito relatório. E, por várias razões. Primeiro, porque as acusações feitas são demasiado graves para que o procurador lhes passasse simplesmente uma esponja por cima. Segundo, porque é fácil de adivinhar que o inquérito concluirá que nada é verdade. E terceiro, porque, tendo o dr. Pinto Monteiro, acabado de entrar em funções, determinado a reabertura da instrução em processos arquivados contra Pinto da Costa, com base unicamente no livro de Carolina Salgado — (de que hoje não restam dúvidas de que foi inspirado, congeminado e escrito a mando de altos cérebros benfiquistas) — não se percebe como poderia ele mandar para o lixo este relatório, sob o argumento de que se tratava de uma simples manobra clubística.
Acontece que o relatório Apito Encarnado, sendo anónimo e provavelmente falso quanto à sua origem, não deixa, contudo, de colocar questões pertinentes, muitas das quais eu próprio aqui tenho colocado.
Por exemplo (e são apenas alguns exemplos): por que razão umas escutas foram motivo de investigação e outras não?
Por que razão dois jogos do FC Porto, sem qualquer importância nem influência no campeonato de então foram declarados suspeitos e outros muito mais importantes e decisivos o não foram?
Por que razão o único crime provado com a obra literária da dª Carolina — a sua auto-incriminação nas agressões ao dr. Ricardo Bexiga — ainda não levou a que ela fosse constituída arguida, continuando antes a gozar do estatuto de testemunha privilegiada e com direito a protecção pessoal paga com o dinheiro dos meus impostos?
Por que razão a dª Carolina — com o curriculum vitae e as motivações de vingança que se conhecem — é uma testemunha tão credível para a dra. Maria José Morgado, e a irmã, sem passado nem motivações correspondentes, é apenas uma difamadora, quando se atreve a vir a público desmentir a maninha?
5- Sábado não estarei cá para ver o FC Porto-Sporting. Não vou fazer antevisões, mas vou deixar um desejo que muito vai irritar os sportinguistas, mas paciência: desejo que nenhuma decisão do árbitro determine o resultado. É que, independentemente de eu achar que o FC Porto jogou mal e perdeu por culpa própria os dois últimos confrontos com o Sporting, em ambos os jogos o resultado final foi influenciado por decisões de arbitragem. Na final da Supertaça, e por todos reconhecido, ficou por marcar um penalty contra o Sporting a castigar um desvio de Tonel com a mão. E, no jogo determinante do campeonato passado, no Dragão, o golo da vitória leonina resultou da conversão de um livre que não existiu, em contraste com o flagrante penalty cometido no último minuto por Polga e que Pedro Henriques, sob o síndroma Apito Dourado, não teve coragem de marcar.
Aliás, quem me segue, sabe que há muitos anos que eu tenho esta tese: no meio da eterna guerra Benfica-Porto, de Apito Dourado para aqui e Apito Encarnado para ali, quem tem verdadeiramente saído a ganhar é o Sporting. Sempre prontos a apresentarem-se como os «cavalheiros do futebol», sempre a protestar contra as arbitragens quando perdem e sempre calados quando são beneficiados, os sportinguistas têm sido, ano após ano, os contemplados com o maior número de erros favoráveis das arbitragens e sempre ajudados, quando jogam em Alvalade, por um caseirismo doentio dos árbitros, sob pressão das bancadas. Por isso é que, nos jogos internacionais, eles são sempre surpreendidos por arbitragens a que não estão habituados. Mas uma tese é uma tese — cada um pode ter a sua.
QUEM TEM MEDO COMPRA UM CÃO, NÃO COMPRA UMA EQUIPA ( 14 Agosto 2007)
Optando por não encaixar na equipa nenhum dos reforços que pediu e obteve, optando por dispensar o talento e o imprevisto que deixou sentados no banco, em benefício de um futebol previsível e inócuo, Jesualdo ficou sentado à espera do erro do adversário. E lixou-se. Ele, sozinho, perdeu a Supertaça para Paulo Bento. Haverá, ao longo da época e tal como na anterior, muitas ocasiões para o elogiar, segundo espero. Desta vez não houve.
Caros leitores portistas: este texto, e esta reflexão, é só para vocês. É o primeiro da nova época e deve ficar só entre nós. Quando vos deixei para ir de férias tínhamos acabado de vender o Anderson e o meu último texto foi quase de raiva: entendi, e continuo a entender, que o Anderson foi muito mal vendido. Foi vendido prematuramente, antes de ter ainda dado o suficiente ao clube e antes ainda de se poder valorizar muito mais, porque ele vai ser um caso sério no futebol. Foi vendido à pressa, para tapar o buraco dos 30 milhões de prejuízos de gestão da SAD. Depois disso foi vendido o Pepe — e, esse sim, foi bem vendido, porque, apesar de eu vir escrevendo que ele era o melhor central que eu via a jogar, 30 milhões por um central são irrecusáveis.
Dos três verdadeiramente fora de série que tínhamos para vender resta o Quaresma. Não sei, ninguém sabe, se virá ou não a ser vendido, mas com as vendas do Pepe e do Anderson e depois de termos sido o clube do mundo inteiro que mais facturou no defeso com vendas, não é difícil afirmar, como o fez Pinto da Costa, que este ano o FC Porto vai dar lucro. Era o que faltava que não desse! A questão está em saber se para o ano será preciso vender o Quaresma, mais o Leandro Lima, para tapar mais uns 30 milhões de prejuízos da gestão corrente…
O cerne da questão é sempre o mesmo: ano após ano o FC Porto vende poucos e bons e compra muitos e maus. E o dinheiro da venda de uns esgota-se a sustentar os outros. Um portista mais compreensivo dizia-me há dias que só comprando muitos é que se consegue comprar um Anderson e um Pepe de vez em quando. Como se estivéssemos a falar de melões. Mas não é preciso perceber muito de futebol para ver que um Mareque, um Renteria e outros que tais jamais poderiam transformar-se em Pepes ou Andersons — e por isso mesmo é que já foram emprestados, seis meses depois de terem sido comprados.
Este ano, quando inicialmente parecia que iria haver mais contenção, afinal a história acabou por se repetir: foi comprada uma equipa inteira, uma dúzia de jogadores — dos quais três foram directamente emprestados. Dos que não interessavam (do meu ponto de vista…) só um foi vendido: o Ricardo Costa. Os outros ou foram emprestados, com os encargos a cargo do clube, ou «esperam colocação» ou «treinam-se à parte», ou estão como excedentários no núcleo principal. Porque, nestas coisas, os grandes clubes compradores não se enganam: eles querem é os verdadeiramente bons. Os outros, aqueles que, segundo a imprensa amiga, «têm muito mercado», continuam à espera. Ou seja: vende-se o Anderson mas segura-se o Lucho, vende-se o Pepe mas segura-se o Raul Meireles. Pois…
Enfim, entraram 12 novos. Presumo que todos tenham tido o aval do treinador, como seria de esperar. Presumo igualmente que foi com o seu aval que o Ibson e o Diogo Valente foram dispensados, que flanqueadores como o Alan e o Vierinha (este sem nunca ter tido oportunidades para confirmar as boas indicações iniciais) foram emprestados. Presumo também que foi por sua vontade que o FC Porto foi buscar jogadores como o Nuno, o Luís Aguiar, o Bolatti, o Edgar ou o Lino. Presumo que, como seria de esperar, os que entraram são melhores que os que foram dispensados. E que só os foram buscar porque se considerou que eles constituem uma mais-valia para a equipa. E é presumindo tudo isso que não consigo entender como é que, 12 compras depois, Jesualdo Ferreira não tem para apresentar, no primeiro jogo oficial da época, nenhuma cara nova na final da Supertaça. Se não há nenhum com entrada directa na equipa (o Sporting teve quatro…), para que os quis? Se era para serem suplentes não serviam os outros que deitou fora?
Jesualdo preparou quase cientificamente a derrota na Supertaça com o Sporting. Sim, eu sei, houve um penalty por marcar, três bolas aos postes, uma jogada de golo interrompida sem explicação razoável pelo nosso conhecido Bruno Paixão e um adversário, chamado Izmailov, que, depois de um jogo inteiro a dormir, arrancou um pontapé do outro mundo. Mas a verdade é que ele perdeu contra uma equipa do Sporting que mostrou defender bem mas nada mais que isso. E é a segunda vez que o consegue e, francamente, começa a irritar.
Percebi que o FC Porto iria perder o jogo quando ouvi as declarações de Jesualdo Ferreira, antevendo a partida. Disse ele que o jogo seria resolvido por um erro de alguma das duas equipas. Enganou-se, mas o importante é que essa declaração mostrou logo que a sua única táctica para a vitória era confiar num erro do adversário. Por si, pelo valor da sua equipa, ele não esperava chegar lá.
E, quando se apresenta um meio-campo formado por Paulo Assunção, Marek Cech e Raul Meireles — três jogadores que só sabem jogar para os lados ou para trás —, é difícil conseguir chegar aos golos que dão as vitórias. Pelo que vi na pré-época, Jesualdo só tem uma estratégia para o golo: bola para o Quaresma e ele que resolva. Mas, ou o Quaresma é vendido, ou é arrumado, como fizeram ao Anderson, ou é judiciosamente castigado, como na época passada, ou rebenta de exaustão. Depois de 12 jogadores comprados, a mim parece-me que não é de mais exigir que o treinador tenha outras alternativas e as ponha em jogo.
Acontece que, pelo que se viu nos jogos de preparação, até parece tê-las. Há dois jogadores que podem ser uma clara mais-valia: Mariano González e Leandro Lima. Mas Jesualdo só os meteu em campo quando o jogo já estava perdido, porque, e seguindo uma sábia escola de alguns treinadores muito científicos, o talento é uma coisa perigosa e que precisa de ser vigiada. Os jogadores medíocres têm sempre utilidade, os bons é que precisam de «ser integrados aos poucos». O Anderson e o Quaresma, por exemplo, estiveram cada um deles um ano a ser integrados aos poucos…
Optando por não encaixar na equipa nenhum dos reforços que pediu e obteve, optando por dispensar o talento e o imprevisto que deixou sentados no banco, em benefício de um futebol previsível e inócuo, Jesualdo ficou sentado à espera do erro do adversário. E lixou-se. Ele, sozinho, perdeu a Supertaça para Paulo Bento. Haverá, ao longo da época e tal como na anterior, muitas ocasiões para o elogiar, segundo espero. Desta vez não houve.
PS — Tenho-me divertido a sério a ler as notícias das filmagens da Corrupção. Tenho-me divertido a sério a ler nas entrelinhas o embaraço da dr.ª Morgado com o depoimento da irmã da D. Carolina. Tenho-me divertido a sério a ler a minha colega Leonor Pinhão a explicar que o FC Porto é que provocou um conflito com a TAP para incendiar a «guerra Norte-Sul». E tenho-me divertido a sério a ler o José Manuel Delgado a fazer apelos ao comendador Berardo para que meta dinheiro no Benfica, antes que acabe a época de compras. Digo-vos sinceramente que, para quem não é benfiquista nem autista, tudo isto só dá vontade de rir.
Caros leitores portistas: este texto, e esta reflexão, é só para vocês. É o primeiro da nova época e deve ficar só entre nós. Quando vos deixei para ir de férias tínhamos acabado de vender o Anderson e o meu último texto foi quase de raiva: entendi, e continuo a entender, que o Anderson foi muito mal vendido. Foi vendido prematuramente, antes de ter ainda dado o suficiente ao clube e antes ainda de se poder valorizar muito mais, porque ele vai ser um caso sério no futebol. Foi vendido à pressa, para tapar o buraco dos 30 milhões de prejuízos de gestão da SAD. Depois disso foi vendido o Pepe — e, esse sim, foi bem vendido, porque, apesar de eu vir escrevendo que ele era o melhor central que eu via a jogar, 30 milhões por um central são irrecusáveis.
Dos três verdadeiramente fora de série que tínhamos para vender resta o Quaresma. Não sei, ninguém sabe, se virá ou não a ser vendido, mas com as vendas do Pepe e do Anderson e depois de termos sido o clube do mundo inteiro que mais facturou no defeso com vendas, não é difícil afirmar, como o fez Pinto da Costa, que este ano o FC Porto vai dar lucro. Era o que faltava que não desse! A questão está em saber se para o ano será preciso vender o Quaresma, mais o Leandro Lima, para tapar mais uns 30 milhões de prejuízos da gestão corrente…
O cerne da questão é sempre o mesmo: ano após ano o FC Porto vende poucos e bons e compra muitos e maus. E o dinheiro da venda de uns esgota-se a sustentar os outros. Um portista mais compreensivo dizia-me há dias que só comprando muitos é que se consegue comprar um Anderson e um Pepe de vez em quando. Como se estivéssemos a falar de melões. Mas não é preciso perceber muito de futebol para ver que um Mareque, um Renteria e outros que tais jamais poderiam transformar-se em Pepes ou Andersons — e por isso mesmo é que já foram emprestados, seis meses depois de terem sido comprados.
Este ano, quando inicialmente parecia que iria haver mais contenção, afinal a história acabou por se repetir: foi comprada uma equipa inteira, uma dúzia de jogadores — dos quais três foram directamente emprestados. Dos que não interessavam (do meu ponto de vista…) só um foi vendido: o Ricardo Costa. Os outros ou foram emprestados, com os encargos a cargo do clube, ou «esperam colocação» ou «treinam-se à parte», ou estão como excedentários no núcleo principal. Porque, nestas coisas, os grandes clubes compradores não se enganam: eles querem é os verdadeiramente bons. Os outros, aqueles que, segundo a imprensa amiga, «têm muito mercado», continuam à espera. Ou seja: vende-se o Anderson mas segura-se o Lucho, vende-se o Pepe mas segura-se o Raul Meireles. Pois…
Enfim, entraram 12 novos. Presumo que todos tenham tido o aval do treinador, como seria de esperar. Presumo igualmente que foi com o seu aval que o Ibson e o Diogo Valente foram dispensados, que flanqueadores como o Alan e o Vierinha (este sem nunca ter tido oportunidades para confirmar as boas indicações iniciais) foram emprestados. Presumo também que foi por sua vontade que o FC Porto foi buscar jogadores como o Nuno, o Luís Aguiar, o Bolatti, o Edgar ou o Lino. Presumo que, como seria de esperar, os que entraram são melhores que os que foram dispensados. E que só os foram buscar porque se considerou que eles constituem uma mais-valia para a equipa. E é presumindo tudo isso que não consigo entender como é que, 12 compras depois, Jesualdo Ferreira não tem para apresentar, no primeiro jogo oficial da época, nenhuma cara nova na final da Supertaça. Se não há nenhum com entrada directa na equipa (o Sporting teve quatro…), para que os quis? Se era para serem suplentes não serviam os outros que deitou fora?
Jesualdo preparou quase cientificamente a derrota na Supertaça com o Sporting. Sim, eu sei, houve um penalty por marcar, três bolas aos postes, uma jogada de golo interrompida sem explicação razoável pelo nosso conhecido Bruno Paixão e um adversário, chamado Izmailov, que, depois de um jogo inteiro a dormir, arrancou um pontapé do outro mundo. Mas a verdade é que ele perdeu contra uma equipa do Sporting que mostrou defender bem mas nada mais que isso. E é a segunda vez que o consegue e, francamente, começa a irritar.
Percebi que o FC Porto iria perder o jogo quando ouvi as declarações de Jesualdo Ferreira, antevendo a partida. Disse ele que o jogo seria resolvido por um erro de alguma das duas equipas. Enganou-se, mas o importante é que essa declaração mostrou logo que a sua única táctica para a vitória era confiar num erro do adversário. Por si, pelo valor da sua equipa, ele não esperava chegar lá.
E, quando se apresenta um meio-campo formado por Paulo Assunção, Marek Cech e Raul Meireles — três jogadores que só sabem jogar para os lados ou para trás —, é difícil conseguir chegar aos golos que dão as vitórias. Pelo que vi na pré-época, Jesualdo só tem uma estratégia para o golo: bola para o Quaresma e ele que resolva. Mas, ou o Quaresma é vendido, ou é arrumado, como fizeram ao Anderson, ou é judiciosamente castigado, como na época passada, ou rebenta de exaustão. Depois de 12 jogadores comprados, a mim parece-me que não é de mais exigir que o treinador tenha outras alternativas e as ponha em jogo.
Acontece que, pelo que se viu nos jogos de preparação, até parece tê-las. Há dois jogadores que podem ser uma clara mais-valia: Mariano González e Leandro Lima. Mas Jesualdo só os meteu em campo quando o jogo já estava perdido, porque, e seguindo uma sábia escola de alguns treinadores muito científicos, o talento é uma coisa perigosa e que precisa de ser vigiada. Os jogadores medíocres têm sempre utilidade, os bons é que precisam de «ser integrados aos poucos». O Anderson e o Quaresma, por exemplo, estiveram cada um deles um ano a ser integrados aos poucos…
Optando por não encaixar na equipa nenhum dos reforços que pediu e obteve, optando por dispensar o talento e o imprevisto que deixou sentados no banco, em benefício de um futebol previsível e inócuo, Jesualdo ficou sentado à espera do erro do adversário. E lixou-se. Ele, sozinho, perdeu a Supertaça para Paulo Bento. Haverá, ao longo da época e tal como na anterior, muitas ocasiões para o elogiar, segundo espero. Desta vez não houve.
PS — Tenho-me divertido a sério a ler as notícias das filmagens da Corrupção. Tenho-me divertido a sério a ler nas entrelinhas o embaraço da dr.ª Morgado com o depoimento da irmã da D. Carolina. Tenho-me divertido a sério a ler a minha colega Leonor Pinhão a explicar que o FC Porto é que provocou um conflito com a TAP para incendiar a «guerra Norte-Sul». E tenho-me divertido a sério a ler o José Manuel Delgado a fazer apelos ao comendador Berardo para que meta dinheiro no Benfica, antes que acabe a época de compras. Digo-vos sinceramente que, para quem não é benfiquista nem autista, tudo isto só dá vontade de rir.